Um Novo Olhar Sobre os Velhos Mestres

Alegoria dos Planetas e Continentes, 1752. Giovanni Battista Tiepolo (italiano, 1696–1770). Óleo sobre tela. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Oferta de Mr. e Mrs. Charles Wrightsman, 1977. Cortesia The Metropolitan Museum of Art, New York.

Cortesia The Metropolitan Museum of Art, New York.

Uma Floresta ao Amanhecer com Caça ao Veado, (cerca 1635). Peter Paul Rubens (Flamengo, 1577–1640). Óleo sobre madeira. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Adquirido por The Annenberg Foundation, Mrs. Charles Wrightsman, Michel David-Weill, The Dillon Fund, Henry J. e Drue Heinz Foundation, Lola Kramarsky, Annette de la Renta, Mr. e Mrs. Arthur Ochs Sulzberger, The Vincent Astor Foundation e Peter J. Sharp Gifts, fundos especiais, ofertas e legados, através de trocas, 1990.

Rainha Henrietta Maria, 1636. Anthony van Dyck (Flamengo, 1599–1641). Óleo sobre tela. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Legado de Jayne Wrightsman em homenagem a Annette de la Renta, 2019 Cortesia The Metropolitan Museum of Art, New York.

Comtesse de la Châtre (Marie Charlotte Louise Perrette Aglaé Bontemps, 1762-1848), 1789. Elisabeth Louise Vigée Le Brun (Francesa, 1755–1842). Óleo sobre tela. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Oferta de Jessie Woolworth Donahue, 1954. Cortesia The Metropolitan Museum of Art, New York.

Auto-retrato com duas Alunas, Marie Gabrielle Capet (1761-1818) e Marie Marguerite Carreaux de Rosemond (falecida em 1788), 1785. Adélaïde Labille-Guiard (Francesa, 1749–1803). Óleo sobre tela. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Oferta de Julia A. Berwind, 1953. Cortesia The Metropolitan Museum of Art, New York.

Antoine Laurent Lavoisier (1743–1794) e a sua Mulher, (Marie Anne Pierrette Paulze, 1758–1836) 1788. Jacques Louis David (Francês, 1748–1825). Óleo sobre tela. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Adquirida e oferta de Mr. e Mrs. Charles Wrightsman, em homenagem a Everett Fahy, 1977. Cortesia The Metropolitan Museum of Art, New York.

Charles Maurice de Talleyrand Périgord (1754-1838), Príncipe de Bénévent, 1808. Baron François Gérard (Francês, 1770–1837). Óleo sobre tela. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Adquirida e Oferta de Jayne Wrightsman, 2012. Cortesia The Metropolitan Museum of Art, New York.

Estudo de uma Jovem, (cerca 1665/67). Johannes Vermeer (Holandês, 1632–1675). Óleo sobre tela. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Oferta de Mr. e Mrs. Charles Wrightsman, em homenagem a Theodore Rousseau Jr., 1979. Cortesia The Metropolitan Museum of Art, New York.

Uma Dança no País, (cerca 1755). Giovanni Domenico Tiepolo (Italiano, 1727 - 1804) Óleo sobre tela. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Oferta de Mr. e Mrs. Charles Wrightsman, 1980. Cortesia The Metropolitan Museum of Art, New York.

Vénus e Cupido, 1520. Lorenzo Lotto (Italiano, cerca 1480–1556). Óleo sobre tela. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Adquirida e oferta de Jayne Wrightsman, em homenagem a Marietta Tree, 1986. Cortesia The Metropolitan Museum of Art, New York.

Everhard Jabach (1618–1695) e sua Família, (cerca 1660). Charles Le Brun (Francês, 1619–1690). Óleo sobre tela. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Adquirida e oferta de Jaynr Wrightsman, em homenagem a Keith Christiansen, 2014. Cortesia The Metropolitan Museum of Art, New York.

Jayne Wrightsman e a Primeira Dama, Jacqueline Kennedy na entrada do Biltmore Hotel, Palm Beach, Florida, 1961. Créditos da imagem: PictureLux / The Hollywood Archive / Alamy Stock Photo.

A exposição: Um Novo Olhar Sobre os Velhos Mestres irá destacar uma variedade de temas da colecção de pinturas europeias do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque criando novos diálogos entre as obras e incluindo uma grande apresentação de escultura. A mostra estará patente no Outono de 2020.

