Património I Disputa mundial de porcelanas chinesas

RARO PAR DE TAÇAS E PIRES em porcelana chinesa de exportação, Dinastia Qing, C.1740, decoradas a azul e branco com papagaio no poleiro, segundo desenho de Cornelius Pronk. Diâm Pires: 10 cm alt. Taça: 3,5 cm.

Par de grandes pratos em porcelana chinesa, Companhia das Índias, reinado Kangxi (1662-1722). Decoração em tons da família verde com reservas representando paisagens com fénix, qilin e objectos auspiciosos. Verso decorado com motivos florais em tons de "rouge de fer" e verde. Marcados. Gastos, repintes e falhas no frete. Diam. aprox.: 40,2 cm.

PAR DE GRANDES PRATOS FORMATO DE COVILHETES em porcelana chinesa de exportação, Dinastia Qing, Reinado Kangxi (1662-1722), decorados a azul e branco, ao centro com corbeille de flores e na aba motivos florais. Diâm. 35 cm

Prato coberto com travessa em porcelana chinesa Companhia das Índias, reinado Jiaqing (1796-1820). Decoração em tons de azul, dourado e "rouge de fer" com brasão de armas de Joaquim Pedro Quintela, 1 º Barão de Quintela.

PAR DE CÃES COCKER SPANIEL em porcelana chinesa de exportação, Dinastia Qing, Reinado Qianlong C. 1750-1770. Deitados com a cabeça levantada, de longas orelhas e cauda rodeando o flanco. Decorados com manchas a sépia acastanhadas e áreas de manchas brancas ao longo do corpo. Segundo David Howard talvez o mais atrativo modelo de cães representado em porcelana da "Companhia das Indias". Vide "China For The West" por David Howard & John Ayers,

PAR DE TAÇAS E PIRES em porcelana chinesa de exportação, Dinastia Qing, Reinado Qianlong (1736-1795), família Rosa, formato de flor de lótus, com rica decoração relevada à maneira de Meissen, tendo os fundos dos pires motivos lacustres e, o reverso, a azul turquesa. Decoração rara. Diâm. Taças: 7,2 cm. Diâm. Pires: 12 cm.

PRATO GRANDE em porcelana chinesa de exportação, Dinastia Qing, Reinado Kangxi (1662-1722), decorado ao centro com kilins em paisagem e na aba reservas de animais e flores. Diâm. 31 cm

PAR DE LEITEIRAS em porcelana chinesa de exportação, Dinastia Qing, Reinado Qianlong (1736-1795), família Rosa, decoradas com galos e flores. Alt. 12 cm

PRATO em porcelana chinesa de exportação, Dinastia Qing, Reinado Jiaqing (1796-1820), decorado com gregas a azul e ao centro com o veleiro " Brilhante", propriedade de Miguel Alves de Sousa. O veleiro ostenta a flâmula do proprietário e a bandeira real portuguesa. Vide " China for the West" the David Howard

TAÇA E PIRES em porcelana chinesa de exportação, Dinastia Qing, Reinado Yongzheng (1723-1735), decorado com ricos esmaltes da família rosa e reservas com galos. Diâm. Pires: 11,5 cm Alt. Taça:4 cm

LEITEIRA em porcelana chinesa de exportação, Dinastia Qing, Reinado Yongzheng (1723-1735), de encomenda Jesuita, decorada a grisaille e ouro com "Ascensão". Alt. 13 cm.

PAR DE TAÇAS E PIRES em porcelana chinesa de exportação, Dinastia Qing, Reinado Yongzheng (1723-1735), profusamente decoradas com esmaltes da família Rosa. Diâm. Pires: 12 cm Alt. Taças: 4 cm.

RARO KENDI em porcelana chinesa de exportação, Dinastia Qing, Reinado Kangxi (1662-1722), família Verde, corpo gomado e facetado. Riquissíma decoração floral, sendo a base e bocais representando flor de Lotus. Alt.19,5 cm.

CHÁVENA E PIRES em porcelana chinesa de exportação, Dinastia Qing, Reinado Qianlong c. 1750, família Rosa, decorada com figuras europeias, representando "A Despedida do Marinheiro". Prato com decoração semelhante reproduzido in "La Porcelaine des Compagnies des Indes à Déccor Occidental", de François e Nicole Hervouët. Alt. Chávena: 6,5 cm. Diam. Pires: 12 cm.

PAR DE TAÇAS E PIRES em porcelana chinesa de exportação, Dinastia Qing, Reinado Qianlong (1736-1795), família Rosa, formato de flor de lótus, com rica decoração relevada à maneira de Meissen, tendo os fundos dos pires motivos lacustres e, o reverso, a azul turquesa. Decoração rara. Diâm. Taças: 7,2 cm. Diâm. Pires: 12 cm.

PAR DE "WINE-COOLERS"em porcelana chinesa de exportação, Dinastia Qing, Reinado Qianlong (1736-1795), família Rosa, de formato gomado e recortado, decorados com peóneas e rematados a ouro e coral.

