Museu do Chiado I A Sedução do retrato

Amor e Psyché, Veloso Salgado

Helena Dulac, António Ramalho

Chávena de Chá, Columbano

Viscondessa de Moser, Soares dos Reis

Marquesa de Belas, Lupi

Auto-retrato de Cristino da Silva

Mãe de Souza Martins, oléo de Miguel Lupi

O Museu do Chiado acabou de inaugurar uma exposição, com curadoria de Maria de Aires Silveira e Emília Tavares, onde podemos observar largas dezenas de obras raramente patentes, bem como a ligação entre a pintura, escultura e a fotografia de 1850 a 1916.

Do período romântico destacamos Cristino da Silva, Tomás da Anunciação, Francisco Metrass, José Rodrigues e Vítor Bastos. Temos de destacar o auto-retrato de Cristino da Silva. O pintor tem uma paleta repleta de efeitos aproximando-se do romantismo internacional e anunciando o naturalismo. A sua obra é, por vezes dramática, exprimindo a própria vivência pessoal.

Destacamos, ainda, o celebre retrato da viscondessa de Meneses, uma das obras emblemáticas do género, da autoria de Luís de Meneses.

Da geração seguinte, denominada pré-naturalista, sobressai Miguel Lupi com  o “Retrato da Marquesa de Belas”, revelando de um realismo raro na arte nacional. O pintor foi o retratista das elites do fontismo, embora o esquema de composição seja semelhante aos retratos populares.

No chamado naturalismo destacamos a obra de António Ramalho. Através das suas telas vemos uma genial transposição da natureza para a pintura, dentro de um espaço com plena liberdade e em permanente mudança.Sublinhamos os retratos de Abel Botelho e de Helena Dulac Pinto de Miranda.

A escultura de Soares dos Reis “Viscondessa de Moser”, mármore, reflecte uma ruptura entre o ideal e a forma. A obra marca o início da pré-modernidade nas artes plásticas entre nós.

Columbano, bem representado, é um caso único na nossa pintura, conciliando uma certa modernidade com a influência da escola holandesa e espanola seiscentista. O “Grupo do leão” e o “Retrato de Antero Quental”, obras-primas do artista, são plenas de luz e sombras.

Veloso Salgado traz-nos com Amor e Psyché uma imagem de melancolia, ausência e sofrimento.

A escola portuense encontra-se representada por Artur Loureiro, Marques de Oliveira e Aurélia de Souza. A pintura desta última denominada “No Atelier” mostra um intimismo, uma pintura dentro da pintura, fazendo-nos uma narrativa do seu estado de alma.

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A exposição, aliás excelente, permite fazer um exercício sobre o retrato em Portugal, algo pouco estudado. José Augusto-França publicou o livro O retrato na arte portuguesa, e tentou fazer uma exposição sobre o tema, mas nunca o conseguiu. Durante séculos era tradição de famílias nobres e algumas instituições terem a sua galeria de retratos, frequentemente sem grande qualidade artística. O tempo desfez a maioria dessas galerias, restando certas galerias de instituições, onde destacamos misericórdias, irmandades e algumas instituições. 

 

Relançamento

Diversos Pojectos estão a ser ultimados para o relançamento de um dos museus mais activos e personalizados de Lisboa.

Os responsáveis pelo Museu do Chiado remodernizam o antigo edifício e as suas notáveis colecções de arte. 

A ampliação das instalações devem avançar brevemente. A área será de mil metros, permitindo ao público apreciar a evolução das artes plásticas nacionais de 1850 aos nossos dias. Actualmente a instituição tem um acervo de cerca de 4600 peças. O Museu do Chiado dispõe presentemente de uma área de 300 metros. Isto obriga a desmontar, aquando das exposições temporárias, a quase totalidade do núcleo permanente do museu. O museu tem investido nas mostras de curta duração para revelar ao público os artistas portugueses e europeus dos séculos XIX, XX e XXI. Tal permitiu destacar o trabalho de, entre outros, Columbano, Cristino da Silva, Miguel Lupi, Veloso Salgado, Mario Eloy, Jorge Vieira, Bernardo Marques, Sá Nogueira, Marcelino Vespeira e Sousa Lopes. 

Conservador e sombrio

Após a proclamação da República surgiu, em 1911, o Museu de Arte Contemporânea. O espólio inicial era constítuido por pinturas e esculturas românticas e naturalistas provenientes das colecções do Museu de Arte Antiga. O objectivo era alargar o espaço aos artistas modernistas portugueses e estrageiros. Alguns directores chegaram a adquirir esculturas de Rodin, Bourdelle e Bernard recusando, estranhamente, obras de Monet e Cezanne.

A instituição tornou-se, porém, por critério dos seus responsáveis, conservadora e sombria. A atitude motivou aquando da inauguração da decoração da Brasileira, em 1925, um manifesto assinado por Almada, Bernardo Marques e Eduardo Viana. Nele exigia-se a criação de um verdadeiro Museu de Arte Moderna ou a entrada das novas correntes no velho. Apenas nos anos 40 e 50 haveria uma abertura, óleos de Júlio Resende, Eduardo Viana, Mário Eloy, D`Assumpção, Júlio Pomar, guaches de Vieira da Silva (faltam ainda hoje telas da artista)e Amadeo de Souza Cardoso. 

