Obras Primas da Pintura Holandesa e Flamenga do Século XVII

Estuário ao Fim do Dia, (cerca 1640/1645). Simon de Vlieger (Holandês, 1600/1601 – 1653). Óleo sobre painel. Colecção National Gallery of Art, Washington, Patrons' Permanent Fund and The Lee and Juliet Folger Fund em homenagem a Kathrine Dulin Folger. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

. Natureza Morta com Tarte de Pavão, 1627. Pieter Claesz, (Holandês, 1596/1597 – 1660). Óleo sobre painel. Colecção National Gallery of Art, Washington, The Lee, and Juliet Folger Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Paisagem do Rio com Barco,1649. Salomon van Ruysdael, (Holandês, cerca 1602 – 1670 Óleo sobre tela. Colecção National Gallery of Art, Washington, Patrons' Permanent Fund and The Lee and Juliet Folger Fund. Esta aquisição foi possível graças à generosidade da família de Jacques Goudstikker, em sua memória. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Patinagem no Rio Amstel Congelado, 1611. Adam van Breen, (Holandês, cerca 1585 – 1640). Óleo sobre painel. Colecção National Gallery of Art, Washington, The Lee, e Juliet Folger Fund, em homenagem a Arthur K. Wheelock, Jr. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Retrato de um Cavalheiro Apresentando uma Gola Extravagante, 1627. Thomas de Keyser, (Holandês, 1596 – 1667). Óleo sobre cobre. Colecção National Gallery of Art, Washington, The Lee, and Juliet Folger Fund Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Uma Enfermeira e uma Criança num Hall de Entrada Elegante, 1663. Jacob Ochtervelt, (Holandês, 1634 – 1682). Óleo sobre tela. Colecção National Gallery of Art, Washington, The Lee, e Juliet Folger Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Um Soldado a Fumar um Cachimbo, (cerca 1657/1658). Frans van Mieris, (Holandês, 1635 – 1681). Óleo sobre painel. Colecção National Gallery of Art, Washington, The Lee and Juliet Folger Fund Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Dunas à Beira-Mar, 1648. Jacob van Ruisdael, (Holandês, cerca 1628/1629 – 1682). Óleo sobre painel. Colecção National Gallery of Art, Washington, The Lee, and Juliet Folger Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Um Navio de Guerra Inglês a Disparar uma Continência, 1673. Willem van de Velde, o Novo, (Holandês, 1633 – 1707). Óleo sobre tela. Colecção National Gallery of Art, Washington, The Lee and Juliet Folger Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Natureza Morta com Flores Cercadas por Insectos e um Caracol, (cerca 1610). Clara Peeters, (Flamenga, cerca 1594 – cerca1640). Óleo sobre cobre. Colecção National Gallery of Art, Washington, The Lee, and Juliet Folger Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Natureza Morta com Jarro e Tubo de Grés, 1650. Jan Jansz van de Velde III, (Holandês, 1620 – 1662). Óleo sobre painel. Colecção National Gallery of Art, Washington, The Lee, and Juliet Folger Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Feliz Companhia no Terrace, 1625. Dirck Hals, (Holandês, 1591 – 1656). Óleo sobre painel. National Gallery of Art, Washington, The Lee, and Juliet Folger Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Natureza Morta com um Cacho de Uvas, Duas Nesperas, e uma Borboleta, 1687. Adriaen Coorte, (Holandês, cerca 1665 –depois 1707). Óleo sobre tela. Colecção National Gallery of Art, Washington, The Lee, and Juliet Folger Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Paisagem Arborizada com Viajantes, 1610. Jan Brueghel, o Velho, (Flamengo,1568 —1625). Óleo sobre painel. Colecção National Gallery of Art, Washington, The Lee and Juliet Folger Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Obras Primas da Pintura Holandesa e Flamenga do Século XVII estão expostas nas Galerias Renovadas da National Gallery of Art, Washington, DC. de 17 de Outubro de 2021, até 27 de Fevereiro de 2022. 

Podem-se admirar desde paisagens magnificas, marinhas e cenas alegres de género, até naturezas mortas vivas e ricas, onde as pinturas holandesas e flamengas dos anos 1600 revelam as formas como a arte ajudou a jovem República Holandesa a definir uma identidade cultural. A mostra apresenta cerca de 27 obras do acervo da National Gallery of Art. Este património foi oferecido ao museu de Washington, através da generosidade de Lee e Juliet Folger Fund.

Durante os últimos vinte e três anos, Lee e Juliet Folger doaram à National Gallery of Art vinte e cinco quadros: vinte e um holandeses, três flamengos, e um britânico. Julie e Lee Folger partilham há muito tempo uma atracção muito grande pela notável história do Norte e Sul dos Países Baixos do século XVII. Este casal durante anos fascinou-se com poder marítimo e a perspicácia comercial dos holandeses do século XVII, onde se tinham tornado numa grande força internacional com um alcance global que se estendeu até às Índias Orientais e Ocidentais, enriquecendo as culturas holandesa e flamenga com objectos exóticos, frutas, e espécies de animais. Lee e Juliet Folger também se fascinaram pelas imagens de Inverno, como a pintura “Patinagem no Rio Amstel Congelado”, em 1611 de Adam van Breen.  As pinturas de patinadores estão entre as imagens mais apreciadas da arte holandesa e, desde o início das suas actividades de recolha, os Folgers quiseram adquirir uma cena de patinagem que transmitisse a alegria de patinar num dia frio de Inverno.

