Museu Keil do Amaral em Viseu

Alfredo Keil do Amaral Foto: A. Fillon

Fonte do Dragão, Queluz Alfredo Keil 1882 Óleo sobre tela Família Keil do Amaral

Caminho de Sintra Alfredo Keil s/d Óleo sobre tela colada em cartão Colecção Joaquim Ladeira Batista

Hesitação, Colares Alfredo Keil 1880 Óleo sobre tela colada em cartão Família Keil do Amaral

Rua de paris, Le Havre Alfredo Keil 1888 Óleo sobre tela colada em cartão Família Keil do Amaral

O Grande Canal, Veneza Alfredo Keil s/d Óleo sobre tela colada em cartão Museu Carlos Machado, Ponta Delgada. Açores

A leitura de uma carta Alfredo Keil 1874 Óleo sobre tela colada em cartão Lisboa, Museu do Chiado

Contemplando o quadro Alfredo Keil 1881 Óleo sobre tela colada em cartão Família Keil do Amaral

Cleyde Cinatti e Alfredo Keil Prova de autor 1877 Albumina montada em cartão Família Keil do Amaral

"Alfredo Keil" Rafael Bordalo Pinheiro in O António Maria

Dividido por temas, o recém-inaugurado museu tem uma excelente retrospectiva sobre a vida e obra do eclético e marcante artista

Ao longo de uma existência curta, nasceu em 1850 e desapareceu em 1907, Alfredo Cristiano Keil diversificou-se por várias áreas – com especial incidência na pintura, no desenho, na fotografia, na composição, na arqueologia, na investigação e no coleccionismo. Detentor de uma profunda sensibilidade, fixou, com paixão, as paisagens campestres e os monumentos portugueses. Na música,  escreveu óperas, algumas representadas em Itália, caso de Dona Branca , Irene e Serrana. A sua composição mais célebre é, no entanto, A Portuguesa, criada quando do Ultimato Inglês, em 1889, e que rapidamente se tornou um símbolo do Partido Republicano, então em ascensão, rotulando Alfredo Keil, a marcha contesta abertamente a monarquia, de simpatizante da nova força política. O artista passou a ser hostilizado, apesar de afirmar que não visara o poder instituído.

1OOO quadros

A obra pictórica de Keil é vaastíssima, englobando mais de um milhar de quadros, baseados na sua observação do quotidiano. Neles sobressaem paisagens de Lisboa, onde vivia, de Colares, onde passava os fins-de-semana, do Zêzere, local de férias, bem como registos de viagens a Nuremberga, Galiza, Normandia e Itália. No seu percurso existem ainda inúmeras cenas de interiores e de naturezas-mortas. Outra das suas facetas  foi a preservação do património. Em artigos e livros, caso de Colecções e Museus de Arte, ainda hoje citada na universidade, denunciou a venda e a destruição de obras fundamentais. Lançou ideias, algumas ainda hoje válidas, para a fundação de museus dedicados à talha e ao azulejo barrocos do século XVII e XVIII, bem como à arte sacra, às iluminuras, e aos manuscritos mais preciosos. Diversos projectos seus acabaram por concretizar-se, caso da transformação do Picadeiro-Real em Museu dos Coches, da musealização da Igreja de são Roque, da abertura ao público do Museu do Tesouro da Sé de Lisboa, e da instituição dos museus do Azulejo e da Música.

As disponibilidades económicas que possuía, herdou considerável fortuna, permitiram-lhe juntar valiosas colecções de arte, caso de pintura e de 370 instrumentos musicais – o maior conjunto existente entre nós.

A pinacoteca dispersou-se. O Museu de Arte Antiga preserva uma pintura flamenga vendida pela filha. O Museu da Música guarda 42 instrumentos portugueses e estrangeiros dos séculos XVII ao XIX.

Ao morrer em Hamburgo, em 1907, Alfredo Keil encontrava-se, no entanto, desiludido, doente, arruinado e esquecido. Três anos depois do seu falecimento, A Portuguesa é escolhia para o Hino Nacional.

O espólio de Alfredo Keil foi guardado, com extremo cuidado, pelos descendentes, alguns dos quais se notabilizaram no nosso panorama cultural. Os seus filhos, Luís e Guida, sobressaíram, por exemplo, como investigador e museólogo nos museus dos Coches e Arte Antiga, o primeiro, pintor e colecionadora a segunda. O neto Francisco foi um dos maiores arquitectos portugueses do século passado, e a mulher, Maria Keil, renovou a azulejaria portuguesa dentro do modernismo. O único filho de ambos, Francisco, conhecido por Pitum, é igualmente arquitecto de renome.

A neta, Leonor Pereira Keil Amaral, destaca-se no bailado clássico em importantes companhias.

O novo e notável museu de Viseu, instalado na Casa da Calçada, solar setecentista recuperado pela edilidade, apresenta-nos 11 salas com o valioso espólio da família Keil, sendo um relevante contributo para a preservação da nossa memória.

António Brás

 

Investimento municipal

Situado na Casa da Calçada, na zona histórica da Cidade-Jardim, o Museu Keil Amaral assume-se como uma viagem pelo percurso de vida de cinco gerações de uma família estreitamente ligada à Arte, em Portugal: os Keil Amaral.

 

O espaço museológico conta a história de treze elementos da família, desde os seus percursos individuais aos coletivos, entre o séc. XIX e o séc. XX, através de um conjunto de obras da sua coleção privada.

 

Peças de alfaiataria, pautas musicais, maquetas, fotografias, mobiliário, ilustrações, azulejos, esculturas, coleções de cerâmica, instrumentos musicais, ourivesaria, armaria e artesanato são algumas das peças que os visitantes vão poder observar no Museu, que pertenceram à família. Um dos membros, Alfredo Keil, foi o autor do hino nacional, outro dos temas de destaque do Museu.

 

Um dos ramos da família Amaral teve origem no distrito de Viseu. Francisco Coelho do Amaral Reis nasceu em Canas de Senhorim, em 1873, e desempenhou relevantes cargos políticos durante a primeira República Portuguesa. Entre eles, Governador Civil e Deputado por Viseu.

 

Leonor Pereira Keil Amaral, nascida em 1973, é bailarina premiada e integrou a Companhia Paulo Ribeiro, entre 1996 e 2014, no Viriato Teatro Municipal.

 

Situado na Calçada da Vigia, artéria confinante com o Adro da Sé, o edifício patrimonial que acolhe este espólio é datado do século XVIII e classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1978. A sua reabilitação teve início no final do ano de 2014. Site do museu.