GRANDE PRATO GOMADO em porcelana chinesa de exportação, Dinastia Qing, Reinado Kangxi (1662-1722), família Verde, com profusa decoração de flores na aba e cesto de flores ao centro. Diâm. 39 cm.

Molheira em porcelana chinesa, Companhia das Índias, reinado Jiaqing (1796-1820). Decoração em tons da família rosa e em tons de verde com ramos e folhas a dourado, ao centro reserva com o brasão de D. António de São José de Castro, Bispo do Porto, bordo com quatro reservas decoradas com paisagens e figuras chinesas. Asa dupla entrelaçada, terminando em motivos florais em relevo. Comp. aprox.: 18 cm.

Grande prato em porcelana chinesa, Companhia das Índias, reinado Jiaqing (1796-1820). Decoração em tons da família rosa e em tons de verde com ramos e folhas a dourado, ao centro reserva com o brasão de D. António de São José de Castro, Bispo do Porto, aba com quatro reservas decoradas com paisagens e figuras chinesas. Gastos e pequenos cabelos. Diam. aprox.: 38,5 cm.

Do Oriente sempre nos atraíram, como se sabe, os marfins, os têxteis, os móveis, as lacas e, principalmente, as porcelanas da Companhia das Índias. Estas últimas são, por certo, as áreas mais conhecidas e estudadas entre nós.

Em Portugal existem colecções preciosíssimas destas porcelanas, destacando-se os núcleos dos museus de Arte Antiga e de  Anastácio Gonçalves, das fundações Gulbenkian, Ricardo Espírito Santo, de Medeiros e Almeida, em Lisboa. No Porto evidenciam-se exemplares nos museus Soares dos Reis e Guerra Junqueiro.

A partir dos descobrimentos, as porcelanas da Companhia das Índias impuseram-se. As classes abastadas do nosso País, deslumbradas com a sua expressão criativa, receberam-nas com grande entusiasmo. Um verdadeiro frenesim atravessou os nossos palácios, conventos e igrejas que rapidamente se engrandeceram com elas. As zonas de jantar passaram a ostentar sumptuosos serviços (por vezes com mais de 600 peças) utilizados nas refeições diárias.

Os altares das igrejas brilhavam, por sua vez, com potes, canudos e jarras de grande riqueza decorativa.

 

Maiores coleccionadores

Os portugueses têm sido desde o século XVI os maiores coleccionadores desta porcelana, hoje património mundial. A contribuição que deram para o seu fabrico e expansão foi notável, embora pouco conhecida. 

Rapidamente a moda chegou à Europa, servindo o nosso Pais de intermediário entre o Oriente e o Ocidente. Inicialmente os holandeses, ingleses e franceses preferiam a reprodução de gravuras europeias, de flores e paisagens orientais nas peças encomendadas que eram, essencialmente, utilizadas como objectos decorativos. 

A nossa preferência foi sempre para peças reproduzindo brasões de casas nobres, monogramas e símbolos religiosos. Este gosto tornou as peças portuguesas de grande raridade e valor.  

No século XIX a moda chegou aos Estados Unidos, onde se iniciaram grandes colecções de porcelana chinesa. As nossas peças tornam-se as mais procuradas e valorizadas – o que não tem parado de aumentar. Actualmente os seus preços atingem verbas exorbitantes, sendo disputadas pelos maiores museus e coleccionadores mundiais.

Nos últimos anos assistiram-se a verdadeiros recordes. Um gomil (jarro de lavatório) com as armas do Rei D. Manuel I foi vendido na leiloeira Sothbey's, em Londres, por 50 mil contos, encontrando-se depositado no Museu da Fundação Espírito Santo. No mercado nacional, um par de grandes potes com tampa chegou aos 110 mil euros, uma terrina setecentista em forma de Javali alcançou 50 mil euros,  um serviço de jantar (composto por 35 peças) do século XVIII, decorado com pavões, ultrapassou os 100 mil euros. Um par de cães Cocker Spaniel bateu os 310 mil euros, e um frasco com armas de Francisco José de Sampaio atingiu os 13 mil euros.

Recentemente o Palácio do Correio-Velho apresentou um importante núcleo de porcelanas da China, onde se destacavam pratos, travessas e uma terrina do serviço de D. António de São José de Castro, Bispo do Porto. Tratam-se de peças com grande cotação internacional pela sua grande qualidade. No mesmo leilão sobressaiam, ainda, peças do serviço do Conde de Farrobo, bem como um vasto núcleo de porcelanas em tons azul e com decoração a verde.  

Actualmente encontra-se em preparação a venda, na Renascimento, um precioso conjunto de porcelanas da Companhia das Índias. O acontecimento está a despertar, dada a sua raridade, grande interesse por parte de museus e coleccionadores internacionais. 

(Imagens gentilmente cedidas por Renascimento Leilões)

António Brás