Em 1959 os modernistas seriam estranhamente relegados para as reservas e substituidos pela pintura académica e oficiosa. Uma década mais tarde surge uma tenue tentativa de integrar o museu no meio artístico português. São adquiridos quadros de Nadir Afonso, Paula Rego (uma obra excepcional), Jorge Martins, António Sena, Fernando Calhau e esculturas de Jorge Vieira. A decadência, porém,  acentuava-se irremediavelmente. A água das chuvas entrava pelos telhados, a humidade tomava conta das paredes, o espólio corria o risco de perder-se. O museu, praticamente estagnado, viria a ser encerrado, em 1987.

 

Incêndio do Chiado

No ano seguinte, o incêndio do Chiado levou a uma retirada das pinturas para o Palácio da Cidadela de Cascais. Neste local permaneceram longos meses, encostadas às paredes das antigas cavalariças sem qualquer protecção. As esculturas foram aos poucos transferidas para Mafra. Decidiu-se, então, repensar o destino das instalações da Rua Ivens e mesmo da própria instituição. José Augusto França defendera anos antes que o espaço fosse apenas dedicado ao período oitocentista. O resto da colecção seria integrada na Fundação de Serralves, na época em organização. Santana Lopes, então secretário de Estado da cultura, decidiu-se pela sua renovação. Na mesma altura decorreu uma exaustiva investigação sobre o património do museu. Parte dele encontrava-se espalhado por ministérios e embaixadas, ou havia desaparecido - como uma preciosa marinha de Silva Porto.

 

Inovadora fase 

A abertura do rebaptizado Museu do Chiado ocorreu  em  1994. O projecto foi do arquitecto francês Jean-Michel Willmotte e a sua execução custou um milhão de contos. Foi o início de uma nova e inovadora fase sob a direcção de Raquel Henriques da Silva. 

Até aos anos 50 existe uma boa representação da arte portuguesa, a partir dai as falhas são constantes. O museu empenhou-se em enriquecer e completar, nas últimas duas décadas, os núcleos do últimos 70 anos. Já existem obras emblemáticas da actividade António Pedro, Júlio Pomar, Fernando Lanhas, Vespeira, Joaquim Rodrigo, Sá Nogueira, Jorge Pinheiro, Lourdes Castro, Helena Almeida, José Pedro Crof e Pedro Cabrita Reis. Das últimas décadas existem instalações de Rui Serra, Miguel Palma, João Tabarra, Ângela Ferreira e João Penalva, bem como vídeos de João Onofre e Vasco Aráujo.

As dezenas de aquisições realizadas nos últimos anos tornaram-se possíveis devido ao apoio do Estado e de mecenas, sendo de destacar diversas doações, caso de desenhos de Bernardo Marques, óleos de Joaquim Rodrigo e depósitos de efectuados por particulares. A ideia é o Museu do Chiado estar para Lisboa, como Serralves está para o Porto. "O museu faz-me lembrar um navio a navegar no alto-mar, já conheceu períodos calmos e de tempestade", afirmava-nos Jorge Vieira na inauguração da sua retrospectiva. 

 

Voltado para o futuro 

Uma das figuras ligadas ao museu, desde 1970, é Margarida Marques Matias. "Na altura havia apenas a directora Maria de Lourdes Bartholo, duas técnicas e cinco guardas. As instalações estavam decadentes e os visitantes rareavam". No final dos anos 70, Margarida Matias tornou-se responsável pela Casa-Museu Anastácio Gonçalves. Preparou a abertura deste museu e o estudo inicial dos seus núcleos de pintura naturalista, porcelana chinesa e do mobiliário português e europeu. 

Finalmente, em 2000, regressou ao Museu do Chiado, onde iniciara a sua carreira. "Encontrei um local voltado para o futuro, cheio de potencialidade e dinamismo", confessa-nos.

Foi então incumbida de estudar as colecções da Casa – Museu Manuel Mendes (nunca aberta ao público e hoje extinta), no Restelo. "Gostei muito deste trabalho, curiosamente algumas das telas são estudos das existentes no museu", destaca-nos. O resultado foi uma exposiçao, na Fundação Mário Soares, de 35 pinturas e esculturas representativas do modernismo entre nós. Curiosamente, em 1996, o Museu do Chiado apresentara uma exposição da colecção de Maria Barroso e Mário Soares composta por 88 óleos, desenhos, aguarelas e esculturas – destacando-se obras de Francisco Smith, António Soares, Carlos Botelho, Pomar e Paula Rego. 

 

Legado Veloso Salgado

A neta do pintor Veloso Salgado, Maria da Conceição, legou ao Museu do Chiado o acervo artístico de avô e de Ferreira Chaves, bem como a todo o recheio das suas casas de Lisboa e Colares.

O Estado recebeu um grande número de óleos, desenhos e documentação relacionado com duas figuras das artes plásticas dos séculos XIX e XX.

Na casa de Lisboa, um dos raros ambientes oitocentistas ainda existentes, predominavam os móveis Império, retratos a óleo da família, prataria, cerâmicas e têxteis.

A casa de Sintra, outrora um hotel, tem igualmente um acervo apreciável.

A casa de Lisboa foi desfeita, a legadora vendera o imóvel antes de morrer, enquanto a de Sintra reverte para o Estado.

Um legado complexo, as artes decorativas foram depositadas num museu do município da Golegã.

António Brás

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