Enquanto uma galeria destacará a criação de naturezas mortas e pinturas de género dos séculos XVI e XVII, duas outras apresentam uma visão geral de esboços a óleo do século XVI ao século XVIII, como obras de Giovanni Battista Tiepolo. Uma grande galeria exibirá retratos no Grand Siècle, justapondo pinturas notáveis de Peter Paul Rubens e Anthony van Dyck com o monumental retrato de família do banqueiro Everhard Jabach de Charles Le Brun.

As galerias francesas do século XVIII abordam temas como o estudo da expressão, François Boucher e as artes decorativas, e o papel das artistas femininas, que finalmente encontraram um lugar na academia. A colecção exclusiva do Met de pintura neoclássica francesa, dominada por ofertas de Jayne Wrightsman, está instalada também com bustos esculpidos por Jean Antoine Houdon das figuras essenciais do Iluminismo: Denis Diderot e Voltaire.

Estes são apenas alguns exemplos dos novos temas que estão expostos.

Um Novo Olhar para os Mestres Antigos faz parte do “European Paintings Skylights Project” e é um prelúdio para a extensa e final reinstalação das galerias de “European Paintings” que ocorrerá após a conclusão do projecto.

 

As Colecções dos Mecenas

No início do século XX, o Met procurou atingir o público além dos frequentadores tradicionais dos museus de elite, criando salas de estudo para inspirar uma nova geração de designers, artesãos e estudantes, em concordância com uma visão cada vez mais enciclopédica para colecções, objectos efémeros e utilitários, que foram adquiridos, além de obras-primas. 

Por ocasião dos 150 anos da fundação do Metropolitan Museum of Art, numa das galerias do museu, estão expostas as grandes colecções criadas por grandes magnates. De 1891 até 1900, J. Pierpont Morgan, foi o fundador do Metropolitan Club de Nova Iorque e foi presidente do Conselho de Administração do Metropolitan Museum of Art. Na mesma época, sob a influência orientadora de J. Pierpont Morgan, coleccionador de arte e banqueiro do actual Banco Chase, o Met começou a aspirar ao modelo das grandes colecções formadas pela realeza e aristocracia europeias. As aspirações principescas apresentavam objectos valorizados pela sua raridade e beleza que foram oferecidas ao Museu por milionários da Era Dourada, como Benjamin Altman e Collis Huntington. Algumas das obras de arte, que foram oferecidas ao museu são: a Jovem Mulher do Alaúde de Johannes Vermeer, Madonna e o Menino com Anjos de Antonio Rossellino, artes decorativas do século XVIII que adornavam os palácios franceses e um conjunto de objectos preciosos. Nesta secção também sobressaem os benfeitores mais recentes, como Robert Lehman e Charles e Jayne Wrightsman, que levaram adiante esse espírito de coleccionismo.

As Galerias Wrightsman

Charles e Jayne Wrightsman foram uns coleccionadores excepcionais, a sua generosidade e estilo eram inconfundíveis. As suas dádivas foram muito admiradas por curadores, funcionários e visitantes do MET. 

Charles Bierer Wrightsman (1895 - 1986) foi um empresário americano do petróleo e patrono das artes. A sua segunda mulher, Jayne também se dedicou ao coleccionismo das obras-primas das artes. 

Charles quando se aposentou, começou a comprar obras de arte para a sua colecção particular e para o Metropolitan Museum of Art , principalmente doando a Virgem e o Menino de Gerard David com Quatro Anjos e o Retrato de uma Jovem de Vermeer , junto com obras de El Greco , Giovanni Battista Tiepolo , Georges de La Tour , Rubens e Jacques-Louis David . Ele também financiou as oito salas Wrightsman do museu, mobiladas e decoradas no estilo francês do século XVIII, e três outras galerias para objectos de arte e móveis daquele período. 

As Galerias Wrightsman, inauguradas ao público em 1969 e ampliadas em 1974, já ofereciam uma visão magnífica de móveis e artes decorativas francesas inigualável nas Américas.

Jayne Wrightsman

Jayne Wrightsman

Jayne Wrightsman

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Jayne Wrightsman

Jayne Wrightsman e a Primeira Dama, Jacqueline Kennedy na entrada do Biltmore Hotel, Palm Beach, Florida, 1961. Créditos da imagem: PictureLux / The Hollywood Archive / Alamy Stock Photo.

