A L'Oréal, a Ciência e a Mulher

Estávamos no dia 27 de Novembro de 2003, já com a nossa revista de Natal encerrada quando, apressadamente, tivemos que retirar uma página de Social da nossa rúbrica “Uns & Outros” para incluir a importante notícia de que a L’Oréal Portugal, com o apoio da Comissão Nacional da UNESCO e da Fundação para a Ciência e Tecnologia, assinou um protocolo para distinguir jovens cientistas, em fase de post doutoramento, sob a designação “Bolsas L´Oréal Portugal para as mulheres na Ciência”.

O acima citado protocolo, realizou-se durante uma sessão solene no FCT pelo Engº. António Maia de Carvalho, ao tempo Director Geral para as Relações Exteriores da L’Oréal, pela Drª. Manuela Galhardo em representação do Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e pelo Prof. Doutor Fernando Ramôa Ribeiro, presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) falecido em 2011, acto que ficou assinalado como um factor louvável para o progresso económico e sócio-cultural.

 

Depois desse acontecimento já decorreu mais de uma década, concretamente 13 anos, e os números que citamos a seguir são do último “She Figures”, principal fonte estatística sobre a equidade na pesquisa e inovação na Europa, os quais revelam que Portugal é o sexto país com maior representação feminina na pesquisa científica (45%) e o terceiro com maior percentagem de mulheres com qualificações de topo (56% com grau acima de mestrado face a 47% de média europeia). No entanto, apenas 30% ocupam posições de direcção em órgãos científicos ou de gestão académica e na Europa esta percentagem está consideravelmente abaixo.

Esta não é apenas uma desigualdade da ciência. “Em Portugal, o facto de as mulheres totalizarem quase 60% dos licenciados não se reflecte no mercado de trabalho e, segundo a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, as mulheres continuam a ganhar menos 16,7%”, sublinha Inês Caldeira, CEO da L´Oréal Portugal.

Em muitos países estes números são menos animadores e a opinião pública continua a indicar preconceitos e estereótipos. Por exemplo, um inquérito efectuado junto de 5 mil europeus (Alemanha, Espanha, França, Grã Bretanha e Itália) revelou que 67% dos entrevistados pensa que as mulheres não têm capacidade para ocupar posições de topo na ciência, o que só por si justifica o lançamento do desafio ‘Change the numbers’ por parte da Fundação L’Oréal.

L’Oréal: ciência, diversidade e equidade para um mundo melhor

Reconhecida pela inovação que traz ao mercado da beleza e cuidados anti-envelhecimento há mais de 105 anos, a L'Oréal sempre baseou a sua estratégia na Investigação e Desenvolvimento (I&D), área que conta actualmente mais de 3870 colaboradores dedicados. O seu investimento anual em I&D ronda os 800 milhões de euros e só em 2015 registou 497 patentes. O objectivo é dar resposta às necessidades e aspirações de milhões de pessoas em todo o mundo e fazê-lo da forma mais sustentável em todas as etapas da cadeia de valor.

Na L’Oréal, a equidade de género é um objectivo transversal e há mais de uma década que a empresa definiu uma política de diversidade - baseada na ideia de que a diversidade é enriquecedora - que, entre outros objectivos, visa a inexistência de diferença salarial entre homens e mulheres e a integração de talentos femininos nas funções de topo da organização.

Fruto destas orientações, no final de 2015 os comités de gestão da empresa a nível global tinham já 48% de mulheres e as decisoras femininas ultrapassavam os 30% nos comités executivos. Em muitos países, a equidade foi já alcançada, sendo 30 aqueles que foram reconhecidos com o Gender Equality European Standard (GEES) ou Global Business Certification Standard for Gender Equality (EDGE). A L’Oréal Portugal recebeu o GEES, sendo uma das filiais com melhores indicadores na Europa, incluindo a paridade de género nos seus órgãos de gestão.

Presente em 140 países, a L’Oréal é uma empresa de base científica e a líder mundial no seu sector. Emprega 82.900 pessoas e detém 32 marcas presentes em todos os canais de distribuição, digitais e tradicionais, desde a moderna distribuição ao “travel retail” e aos grandes armazéns, farmácias e parafarmácias, salões de cabeleireiro e perfumarias. Está presente em Portugal desde a década de 60.

