Os Tudors I Esplendor Artístico na Inglaterra Renascentista

1.

Retrato de Elizabeth I de Inglaterra, 1583. Quentin Metsys, o Jovem, (Holandês, 1543–1589.) Óleo sobre tela. Créditos da imagem:Arquivo de fotografias da Galeria Nacional de Siena (Pinacoteca Nazionale di Siena) Colecção Pinacoteca Nazionale di Siena. Com autorização do Ministério do Património e Actividades Culturais, Complexo Museológico da Toscana (Polo Museale della Toscana). Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

2.

Henry VIII, (cerca 1537). Hans Holbein, o Jovem (Alemão, 1497/98-1543). Óleo sobre madeira. Créditos da Imagem: © Museo Nacional Thyssen- Bornemisza, Madrid. Colecção Museo Nacional Thyssen-Bornemisza, Madrid. Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

3.

Edward VI, Rei de Inglaterra, (cerca 1547/50). Atribuído a Guillim Scrots (Flamengo, activo 1537- 1553). Óleo sobre painel. Fotografia: Jamie Woodley. Créditos da imagem: © Compton Verney. Colecção Compton Verney Art Gallery and Park, Warwickshire. Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

4.

Mary I, 1554. Hans Eworth (Flamengo, cerca 1525-1578). Óleo sobre madeira. Créditos da Imagem: © The Society of Antiquaries of London. Colecção Sociedade de Antiquários de Londres. Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

5.

Retrato da Rainha Elizabeth I, (cerca 1592). Marcus Gheeraerts, o Jovem, (Flamengo, 1561-1635/36). Óleo sobre tela. Créditos da Imagem © National Portrait Gallery, Londres. National Portrait Gallery, Londres. Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

6.

O Salmo de Henrique VIII, 1540. Jean Mallard (Francês, activo 1534/1553) O Salmo de Henrique VIII, 1540. Tempera sobre pergaminho. Créditos da Imagem: © British Library Board, 2.A.XVI Colecção British Library Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

7.

Livro de Horas de Mary de Inglaterra, Rainha de França, 1500/1505. Vellum (95 folhas), 38 miniaturas. Fotografia: Bibliothèque municipale de Lyon / Jean-Luc Bouchier. Colecção Bibliothèque Municipale de Lyon. Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

8.

Jóia Heneage (ou armada), (cerca 1595/1600). Nicholas Hilliard (Britânico, (cerca 1547-1619). Ouro esmaltado, diamantes, rubis birmaneses, cristal de rocha, e uma miniatura em velino. Créditos da Imagem: © Victoria and Albert Museum, Londres. Colecção Victoria and Albert Museum, Londres. Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

9.

O Triunfo de Hércules, (cerca 1540). Design atribuído a Raphael (Raffaello Sanzio ou Santi) (italiano, 1483-1520). Lã, seda e fio de metal dourado e prata. Créditos da Imagem: Royal Collection Trust / © Sua Majestade Rainha Isabel II 2022. Colecção Royal Collection Trust. Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

10.

Anjo, 1524/29. Benedetto da Rovezzano (Italiano, 1474-cerca 1554). Bronze fundido. Créditos da Imagem: © Victoria and Albert Museum, Londres. Colecção Victoria and Albert Museum. Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

11.

Têxtil de Mobiliário, (finais do século XV- XVI). Seda e fio metálico. Colecção The Metropolitan Museum of Art, New York, NY. Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

12.

Desenho para um interior com as Armas de Henrique VIII- Whitehall, (cerca 1545). Atribuído a Nicholas Bellin de Modena (Italiano, cerca 1490-1569). Caneta e tinta sobre papel bege. Créditos da Imagem: © RMN-Grand Palais / Art Resource, NY. Colecção Musée du Louvre, Paris. Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

13.

Henrique VIII, (cerca 1540). Atelier de Hans Holbein, o Jovem, (Alemão, 1497/98-1543). Óleo sobre painel. Créditos da Imagem: National Museums Liverpool, Walker Art Gallery. Colecção Walker Art Gallery, National Museums Liverpool, (WAG 1350). Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

14.

Elizabeth I, (cerca 1602). Atribuído a Marcus Gheeraerts, o Jovem, (Flamengo, 1561-1635/36). Óleo sobre tela. Créditos da Imagem ©Hatfield House, Hertfordshire, UK/Bridgeman Images. Colecção Reproduzido com a permissão da Marquêsa de Salisbury, Hatfield House. Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

15.

Abd al-Wahid bin Mas'ood bin Mohammad 'Annouri, 1600. Artista Inglês desconhecido. Óleo sobre painel de carvalho. Créditos da Imagem: © Pesquisa e Colecções Culturais, Universidade de Birmingham. Colecção de Belas Artes e Artes Decorativas do Campus da Universidade de Birmingham, (BIRRC-A0427). Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

16.