Jayne Kirkman Wrightsman, Mecenas das Artes

Em 1995, Jayne Kirkman Wrightsman (1919 - 2019) estava quase no fim do seu mandato como presidente do Comité de Aquisições, uma posição em que ela demonstrou a sua consideração e compromisso com o Museu. Naquele ano,  contribuiu para a aquisição da obra de Lorenzo de 'Medicis, “O triunfo da fama” de Scheggia e ofereceu um retrato de Eugène Delacroix da sua tia, Félicité Longrois Riesener, pintado em 1835. este foi o primeiro de um grupo de retratos franceses do século XIX, tanto pinturas quanto desenhos, incluindo muitos de Ingres, que Jayne reuniu mais tarde.

No Boletim do Metropolitan Museum of Art de Inverno 2005, com texto de Keith Christiansen, onde ele chama a atenção para um dos aspectos mais marcantes do acervo recente do Museu: “a formação, na segunda metade do século XX, de uma colecção de pinturas italianas do século XVII. Para esse esforço, os Wrightsmans contribuíram com uma obra, “Sansão capturado pelos filisteus” de Guercino, 1619, que foi resgatado de um palácio na região devastada pela guerra em Beirute em 1979. Eles também deram obras de Lucca Giordano e Guido Reni, e uma pintura maravilhosa sobre cobre, “Paisagem com Moisés” de Domenichino Zampieri. Mais recentemente, as colecções do MET foram aumentadas com aquisições, através do Fundo Wrightsman, com a aprovação de Jayne, como a pintura sobre cobre, de Pier Francesco Mola, e um grande e muito raro desenho de afresco, também de Domenichino Zampieri.

A abertura das galerias de pinturas dos antigos mestres europeus, foram renovadas e aumentadas em 2013, com uma  galeria neoclássica em homenagem a Jayne Wrightsman. Nessas paredes estão as obras da pintura francesa que transformaram a colecção do Metropolitan - o magnífico retrato de François Gérard de Charles Maurice de Talleyrand e as duas pinturas admiráveis de Louis Léopold Boilly.

Os interesses dos Wrightsman estendiam-se muito além das pinturas e artes decorativas. De salientar a sua generosidade nas áreas de livros ilustrados e encadernações de livros históricos, assim como desenhos, gravuras e trajes (alguns do próprio arquivo da Sra. Wrightsman) os quais muito expandiram os acervos do Museu. Com a sua paixão pelo Museu como um todo, na sua dedicação não apenas à sua colecção e os seus espaços, mas também à sua equipa especializada, os Wrightsmans serviram como um modelo de patronos, um exemplo para uma geração de doadores.

Jayne Wrightsman em 1965 foi nomeada para o Hall da Fama da Lista dos Mais Bem Vestidos Internacional e em 1975 serviu como membro do Comité do 100º Aniversário do Museu, e ainda nesse ano foi eleita para o conselho de curadores. Jayne morreu em 20 de Abril de 2019, aos 99 anos.

A importância das ofertas dos Wrightsman para o Departamento de Pinturas Europeias pode ser medida pela qualidade excepcional e profundidade - noventa e quatro obras, que ocupam sete das galerias dos antigos mestres, representam a imagem dos Wrightsman, que ocupa o centro do palco. Este não é apenas um facto notável, é, único. Outra obra notável dada pelos Wrightsman, o “Estudo de uma Jovem”, (cerca 1665/67) de Johannes Vermeer. Esta pintura foi adquirida aos descendentes do Príncipe d'Arenberg em 1955, e foi entregue ao MET em 1979.

Da mesma forma, é quase impossível conceber a galeria Rubens-Van Dyck sem o retrato incomparável em que Rubens se retratou com a sua bela jovem mulher Helena Fourment e o seu filho Frans num jardim formal, com uma arara vermelha, (cerca de 1704/1884). Este quadro representa uma das duas maiores obras do artista nos Estados Unidos e fez parte da colecção dos duques de Marlborough no Palácio de Blenheim. Foi então vendido ao Barão Mayer Alphonse de Rothschild em Paris e permaneceu na família Rothschild até 1976 até ser adquirido pelos Wrightsmans em 1978 e emprestado ao Metropolitan até à sua doação em 1981. Agora junta-se a ele o notável retrato da Rainha Henrietta Maria de Anthony Van Dyck, uma obra extraordinária pela forma como transmite a imagem da rainha que íntima, mas formal. Este belo quadro foi pintado em 1636 como um presente para o sobrinho papal, Francesco Barberini, Cardeal Protector da Inglaterra e Escócia.