AS LAUREADAS PORTUGUESAS DA LORÉAL WOMEN SCIENCE

(para as mulheres e a ciência)

Isabel Veiga, 35 anos

O seu trabalho realizou-se no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS), Universidade do Minho.

Isabel doutorou-se em Ciências Médicas no Instituto Karolinska, em Estocolmo, Suécia (2011), tendo começado a estudar a resistência do parasita da malária ao tratamento disponível. Continuou a aprofundar o tema durante o pós-doutoramento, primeiro neste mesmo Instituto e, desde há quatro anos, conjuntamente na Universidade de Columbia, EUA, e no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS), da Universidade do Minho.

Serão as moléculas de RNA-não codificantes capazes de “instruir” as células a regenerar tecidos, nomeadamente tecido ósseo, ajudando a travar doenças como a osteoporose, a tratar defeitos congénitos ou a recuperar de lesões e cirurgias?

 

Um dos aspectos mais intrigantes do genoma humano é o facto de menos de 2% das sequências do DNA codificarem proteínas. Inicialmente, muito por desconhecimento, as restantes sequências foram consideradas como “DNA lixo”, mas sabe-se hoje que parte deste DNA origina moléculas de RNA não codificante com importantes funções na actividade das células. Entre elas estão os microRNAs que têm um papel fundamental na regulação dos genes e parecem ser promissoras na regeneração de tecidos, nomeadamente na regeneração óssea.

“Esta função dos microRNAs como mediadores da regeneração do osso permanece, em grande parte, inexplorada e é isto que pretendo aprofundar, utilizando este RNA-não codificante para regular a actividade das células e, assim, estimular a regeneração óssea”, explica Inês. Idealmente, o RNA-não codificante, incluindo o microRNA, conseguirá “instruir” as células para construírem novo osso de uma forma natural.

Segundo a investigadora, a utilização de microRNAs, tanto para o estudo de mecanismos biológicos como para fins terapêuticos, é particularmente vantajosa porque um único microRNA é capaz de afectar, em simultâneo, vários processos biológicos. “Um único microRNA pode regular simultaneamente processos como a inflamação e a diferenciação celular, ambos cruciais para a regeneração de tecidos, e controlar o microambiente das lesões ósseas”.

Inês acredita que a utilização terapêutica de ncRNAs abre novos caminhos na reparação de grandes defeitos e fracturas ósseas e, no futuro, poderá ajudar a compreender e a travar doenças como a osteoporose que causa anualmente mais de 8,9 milhões de fracturas: uma a cada três segundos (dados da Fundação Internacional da Osteoporose).

Adicionalmente, a estratégia proposta pela Doutora Maria Inês pode ser transposta para outras áreas da saúde e são muitas as que podem beneficiar de novas (ou complementares) estratégias terapêuticas, desde a medicina dentária à oncologia, onde a regeneração óssea se mostra fundamental após muitas cirurgias para remoção de tumores.

Bem haja Doutora Isabel Veiga!

 

 

 

Maria Inês Almeida, 33 anos

IIIS - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Universidade do Porto

 

Doutorada (2012) pela Universidade do Minho e pelo MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas, um dos melhores hospitais do mundo para tratamento de cancro, Maria Inês Almeida estudou, na altura, os efeitos biológicos de microRNAs no cancro colo-rectal.

No ano seguinte, iniciou o pós-doutoramento no Instituto de Engenharia Biomédica e Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, mantendo-se na área da biologia molecular e continuando a estudar o papel dos microRNAs e das moléculas de RNA na regeneração de tecidos.

Serão as moléculas de RNA-não codificantes capazes de “instruir” as células a regenerar tecidos, nomeadamente tecido ósseo, ajudando a travar doenças como a osteoporose, a tratar defeitos congénitos ou a recuperar de lesões e cirurgias?

Um dos aspectos mais intrigantes do genoma humano é o facto de menos de 2% das sequências do DNA codificarem proteínas. Inicialmente, muito por desconhecimento, as restantes sequências foram consideradas como “DNA lixo”, mas sabe-se hoje que parte deste DNA origina moléculas de RNA-não codificante com importantes funções na actividade das células. Entre elas estão os microRNAs que têm um papel fundamental na regulação dos genes e parecem ser promissoras na regeneração de tecidos, nomeadamente na regeneração óssea.

