Jorge Colaço I Inovação e tradição

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A obra do pintor e ceramista Jorge Colaço encontra-se espalhada por todo o País, dando-nos imagens de um povo romântico, rural e festivo. 

A sua obra alia  tradição e modernidade, bem como ousadia e  inovação invulgares.

Inicialmente dedicou-se à pintura, ao desenho e à caricatura, tendo estudado, como bolseiro,  em Paris e Madrid.

Em 1903 resolveu aprofundar a arte da azulejaria que se encontrava em franco declínio. O resultado revelou-se surpreendente. Os seus painéis marcam um renascimento dessa arte.

Foi pioneiro de novas técnicas, caso da serigrafia, da corda-seca, de relevos, de texturas, de prateados e de dourados. 

Segundo o bisneto, Tomaz Colaço, ele fazia “os projectos em aguarela que transpunha para quadriculados. Os azulejos, depois, eram pintados com sucessivas camadas de tinta amassada com vernizes e aguarrás, para obter as tonalidades necessárias”.

 

Grandeza de Portugal

Ao longo de quase 50 anos de trabalho azulejar, o artista incorporou a grandeza de Portugal, exaltando a vida quotidiana do mundo rural. 

Essas obras são marcadas pela vida, pela alegria, pelos hábitos e pelas tradições de então.

A linha seguida é invariavelmente o naturalismo. A conservadora sociedade portuguesa não aceitaria a Arte Nova ou a Art Deco, correntes dominantes na Europa.

Jorge Colaço vivia de encomendas de privados e do Estado, tendo que adaptar-se ao gosto dos clientes, às dimensões dos espaços e ao encurtado tempo entre a encomenda e a entrega.

 

Os painéis de grandes dimensões predominam, sempre realçados por uma grande paleta de cores e um profundo domínio do desenho e da pintura.

Encontram-se inventariados mil painéis, em 132 locais distintos, sendo cerca de 75% encomendadas estatais.

Era um homem com uma enorme capacidade de trabalho e um grande talento. 

 

Pátio Martel

Ao longo dos anos, Jorge Colaço teve três “ateliers”. O primeiro localizava-se na Pátio Martel, na Rua D. Pedro V, em Lisboa. O espaço fora uma iniciativa de José Trigueiros Martel, familiar da escritora Madalena Martel Patrícia, que cedera lojas a artistas como Columbano, Nascimento Fernandes, Carlos Reis, entre outros. 

O artista trabalha de seguida num espaço próprio na Fábrica de Sacavém e, por fim, na Fábrica Lusitânia, no Campo Grande. Havia a necessidade de grandes áreas e de fornos próximos para cozer os azulejos.

As encomendas sucedem-se, às dezenas de painéis, caso do Palácio do Bucaço, das estações de caminho-de-ferro (encontram- se inventariados 700 painéis datados de 1905 e 1942), do Hospital António Lopes na Póvoa de Lanhoso, do Palácio Jácome Correia e do Convento de Belém em Ponta Delgada, do Pavilhão dos Desportos (hoje Carlos Lopes) em Lisboa, entre tantos outros.

O autor criou sempre uma linha pictórica própria e individual. 

Chegam pedidos do Brasil destinados a decorar moradias em Teresópolis, São Paulo e Rio de Janeiro.

Jorge Colaço encontra-se representado na antiga sede da Sociedade das Nações (actual ONU) em Genebra, no Castelo de Windor em Londres, na Maternidade de Buenos Aires, no Museu de Azulejo de Montevideu, no Palácio Monreal em Cuba, e em estações de comboio de Moçambique. 

 

Vida intensa

Casado com Branca de Gonta Colaço, poetisa e escritora que manteve durante décadas um célebre salão literário em Lisboa, teve três filhos, Tomás Colaço, poeta e humorista, Ana de Gonta Colaço, escultora, e Maria Cristina de Gonta Colaço, escritora. As netas Madeleine e Concessa Colaço realçaram-se na tapeçaria e, actualmente, o bisneto Tomás Colaço na pintura abstracionista.