A aquisição pelos Wrightsmans em 1979 de “Sansão Capturado pelos Filisteus” de Guercino - uma das obras-primas mais dinâmicas do artista - foi imediatamente depositada no Metropolitan e tornou-se a âncora da colecção de pintura barroca, para a qual os Wrightsmans contribuíram com uma série de obras de artistas importantes como Guido Reni, Domenichino e Pier Francesco Mola. A mesma posição central é ocupada pela “Alegoria dos Planetas e Continentes” de Giovanni Battista Tiepolo – esta obra, pertencia à abóbada com afrescos sobre a escadaria do Residenz em Würzburg (o Museu deve aos Wrightsmans nada menos que sete pinturas notáveis de Giovanni Battista e o seu filho Giovanni Domenico, incluindo a alegre Dança no País deste último). E há a pintura relevante de Jacques Louis David de 1788, retratando Antoine-Laurent Lavoisier e a sua mulher, no qual o casal posa de forma afectuosa com o equipamento de laboratório usado no trabalho pioneiro de Lavoisier sobre o oxigénio e a composição química da água. É a peça central do que agora é, graças a Jayne, a melhor colecção de pinturas neoclássicas fora do Louvre. Além do retrato de David dos Lavoisiers, há mais dois retratos de corpo inteiro do grande diplomata Charles Maurice de Talleyrand realizados pelos alunos proeminentes de David, François Gérard e Pierre Paul Prud'hon, assim como o retrato de Madame Talleyrand de Gérard, que é mostrada com um vestido gracioso e confortável numa sala de estilo império elegantemente decorada. A esse notável grupo de retratos deve ser acrescentado “O Público Vendo a Coroação de David no Louvre, 1810 de Louis Léopold Boilly, que foi oferecido ao MET por Jayne Wrightsman, em 2012. 

Jayne, que sempre teve uma paixão particular pela pintura francesa, por isso não é surpreendente que o legado de Wrightsman seja especialmente rico nesta área. Os destaques vão desde “Os companheiros de Rinaldo”, de Poussin, e “O Penitente Magdalen”, de Georges de La Tour, até à requintada “Anunciação” de Philippe de Champaigne, encomendada por Ana da Áustria para seu oratório privado no Palais Royale em Paris, e as elegantes cenas da vida aristocrática de Jean François de Troy, “A Declaração de Amor”,(cerca 1724) e “A Jarreteira”, 1724. Este extraordinário grupo de trabalhos foi coroado pela compra em 2014 de um dos retratos definidores da França do século XVII, a magnífica representação de Charles Le Brun do banqueiro-colecionador-comerciante alemão Everhard Jabach e sua família sentados na sua grande residência parisiense.

Este mesmo resumo de algumas das obras-primas notáveis com as quais os Wrightsmans enriqueceram o Museu não deixa de transmitir a extensão e o carácter dos seus interesses e o impacto dos seus muitos dons. 

As pinturas incluíam obras importantes de Vermeer, de La Tour, Tiepolo, Sweerts, Canaletto, Rubens e El Greco, um tesouro que Philippe de Montebello, director emérito do Met não deixava de admirar. Eles também escolheram exemplos significativos de porcelana e prata europeias do século XVIII e esculturas importantes desse período. Algumas dessas peças chegaram às oito salas do período francês do Met e três espaços de exibição, que começaram a abrir em 1969, com a colaboração de Henri Samuel, outro dos mentores de Jayne Wrightsman. "Ela trouxe uma devoção excepcional para as galerias no Metropolitan, com os quais  nunca parava de se preocupar, em busca da perfeição, mas sempre ligada à beleza", escreveu Philippe de Montebello, em agradecimento.

Charles tornou-se membro do conselho de curadores em 1956, poucos anos depois que ele e sua mulher começaram a coleccionar, Jayne tomaria o seu lugar no conselho em 1975, eventualmente se tornaria uma curadora emérita e um membro criterioso do conselho consultivo do museu. O mecanismo de pesquisa do museu revela mais de 1.000 itens relacionados aos Wrightsman, desde obras de arte, antiguidades até à moda de alta costura, assim como o reconhecimento das suas exposições permanentes, o fundo de doação para aquisições de obras de arte, que leva o seu nome e a sua cadeira curatorial a pinturas europeias. Jayne Wrightsman faleceu... mas a sua influência e inspiração vão ultrapassar os séculos e permanecer até à Eternidade.

 

Theresa Bêco de Lobo

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