“Esta função dos microRNAs como mediadores da regeneração do osso permanece, em grande parte, inexplorada e é isto que pretendo aprofundar, utilizando este RNA-não codificante para regular a actividade das células e, assim, estimular a regeneração óssea”, explica Inês. Idealmente, o RNA-não codificante, incluindo o microRNA, conseguirá “instruir” as células para construírem novo osso de uma forma natural.

Segundo a investigadora, a utilização de microRNAs, tanto para o estudo de mecanismos biológicos como para fins terapêuticos, é particularmente vantajosa porque um único microRNA é capaz de afectar vários processos biológicos em simultâneo. “Um único microRNA pode regular simultaneamente processos como a inflamação e a diferenciação celular, ambos cruciais para a regeneração de tecidos, e controlar o microambiente das lesões ósseas”.

Inês acredita que a utilização terapêutica de ncRNAs abre novos caminhos na reparação de grandes defeitos e fracturas ósseas e, no futuro, poderá ajudar a compreender e a travar doenças como a osteoporose que causa anualmente mais de 8,9 milhões de fracturas: uma a cada três segundos (dados da Fundação Internacional da Osteoporose).

Adicionalmente, a estratégia proposta por Maria Inês pode ser transposta para outras áreas da saúde e são muitas as que podem beneficiar de novas (ou complementares) estratégias terapêuticas, desde a medicina dentária à oncologia, onde a regeneração óssea se mostra fundamental após muitas cirurgias para remoção de tumores.

O povo português está-lhe agradecido.

 

 

 

Ana Rita Marques, 36 anos

Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC)

Ana Rita doutorou-se no Instituto Gulbenkian de Ciência (2007-11) na área de Biologia do Desenvolvimento. Aos 31 anos, já depois de ter a primeira filha, prosseguiu o pós-doutoramento na área da Biologia Celular, como investigadora da mesma Instituição. Em 2015 voltou a ser mãe e, actualmente, com 36 anos, permanece no IGC, no Grupo Cell Cycle Regulation, sob orientação de Mónica Bettencourt Dias e com o apoio da FCT.

Sempre que um óvulo é fertilizado existem umas estruturas minúsculas presentes nas suas células, os centríolos, que são eliminados, sendo depois compensados com os centríolos provenientes do espermatozóide. Utilizando o modelo da mosca da fruta, observou-se que as fêmeas forçadas experimentalmente a reter os centríolos nos seus óvulos são inférteis: os ovos fecundados ficam com um número excessivo de centríolos, causando divisões anormais no embrião e a consequente paragem no desenvolvimento.

Estas foram algumas das conclusões a que já chegou a equipa que integra Ana Rita Marques e o trabalho desenvolvido nos últimos anos demonstrou, pela primeira vez, que existe um revestimento em torno dos centríolos que os protege e que regula a sua estabilidade.

No caso da formação dos óvulos da fêmea, é o desaparecimento deste revestimento que permite a eliminação dos centríolos e, consequentemente, a correcta fertilização. É igualmente conhecido que este “escudo protector” é removido nos centríolos de outros tipos de células que se estão a diferenciar, nomeadamente as células musculares e neuronais. E sabe-se ainda que o número de centríolos se encontra alterado em várias doenças, inclusive no cancro, sendo observado o excesso de centríolos nas células cancerígenas.

“Mostrámos que a estabilidade dos centríolos não é uma propriedade intrínseca, como se pensava, mas que depende deste revestimento”, explica a investigadora, acrescentando que “é agora essencial compreender quais são os factores responsáveis pela presença deste escudo protector e qual o seu papel na regulação e estabilidade dos centríolos” e inclusive na sua eliminação ou manutenção.

Pouco ou nada se baseia sobre esta matéria e é isto que Ana Rita se propõe aprofundar, já que perceber como a ausência ou presença deste escudo é regulada pode abrir novas linhas de investigação com aplicação “na área da infertilidade feminina, mas também da regeneração de tecidos, das doenças relacionadas com malformações embrionárias e do cancro”.

Bravo!

