Ourivesaria Portuguesa I Cada vez mais valorizada

Salva gótica-manuelina. Marca de Lisboa, iniciais A.R., 1.º quartel do século XVI.

Lavanda e gomil D. João V. Punção Porto, ourives Domingos Sousa Coelho, meados do século XVIII

Salva do século XVI, vermeil, com querubins e figuras mitológicas, e a inscrição temperantia, século XVI.

Colher manuelina, punção de Lisboa, marca de ourives L.A., século XVI

Par de castiçais, punção de Lisboa, ourives Bernardo Joaquim Rodrigues, 1.º quartel do século XIX, no corpo da base tem a inscrição “Do Príncipe- Regente”.

Terrina D. José, contraste do Porto,ourives João Pinto Pereira

Terrina D. José, contraste do Porto, ourives João Pinto Pereira

Taça escovada, renascentista, sem marcas

Galheteiro D. João V/D. José, punçao do Porto, marca do ourives MG,

Gomil D. João V/D. José, contraste do Porto, marca do ourives MP

Coleccionadores bem informados e conhecedores estão a voltar-se para o mercado da chamada ourivesaria portuguesa. Nas últimas décadas começaram, com efeito, a investir substancialmente em objectos de prata executados em Portugal, dado o seu valor, estabilidade e prestígio. Tal movimento acentuou-se, aliás, na sequência das oscilações bolsistas, da Troika, do Covid e da guerra da Europa. 

O mercado leiloeiro onde a ourivesaria é preferencialmente transacionada conheceu, por isso, desenvolvimentos crescentes. Nos últimos anos registaram-se numerosos tops no sector, com as grandes casas da especialidade de Lisboa e Porto a levar à praça centenas de exemplares de valores elevados, na ordem de muitos milhões de euros.

 

Criatividade

O interesse tem crescido e justifica-se dada a criatividade dos nossos artífices e a qualidade das ligas de metais por eles utilizadas, das mais puras do mundo.

As peças de maior procura são as dos séculos XV e XVI. Quando surgem atingem preços astronómicos. Uma salva quinhentista chegou recentemente aos 500 mil euros. 

Outra salva do século XVI foi arrematada por 260 mil euros

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A maior surpresa ocorreu, porém, com a venda de uma terrina D. José que bateu os 240 mil euros, uma salva de pé D. João V atingiu os 250 mil euros, uma cafeteira neoclássica foi licitada por 65 mil euros, uma lavanda e gomil D. João V foi arrematada por 480 mil euros, um par de castiçais de 1800 foi adquirido por 200 mil euros, e uma colher manuelina foi comprada por 170 mil euros.

Outra forte surpresa foi um galheteiro D. João V/D. José que atingiu os 350 mil euros, uma taça quinhentista chegou aos 160 mil contos, um gomil D. João V/ D. José bateu os 150 mil euros, e uma salva de pé D. João V foi licitada por 150 mil euros.

Estes movimentos foram das maiores transacções ocorridas entre nós. 

Os compradores dividem-se em investidores e colecionadores  especializados, cada vez mais, em épocas, temas e ourives.

 

Estado

As colecções públicas possuem núcleos fabulosos de ourivesaria dos séculos XII ao XIX, em que predominam os exemplares de natureza sacra e os provenientes de legados individuais – como o de Francisco Barros e Sá constituído por 500 peças de ourivesaria civil.

Os museus de Arte Antiga em Lisboa, Frei Manuel do Cenáculo em Évora, Machado de Castro em Coimbra, Soares dos Reis no Porto, Abade Baçal em Bragança, Biscainhos em Braga, possuem colecções de referência.

 

Investimento crescente

Existem cada vez mais particulares e empresas a constituírem colecções de ourivesaria portuguesa. 

Aparecem frequentemente peças dos nossos ourives no mercado estrangeiro, especialmente em Londres, Géneve e Paris, o que faz disparar os preços. A sua projecção acentuou-se após a exposição de “Ourivesaria Portuguesa e Francesa”, realizada em 1954, em Paris.

A prata presente em quase todos os leilões, nunca foi uma moda. Afirmou-se sempre como um objecto de investimento seguro, de colecionismo elegante e de status social.

António Brás