Quinta de São Sebastião I A casa mais bonita de Portugal

Fachada principal

Salão Neo-Clássico, com quadros de João Vaz e Domingos Sequeira.

Teto de Jean Pillemant

Sala de jantar

Salão principal, ao centro retrato de Veloso Salgado.

Salão da fachada principal.

Jardins da casa.

No centro histórico de Sintra ergue-se a Quinta de São Sebastião, cujos salões foram palco de invulgares festas e recepções.

O construtor da casa, Henrique Teixeira de Sampaio, Conde da Póvoa, era detentor da maior fortuna dos finais do século XVIII.  

É considerada a casa mais bonita de Portugal. A arquitectura exterior, muito qualificada, lembra o “Petit Trianon” de Versalhes. O interior, amplo e luminoso, evoca o fausto do neoclássico.

As salas mantêm os frescos originais de Jean Pillement (ou provavelmente dos seus discípulos Manuel Costa e Joaquim Marques) sendo iluminadas por altas janelas que abrem para o vasto parque de características inglesas.

 

Grande encomenda

O edifício, cujo arquitecto permanece desconhecido, e as diversas salas têm frescos únicos em Portugal.

Os dois vastos salões da fachada principal possuem tectos abobadados com pinturas cénicas de cariz neoclássico. No primeiro salão sobressaem frescos com lanças colocadas na vertical, como tacos de bilhar, em tons de branco e creme. A divisão seguinte apresenta minuciosos colunatas com obeliscos e vasos, num gosto etrusco em moda na França nos finais de 1700.

A sala de jantar tem luminosos frescos paisagísticos, destacando-se montanhas brumosas, rios, aldeias, palácios, pastores, pescadores e viajantes onde não faltam borlas e reposteiros de grande efeito ilusionista.

O chamado “boudoir” é decorado com “chinoiseries”, traduzindo o fascínio pelo oriente. O tecto e as paredes estão totalmente pintadas com temas chineses, numa delicadeza de tons e formas de grande qualidade artística.

A última divisão, hoje escritório, inspira-se numa choupana da Virgínia. O tecto lembra um telhado de colmo suportado por troncos de árvores e nas paredes nem falta a preparação de uma rústica refeição campestre, no meio de vastos horizontes.

 

Preservação constante

A Quinta de São Sebastião manteve-se como casa-de-verão dos duques de Palmela durante mais de um século.

Em 1900 a  duquesa-artista D. Maria Luísa, mandou edificar a capela dedicada a São Sebastião. No seu interior destacam-se azulejos de Jorge Colaço, em tons de azul e branco de grande efeito cénico. O interior foi criteriosamente preservado ao longo dos últimos 250 anos.

Grandes tremós Império, papeleiras Luís XVI, cadeiras Regence, porcelanas da Companhia das Índias, esculturas portuguesas, pratas antigas, carpetes de Arraiolos, pinturas de Veloso Salgado, Domingos Sequeira, João Vaz, enormes reposteiros e óleos retratando a família criam um ambiente requintado.

O século XX trouxe confortáveis sofás e molduras de prata com fotografias de inúmeros visitantes, caso da Princesa Margarida de Inglaterra (em 1956), do Duque de Edimburgo (em 1973) e, noutras ocasiões, da Rainha Joana da Bulgária e do Rei Humberto de Itália, entre muitos outros.

 

Heranças

A casa foi herdada em 1941 pela Viscondessa de Asseca, uma das filhas da IV Duquesa de Palmela. Os novos proprietários, Viscondes de Asseca,  continuaram a tradição de bem receber ao longo das décadas seguintes.

Mais recentemente, a quinta foi herdada pela sua filha, Helena Taborda Ferreira, cujo filho, Salvador Taborda Ferreira, acabou de adaptar um anexo para um confortável hostel.

 

Esquecido construtor

A casa foi construída por Henrique Teixeira de Sampaio, Barão de Teixeira e Conde da Póvoa, que se destacou como capitalista e político. Exerceu as funções de ministro das Finanças, sendo o maior accionista do Banco de Lisboa, antecessor do Banco de Portugal;  teve uma enorme influência como principal credor do Estado no reinado de D. João VI. Em poucos anos juntou uma fortuna colossal e um extenso património.

Henrique Teixeira de Sampaio possuía inúmeras residências. Em Lisboa, vivia no Palácio do Rato, hoje Procuradoria-Geral da República, recheado de importantes obras de arte e decorado com frescos atribuídos a Pillement. Em Azeitão, edificou o palácio da Quinta da Serra, enorme edifício decorado com interessantes frescos hoje muito degradados. A propriedade, com 65 hectares, encontra-se no mercado imobiliário por 9 milhões de euros.

A filha, Maria Luísa de Noronha Sampaio, que herdou a fortuna paterna, casaria em 1827 com o filho primogénito do I Duque de Palmela.

António Brás