3º. Visconde de Vila Nova de Gaia Um investigador incansável

Considerado um dos maiores vultos  nos estudos da heráldica, armaria militar e nobiliárquica, Luís Stubbs da Bandeira, 3º. Visconde de Vila Nova de Gaia, tornou-se uma referência nesta área.

A sua vida foi passada entre pergaminhos e alfarrábios -  estudos fundamentais para a nossa história.

Ao longo de décadas publicou obras de peso mundial, tendo sido eleito sócio honorário e vitalício de inúmeras academias, entre as quais a American International Academy.

Descendente do Marquês de Pombal e do Duque de Saldanha, Luís Bandeira, como gostava de ser tratado, despertou cedo para os assuntos de história. 

Luís Stubbs Saldanha Monteiro Bandeira, de seu nome completo, nasceu no Porto em 1901, no seio de uma família nobre com ascendência inglesa, ligada às grandes casas senhoriais portuguesas. Frequentou estudos superiores em Coimbra, que abandonou para se tornar, segundo as suas palavras, “apenas investigador”. Durante décadas viveu entre um palacete no Porto e um amplo apartamento em Lisboa. Não se deixando isolar, desenvolveu uma importante actividade cultural, através de  inúmeros livros e conferências. Na editora que fundou publicou gravuras  das cidades de Lisboa e Porto. Paralelamente dedicou-se ao estudo das armas familiares, registadas em aguarelas por João Loureiro de Figueiredo.

Em 1969 casou com Ana Ramalho Correia, professora de liceu, a qual se tornou uma dedicada colaboradora de toda a sua vida.

 

Miguelista convicto

Ao longo da vida, o Visconde de Vila Nova de Gaia assumiu-se Miguelista ferrenho, não perdendo oportunidades para lançar as culpas dos problemas políticos oitocentistas em D. Pedro IV. “Um falido”, afirmou, “que roubou os impostos do Brasil para vir para Portugal armar aquelas zaragatas todas e provocar a destruição da monarquia”.

O velho senhor considerava que “nobres e dons são coisas do passado”.

Viveu do seu trabalho, sublinhando que os monárquicos têm de fazer pela vida”.

Nos Anos 70, ele e a mulher fixaram-se em Lisboa. As dificuldades começaram a espreitar. O casal abandonou a casa de 17 divisões e muda-se para um apartamento na Avenida de Roma. A  editora, dado o seu valor cultural, fixa-se no Palácio dos Coruchéus, num espaço cedido pela Câmara Municipal de Lisboa.

O 25 de Abril afecta-o profundamente. O mercado editorial estagna, obrigando-o a desfazer-se de grande parte da sua biblioteca. Organiza cinco leilões, o último dos quais envolveu a venda de 4 mil volumes. Sem amargura, Luís Stubbs atira tudo para trás das costas: “Ora! Amanhã morro e sempre deixo alguma coisa à minha mulher”.

Nos Anos 90, contando nove décadas de vida, Luís Bandeira continua activo, participando em conferências, colóquios e investigações. 

Ao morrer, em 1994, aos 93 anos, deixa inédito o manuscrito “Santo António Militar”, obra que a viúva entregou à Academia Portuguesa de História.

Toda a sua obra, sintetiza ao nível do estudo da armaria militar, da ciência heráldica, da origem dos apelidos usados em Portugal, das armas da nobreza e títulos nobiliárquico, uma visão ímpar da nossa história.

 

António Brás

CRONOLOGIA DA OBRA DO 3º. VISCONDE DE VILA NOVA DE GAIA

 

1960/61/63 – Livro de Linhagens, I – II - III volumes

 

1962 – Panorâmica do Porto e da Foz, na Armaria de Vila Viçosa

 

1963/1993 - Colabora na Enciclopédia Luso-Brasileira, sob a designação de Gabinete de Estudos Heráldicos e Genealógicos

 

1965 – A Capela da Rua de Peralves Sêco, em Tomar

 

1966 – A cópia inédita do nobiliário do Conde D. Pedro, existente na Universidade de Leyden

 

1969 – Santa Senhorinha, Santa Medieval, ascendente de três famílias ilustres residentes na cidade do Porto

 

1976 – São Rosendo, um possível estudo genealógico segundo nobiliário do Conde D. Pedro

 

1976 – Uma História Velha

 

1977 – Um Enigma Heráldico

 

1981 – Uma preciosa relíquia da Batalha de Aljubarrota

 

1984 – Berço Manuelino, recuperado ao largo das Berlengas

 

1985 – Vocabulário Heráldico

   

 

 

UMA VIDA

1901 – Luís Stubbs nasce no Porto a 23 de Agosto de 1901, único filho dos II Viscondes de Vila Nova de Gaia

 

1919 – Inicio dos Estudos em Coimbra

 

1924 – Primeiros estudos heráldicos. A par da administração do património familiar, participa em conferências, colóquios e simpósios com comunicações.

 

1958 – Eleito membro da American International Academy

 

1960 – Sócio efectivo da Associacão de Arqueólogos Portugueses

 

1962 – Sócio – correspondente do Instituto Genealógico Brasileiro

 

1963 – Condecorado com a Ordem Militar e Hospitaleira de São Lázaro de Jerusalém

 

1968 – Sócio efectivo da Sociedade de Geografia

 

1969 – Casamento com Ana Ramalho Correia, dedicada colaboradora até ao fim da vida

 

1979 – 1989 – Leilão da sua importante biblioteca, provavelmente a mais relevante entre nós ao nível da heráldica e genealogia.

 

1994 – Morre em Lisboa, aos 93 anos. As suas cinzas são lançadas, por desejo próprio, ao rio Douro.

Deixa inédito o estudo “Santo António Militar”, doado pela viúva à Academia de História. O remanescente da sua biblioteca é leiloada.

 

2019 – Morre, aos 90 anos, a 23 de Setembro na Costa de Caparica, Ana Ramalho Correia, 3ª. e última viscondessa de Vila Nova de Gaia.

Leilão na Bestnet de obras de arte longamente preservadas pelo casal no apartamento da Av. de Roma.

Doação por Hélder Correia, sobrinho dos viscondes, do seu espólio ao arquivo da Fundação da Casa de Bragança.

 

AGRADECIMENTO

As fotos, livros, diplomas e condecorações foram cedidas pelo “marchand” de arte Hélder Correia.

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