 

Patrícia Baptista, 33 anos

Centro de estudos em Inovação, Tecnologia e políticas de Desenvolvimento IN+, Instituto Superior Técnico

 

Patrícia Baptista doutorou-se em Sistemas Sustentáveis de Energia, no Instituto Superior Técnico (IST), no âmbito do Programa MIT Portugal (2011), tendo-se dedicado à Avaliação do Impacto de Tecnologias e Combustíveis Alternativos no Sector Rodoviário. Prosseguiu o seu pós-doutoramento no Laboratório Associado de Energia, Transportes e Aeronáutica (IST), avaliando o Impacte Energético, Ambiental e Económico das Tecnologias de Comunicação e Informação na Mobilidade Urbana.

Actualmente, aos 33 anos, é investigadora do Centro de estudos em Inovação, Tecnologia e políticas de Desenvolvimento IN+, no Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa.

Quais os trajectos mais curtos, económicos, seguros, menos poluentes e nocivos para a saúde, em especial para os utentes com maiores dificuldades de locomoção?

 

Quando definimos um destino de viagem, já é possível saber antecipadamente qual o trajecto mais curto ou o mais económico e até conhecer os pontos de congestionamento que iremos encontrar. No entanto, há muitas outras informações relevantes que não estão ainda equacionadas quando se pretende escolher o trajecto mais adequado a cada pessoa, em especial se esta tiver dificuldades de mobilidade.

Patrícia quer dar este passo em frente e vai dedicar-se ao desenvolvimento de uma ferramenta mais eficaz na avaliação de rotas através da aplicação de metodologias de cálculo adequadas à comparação de trajectos alternativos em diferentes meios de transporte e para diferentes tipos de utilizador.

“O objectivo deste projecto é a melhoria da mobilidade urbana, tendo em consideração o tempo de viagem, o esforço físico a despender, a inalação de poluentes locais, o consumo de energia, as emissões geradas e vários outros indicadores que se tornam mais relevantes para as pessoas com maiores dificuldades de mobilidade”, explica a investigadora.

Com a ferramenta de avaliação que Patrícia quer desenvolver será possível a cada utilizador fazer uma escolha mais informada no planeamento das suas deslocações, conhecendo previamente a rota que se mostrar mais eficiente ao seu caso específico, ou seja, aquela que implicar menor tempo de viagem e um custo mais baixo, ou menos inalação de poluentes e menor impacte para a saúde, ou ainda aquela que permita evitar zonas de tráfego mais acentuado ou que não implique subir declives pronunciados ou passar por pisos irregulares.

Esta informação torna-se particularmente importante no contexto de crescente urbanização e envelhecimento da população que caracteriza praticamente todos os países desenvolvidos, e nomeadamente Portugal, o quinto país da Europa com mais elevado índice de envelhecimento e onde apenas 26,1% da população vive em zonas rurais. “Com a inclusão de mais indicadores e a melhoria das metodologias de cálculo, os utilizadores conseguirão escolher os trajectos com menos impacte na sua saúde e os mais adequados à sua situação”, conclui Patrícia.

Parabéns Doutora Patrícia Baptista. O seu trabalho não só vai facilitar a locomoção dos que têm dificuldades nessa área, como economizar nos custos que certas fatalidades trazem ao erário público. Somos pela prevenção!

 

Apresentadas que estão as laureadas, muito aplaudidas por todos, cabe-nos salientar que durante a cerimónia teve a palavra o Prof. Doutor Quintanilha, um cientista que tem um papel importante nestas distinções, a Drª. Maria Cavaco que há alguns anos vem entregando os prémios a cada uma das cientistas laureadas e este ano o Presidente da República Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, o que constituiu uma novidade.

Moda Moda esteve presente nesta meritória iniciativa desde 2003, data da assinatura do Protocolo, até ao interregno de dois a três anos. Marcámos presença, várias vezes, na Academia das Ciências, no Palácio das Laranjeiras, e no Pavilhão da Ciência da Expo onde este ano se realizou, uma vez mais, pomposamente, a entrega das Medalhas às Laureadas.

É evidente que na actualidade, os homens cuidam dos seus cabelos, do seu rosto e do seu corpo e que qualquer dia os cientistas masculinos também têm direito a ser reconhecidos…

Mas, antes de terminar este texto que tanto nos agrada escrever, temos de salientar o papel da anfitriã, Directora Geral da L´Oréal, Drª. Inês Caldeira, sempre atenta, sem descurar nenhum pormenor. Ainda bem que a igualdade do género começa a ser um monstro do passado que se vai reduzindo para dar o valor a quem o merece.

Marionela Gusmão

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