Palácio da Restauração Jóia da coroa portuguesa

Palco de acontecimentos faustosos e trágicos, o Paço Ducal de Vila Viçosa, um dos mais emblemáticos da nossa história, encerra parte da memória da Restauração de 1640.

O gigantesco edifício resistiu ao longo de séculos a terramotos, incêndios e abandonos. Hoje vive a acalmia de um museu, visitado anualmente por milhares de pessoas. As instalações, ocupadas por uma importante biblioteca, albergaram a Casa de Bragança desde 1501 a 1910.

Mandado construir em 1501, com notória influencia italiana, a sua fachada foi revestida com mármores de Estremoz, a escadaria principal decorada com frescos alusivos à tomada de Azamor, e o salão nobre recoberto com temas mitológicos.                                           

 

O VIII Duque de Bragança, D. João, que nasceu em 1604, apreciava especialmente a caça, o latim e a música. Aos 26 anos consorcia-se com D. Luisa de Gusmão, filha do Duque de Medina Sidónia, o que motivou grandes festejos em Vila Viçosa. 

Por sua iniciativa abriu um Colégio de Música e juntou uma valiosa biblioteca, tentando dar novo brilho à Casa Ducal. Fundou o Colégio dos Reis e escreveu diversas composições musicais, das quais restam apenas dois breves trechos sacros, “Cruz Fidelis” e “Adjuva nos Deus”.

Ali D. João IV, com o auxílio de sua mulher, envolveu-se na conspiração para expulsar os espanhóis de Portugal. Não deixa de ser irónico que D. Luísa de Gusmão, de origem espanhola. Tivesse apostado em os apear da sua governação em Portugal. 

Na manhã de 1 de Dezembro de 1640 partiu para a capital com a mulher e os filhos, onde foi aclamado Rei, instituindo a dinastia de Bragança.

A figura da mulher, D. Luisa de Gusmão, revelou-se fundamental. Segundo a tradição afirmou que “era mais acertado morrer reinando do que acabar servindo”. E. D. Luísa lutou o resto da sua vida pela nossa independência. 

Na actualidade, o Paço dedica-lhe uma sala onde se observa um retrato seu com mobiliário de época. 

A Sala da Restauração evoca D. João IV, contendo um óleo do monarca de corpo inteiro e dois quadros fixando a Aclamação e a Coroação.

Paço na penumbra

O Paço de Vila Viçosa cairia, depois, na penumbra. Muitas das suas preciosidades foram transferidas para o Palácio da Ribeira, em Lisboa, onde se perderam no terramoto de 1755.

No tempo de D. João V voltou a ser objecto de obras profundas. Foram construídas cozinhas, a capela viu-se  ampliada e o tecto do Sala dos Tudescos enriquecido com os retratos dos Duques executados pelo pintor italiano Duprà. 

As invasões francesas provocaram o desaparecimento da quase totalidade do recheio, ficando o edifício abandonado durante largos anos.

No reinado de D. Maria II iniciou-se uma lenta recuperação, sendo os interiores parcialmente decorados ao gosto da época por D. Fernando, consorte da monarca. Para isso contribuíram os rendimentos do morgadio da Casa de Bragança, o único que não foi extinto pelos liberais.

Os penúltimos reis portugueses, D. Carlos e D. Amélia, e os filhos, gostavam especialmente do histórico paço. Um incêndio em 1889 devorou os aposentos reais, rapidamente reconstituídos ao gosto francês de finais de 1800. Neles passaram a última noite D. Carlos e D. Luís Filipe antes de partirem para Lisboa, em 1 de Fevereiro de 1908, dia em que o monarca e o primogénito foram assassinados no Terreiro do Paço.

Após a proclamação da República o Paço Ducal foi encerrado, servindo para guardar móveis, pinturas, porcelanas, faianças, lustres e trajes que os republicanos devolveram à casa-real. 

Livros raros

D. Manuel II fixa-se, depois de exilado, em Inglaterra, enquanto a sua mãe escolhe a França. O antigo rei vive dos rendimentos das herdades que possuía no Alentejo.

Em Londres, inicia uma das maiores colecções de incunábulos, livros e manuscritos portugueses dos séculos XV e XVI. Na biblioteca, composta por 400 volumes, sobressaem as primeiras cinco edições dos Lusíadas (datadas de 1572 a 1597), a “Vita Christi” de Frei Bernardo de Alcobaça (1495), o “Tratado de Sphera” de Pedro Nunes (1537), o “Ho Preste Joam das Índias – verdadeira informaçam das terras do Preste Ioam do Padre Francisco Alvares” (1540), e a “Chronica do Principe Dom Ioam de Damião de Goís” (1567). 

 

Destacam-se ainda forais manuelinos, autógrafos régios e cópias manuscritas de crónicas e documentos fundamentais para a nossa história.

O ex-monarca publicou três catálogos denominados “Livros Antigos Portugueses – 1489-1600”, o último foi elaborado pela sua secretária, Margery Withers, a partir das notas que deixou, de invulgar mérito bibliográfico e científico.

Amada pátria

No seu testamento, datado de 15 de Setembro de 1915, o derradeiro monarca funda em Vila Viçosa um museu com todas as suas “colecções para utilidade de Portugal, minha bem amada pátria”. No mesmo documento institui, ainda, a Escola Agrícola D. Carlos, em Vendas Novas, e cria um fundo para apoiar instituições de beneficência.

No ano a seguir à sua morte, ocorrida em 1932, é instituída a Fundação da Casa de Bragança. Do património constam os castelos de Ourém, Alter do Chão, Portel, Alvito, Vila Viçosa, o Paço Ducal da terra, diversas herdades, e o Paço de Massarelos, em Caxias.

A fundação em causa começa a funcionar em 1945, sendo o Palácio Ducal, entretanto, recuperado e aberto ao público. 

Na actualidade, podem visitar-se em Vila Viçosa 28 salas, praticamente todas objecto de grandes restauros orientados por Raul Lino. A museologia deve-se, essencialmente, a João Couto, director do Museu de Arte Antiga, permitindo observar interiores dos séculos XVII, XVIII e XIX. 

O paço Ducal de Vila Viçosa, verdadeira jóia da coroa, evoca a história incomum de uma família que exerceu o poder, entre nós, dos séculos XV ao XX.

 

António Brás

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