Adam van Breen provavelmente estudou em Amesterdão com o importante pintor flamengo David Vinckboons. Esta herança flamenga é evidente na animada e colorida representação de patinadores de Van Breen, assim como no ponto alto, o que lhe permitiu retratar uma vista panorâmica do rio e dos edifícios situados ao longo das suas margens. Van Breen captou a sensação de frio num dia de Inverno, através das formações evocativas de nuvens e dos padrões rígidos e rítmicos de ramos nus contra um céu de cor cinzenta, dando a aparência de gelado.

Acima de tudo, os Folgers encontraram nos quadros holandeses e flamengos um entusiasmo pela vida que é ao mesmo tempo atraente e inspirador, um aspecto emocional que queriam partilhar com outros. As pinturas adquiridas pelo Fundo Lee e Juliet Folger complementam as outras obras holandesas e flamengas na National Gallery of Art.

O carácter distintivo dos interesses artísticos de Lee e Julie Folger é seguido no grupo Folger de pinturas da Galeria Nacional de Arte. Em conjunto com directores, administradores, curadores e conservadores da Galeria, e o seu conhecimento das culturas holandesa, flamenga e britânica, Lee e Julie Folger reuniram estas pinturas com paixão e entusiasmo, assim como um profundo sentido de qualidade e de espírito empresarial. Os visitantes da National Gallery of Art podem agora envolver-se directamente com estas obras-primas, que acrescentaram novas dimensões importantes à extraordinária colecção do museu. A maioria das pinturas Folger estão adequadamente instaladas nas Galerias dedicadas à Arte Holandesa e Flamenga do Edifício Oeste, as três galerias cuja estruturação foi possível graças ao Folger Lee e Juliet Fund.

Embora Lee e Julie Folger fossem há muito apoiantes da Galeria, a sua relação mudou em 1993, quando Ruth Carter Stevenson, presidente do Conselho de Curadores, convidou Julie a juntar-se ao Conselho de Curadores. No ano seguinte Robert H. Smith, presidente do Conselho de Curadores, pediu-lhe para ser co-presidente do Círculo (um ramo importante de angariação de fundos da Galeria), uma posição de liderança que Julie abraçou com entusiasmo. As posições de Julie junto do Conselho de Curadores e do Círculo colocaram-na em estreito contacto com a gestão de colecções e preocupações curatoriais, que se mantiveram importantes para ela ao longo dos anos. Através destas interacções, os Folgers tomaram conhecimento dos planos de construção das três galerias para pinturas holandesas e flamengas numa sala de armazenamento amplamente esquecida, adjacente às galerias holandesas no Edifício Oeste. Entusiasmados com esta proposta, fizeram uma generosa oferta através do Fundo Lee e Juliet Folger permitiram a construção destes espaços. Esta iniciativa marca o início do seu notável envolvimento com a arte holandesa e flamenga na National Gallery of Art.

Na mostra destaca-se obras notáveis de artistas, como Salomon van Ruysdael e Clara Peeters, juntamente com recentes aquisições de Jan Brueghel, o Velho e Dirck Hals, enchem as Galerias da Arte Holandesa e Flamenga do Edifício Oeste. A construção destas galerias em 1995 foi também apoiada pelo Lee and Juliet Folger Fund. Este conjunto de espaços, recentemente remodelados para a exposição, simula os ambientes domésticos para os quais muitas das obras foram originalmente criadas, proporcionando ao público uma experiência de visualização única e íntima.

"A colecção das Obras de Arte da Pintura Holandesa e Flamenga do Século XVII da National Gallery, é considerada uma das melhores colecções fora dos Países Baixos, foi muito importante para o Lee and Juliet Folger Fund, que durante mais de duas décadas apoiou com sucesso a aquisição de obras excepcionais por artistas no auge dos seus talentos. Esta mostra oferece aos visitantes novas formas de entender estas pinturas da nossa colecção e proporciona um primeiro olhar das várias novas adições", disse Kaywin Feldman, director da Galeria Nacional de Arte.

A exposição é organizada pela National Gallery of Art, Washington.

A exposição é comissariada por Marjorie E. Wieseman, curadora e chefe do departamento de pinturas do norte da Europa, Galeria Nacional de Arte.