 O pai, José Daniel Colaço, Barão de Colaço e Macnamara, destacou- se igualmente na pintura. Primos seus impuseram-se em diversos campos: Alexandre Rey Colaço como pianista e compositor, Alice Rey Colaço Menano como pintora modernista, Jeanne Rey Colaço Castro Freire como violinista e Maria Rey Colaço como pianista. 

A actriz Amélia Rey Colaço tornou-se, por sua vez, a principal figura do teatro português do século XX e a sua filha, Mariana Rey Monteiro, uma das grandes  actrizes de então.

Jorge Colaço teve uma vida intensa a todos os níveis. Foi um dos fundadores da Sociedade Nacional de Belas Artes onde organizou inúmeras exposições, tendo recebido muitas condecorações e prémios.

 

Prestígio e obscuridade

O mestre, como era conhecido no seu tempo, conheceu um grande prestígio em vida mas, ao morrer em 1942, com 74 anos, a sua obra conhece uma certa obscuridade durante meio século. 

Os últimos anos foram-lhe complexos. As encomendas começam a rarear, a doença espreita-o. A sua célebre  moradia da Estrada da Luz, local de tertúlias de gerações de artistas, é vendida.

Diversos historiadores tratam de denegredir, nos Anos 60 e 70, a sua obra classificando-a de decorativa e turística; outros ligam-no ao Estado-Novo. Inúmeros painéis correm então o risco de perder-se por vandalismo, falta de conservação e demolições. A Fundação Gulbenkian e a Caixa Geral de Depósitos salvam “in extremis” diversas obras que entregam ao Museu do Azulejo.

A redescoberta da sua obra deve-se principalmente a Cláudia Emanuel, investigadora que realiza um longo trabalho culminado numa tese de doutoramento.

O Museu Nacional do Azulejo restaura os painéis de Jorge Colaço por doação e compra parte do seu espólio.  

Os 150 anos do nascimento do pintor, que se assinalam actualmente, são objecto de diversas exposições e conferências. O Museu da Cidade de Lisboa abre uma pequena antologia, o Museu de Cerâmica de Sacavém organiza uma conferência, e o Museu do Azulejo uma retrospectiva.

Na Madre de Deus podemos observar inúmeros painéis de Jorge Colaço, assim como pinturas, desenhos e caricaturas. A sua obra  renasce, tal como ele fez renascer a arte do azulejo.

 

António Brás

 

Notas soltas

 

Últimos anos 

“O Jorge tem algum trabalho, muito mal pago – mas pior seria não ter nada. A Irene alugou-nos esta casa, e ampara-nos imenso, como óptima irmã que é” -  Carta de Branca de Gonta Colaço, 1940. 

“Foi muito grande o nosso choque e muita sincera a nossa dor. Morrera Jorge Colaço! Primeiro chorei a dor de Branca. Como eles se amaram! Foi um casal de artistas que afinou perfeitamente bem… Pairavam ambos acima das mesquinharias da terra. 

Admirei sempre o talento de Jorge, a sua finura, a sua graça, mas sobretudo a sua bondade!”

Branca de Gonta Colaço, “correspondência com Maróquina Jacobina Rabello”.

 

Branca de Gonta Colaço

A mulher de Jorge Colaço foi uma personalidade de grande relevo na primeira metade do século XX. O seu salão literário era um local de referência pelo incentivo aos mais novos. 

Ela própria deixou-nos uma obra de grande interesse a nível poético, memorialista e teatral. “Auto dos Pharoleiros”, “Memórias da Linha de Cascais”, “Memórias da Marquesa de Rio Maior”, “Matinas” e “Canções do Meio-Dia” são algumas das obras que publicou.

Branca de Gonta Colaço imerge no esquecimento ao morrer, aos 68 anos, em 1945. Recentemente foi publicado o livro “Estrada da Luz - Obra poética e iconográfica de Branca de Gonta Colaço”, organizado e coordenado por Anabela de Campos Salgueiro e Inês da Conceição do Carmo Borges. 

O volume “resgata do duradouro silenciamento consentido a poetisa e a mulher, retirando-a da invisibilidade madrasta do tempo e repondo-a nas letras portuguesas”, escreve o professor António Borges Coelho.

 

A. Brás

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