Visão Geral da Exposição

Obras Primas da Pintura Holandesa e Flamenga do Século XVII apresenta uma enorme variedade de paisagens, marinhas, cenas de género, retratos, e naturezas mortas produzidas por pintores holandeses e flamengos durante os anos 1600. As pinturas representam a prosperidade e o progresso desfrutados pela República Holandesa e a província vizinha da Flandres durante o período. No entanto, a exposição reconhece que os artistas seleccionaram cuidadosamente o  que se retratava do seu tempo, evitando tipicamente os lados mais escuros do progresso. Os holandeses e flamengos também passaram por guerras quase constantes, conflitos religiosos, doenças, pobreza e fome, e para além das suas fronteiras a República participou no comércio transatlântico de escravos e na colonização. Ao longo da exposição, a informação sobre os contextos históricos das pinturas, apresenta como as composições misturam realidade e ficção, revelando os valores dos artistas que as fizeram, os patronos que as encomendaram, e os coleccionadores que as acarinharam.

A cena de Inverno de Jan van Goyen's perto de uma Torre de Observação de Madeira (1646) foi sem dúvida pintado no estúdio do artista, mas o estudo atento dos detalhes arquitectónicos e a magistral renderização dos efeitos atmosféricos indicam a familiaridade do artista com este ambiente arrepiante e tumultuoso. A cena retrata uma das muitas vias navegáveis que foram essenciais tanto para o transporte, como para a recreação nos Países Baixos. As várias mensagens de cenas de género são ilustradas em obras como “A Enfermeira e a Criança numa Entrada Elegante (1663), de Jacob Ochtervelt, que destaca a virtude da caridade. Outras, como a imagem elegantemente detalhada “A Partida para a Caça “(cerca 1665/1668), de Philips Wouwerman, parecem reflectir a riqueza - ou as aspirações de riqueza - dos seus proprietários originais. A variedade de naturezas mortas da exposição inclui composições de pequena escala como “Natureza Morta com Flores Cercadas por Insectos e um Caracol “(cerca 1610) de Clara Peeters, uma das poucas mulheres pintoras conhecidas por terem trabalhado profissionalmente nos Países Baixos no início dos anos 1600. Este trabalho da pintora realizado ainda na adolescência, o pormenor preciso da pintura sugere que Peeters estudou as flores e os insectos . A Natureza Morta enorme e colorida de Pieter Claesz, como “Tarte de Pavão” (1627) teria sido admirada pelos espectadores do século XVII pela habilidade do artista em recriar as texturas dos diferentes objectos e pelo luxo e pela abundância dos objectos representados.

A exposição inclui várias pinturas que foram adquiridas no ano passado, algumas das quais estão expostas pela primeira vez, como resultado dos encerramentos temporários da National Gallery durante a pandemia da COVID-19. Estes incluem, a pintura “Paisagem com Viajantes”, (1610) de   Jan Brueghel, o Velho, uma vista ficcionada de agricultores, pastores, e outros que se cruzam numa estrada através do bosque. Exposta apenas um dia antes do encerramento do museu em Março de 2020, a obra “Feliz Companhia no Terrace “(1625) de Dirck Hals é a primeira pintura do artista a fazer parte da colecção da National Gallery. A “feliz companhia” é um tema popular que retrata homens e mulheres jovens despreocupados e mostra a influência do irmão mais velho do artista, Frans Hals, no seu trabalho animado de pincéis. Também adquirido em 2020, a Natureza de Morta representando “Um Cacho de Uvas, Duas Nesperas e uma Borboleta (1687) de Adriaen Coorte's, esta obra é marcante na sua simplicidade. A pintura é a segunda obra de Coorte a fazer parte da colecção da National Gallery of Art e está exibida ao lado da Natureza Morta  do artista com “Espargos e Groselhas Vermelhas” (1696), que foi adquirida em 2002.

Publicação

Um catálogo totalmente ilustrado foi publicado pela Galeria Nacional. Escrito por Arthur K. Wheelock Jr., antigo curador dass pinturas barrocas do norte da National Gallery, o volume abre com um ensaio sobre o desenvolvimento da colecção de pintura holandesa e flamenga. As entradas individuais consideram as composições e técnicas, bem como os contextos históricos mais vastos de cada obra. O catálogo estará disponível para compra nas Lojas da Natinal Gallery.

A colecção holandesa e flamenga da National Gallery of Art é agora mais rica e mais variada, e os elevados padrões de qualidade e condição estabelecidos pelos seus fundadores permaneceram intactos. Estes padrões têm sido a essência da colecção dos Folgers, o que tornou a sua filantropia tão admirável. Algumas pinturas foram encontradas através da serendipidade e da sorte, enquanto outras vieram para a Galeria através das recomendações de outros coleccionadores que admiram e respeitam os Folgers. Quando uma obra holandesa ou flamenga particularmente notável se torna disponível, é mais do que provável que o nome Folger lhes venha à mente e que a pintura seja trazida, directa ou indirectamente, à sua atenção. Todos os envolvidos falam com orgulho quando uma destas obras se torna parte do grupo de pinturas Folger e pode ser apreciada na Galeria Nacional de Arte por visitantes de todo o mundo. Esta mostra celebra a visão de e Lee e Juliet Folgers ao dar à nação não só tantas obras artísticas, mas também ao tornar possível os espaços serenos e íntimos em que são mais apreciados.