Sir Anthony Mildmay, Cavaleiro de Apethorpe, Northamptonshire, (cerca 1590-93). Nicholas Hilliard (Britânico, cerca 1547-1619). Aguarela sobre velino, colocada sobre cartão, montado sobre madeira. Colecção The Cleveland Museum of Art, Adquirido pelo Fundo J. H. Wade (1926.554). Cortesia The Cleveland Museum of Art.

17.

Detalhe de São Paulo Dirigindo a Queima dos Livros Pagãos, de um conjunto de nove peças da Vida de São Paulo, 1539. Desenhado por Pieter Coecke van Aelst (Holandês, 1502-1550); possivelmente tecido sob a direcção de Paulus van Oppenem, (Bruxelas, activo cerca 1510-45) peças da Vida de São Paulo, antes de Setembro de 1539 Lã, seda, prata e fios revestidos de metal dourado. Colecção privada Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

18.

Desenho para uma peça de Fogão de Sala, (cerca 1537/43). Atribuído a Hans Holbein, o Jovem (Alemão, 1497/98-1543). Caneta e tinta preta, com lavagem cinza, azul e vermelha. Créditos da Imagem: © The Trustees of the British Museum. Colecção British Museum, Londres (PD 1854,0708.1). Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

19.

Porcelana chinesa >(1573-cerca 1585), montagens britânicas (cerca 1585). Ewer da Casa Burghley, Lincolnshire. Porcelana em pasta dura, prata dourada. Colecção The Metropolitan Museum of Art, New York, Rogers Fund, 1944 (44.14.2). Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York

20.

Taça com tampa, 1590/91. R W (Britânico). Madrepérola, prata dourada. Colecção The Metropolitan Museum of Art, New York, Oferta de Irwin Untermyer, 1968 (68.141.120a, b). Cortesia The Metropolian Museum of Art, New York.

Inaugurada a 10 de Outubro, a primeira exposição nos Estados Unidos centrada na arte criada durante a dinastia Tudor apresenta mais de 100 pinturas, tapeçarias, esculturas e ainda outras peças das artes decorativas.

Desde a tomada do trono pelo Rei Henrique VII em 1485 até à morte da sua neta Rainha Elizabeth I em 1603, os monarcas ingleses da Casa Real Tudor utilizaram a arte para legitimar e glorificar os seus tumultuosos reinados. Este acontecimento está patente no Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque de 10 de Outubro de 2022 a 8 de Janeiro de 2023. A mostra: “Os Tudors: Esplendor Artístico na Inglaterra Renascentista” destaca a transformação das artes sob o seu domínio através de mais de 100 objectos - incluindo retratos icónicos, tapeçarias espectaculares, manuscritos, esculturas, e armaduras - tanto da colecção do Museu de Nova Iorque, como de espólios internacionais.

A exposição é organizada pelo Metropolitan Museum of Art e pelo Cleveland Museum of Art, em colaboração com os San Francisco Museums of Fine Arts.

Acerca do evento, Max Hollein, Marina Kellen Directora Francesa do Metropolitan Museum of Art. "Esta magnífica exposição traz à vida a impressionante majestade e o drama convincente da dinastia Tudor. Ao examinar o contexto político e social mais vasto em que estes bens sumptuosos foram feitos, como retratos extraordinários, podemos apreciar tanto a sua beleza requintada como obras de arte, com as histórias complexas e muitas vezes turbulentas que contam", disse Max Hollein, director do MET e Marina Kellen Directora da Fundação Francesa do Metropolitan Museum of Art.

A co-curadora da exposição Elizabeth Cleveland, curadora no Departamento de Escultura e Artes Decorativas Europeias do MET, acrescentou: "A sensação de majestade que os Tudors criaram à sua volta foi tão bem-sucedida que, mesmo agora, precisamos de dar um passo atrás e lembrar-nos de quão ténue era realmente a sua reivindicação ao trono e de quantos desafios enfrentaram".

"A literatura inglesa renascentista , particularmente as peças de William Shakespeare, continua a ser mundialmente celebre até aos dias de hoje. Esta exposição dá-nos a oportunidade de apresentar ao público as espantosas artes visuais da época e as formas como tanto os artistas como os mecenas utilizavam as imagens para navegar nas águas traiçoeiras da vida da corte. Em vez de uma história ilustrada da monarquia Tudor, ela oferece um novo olhar sobre as incríveis artes figurativas e decorativas feitas ou adquiridas para a corte", acrescentou ainda o co-curador da exposição Adam Eaker, curador associado no Departamento de Pinturas Europeias do MET.

Visão geral da exposição

A Inglaterra sob a volátil dinastia Tudor era um lar próspero para as artes. Uma comunidade internacional de artistas e mercadores, muitos deles refugiados religiosos de toda a Europa, navegou pelas elevadas exigências dos patronos reais, tendo como pano de fundo a mudança das relações políticas com a Europa continental. As cortes dos Tudor eram verdadeiramente cosmopolitas, ostentando o trabalho de escultores florentinos, pintores alemães, tecelões flamengos, e os melhores armadores, ourives e impressores da Europa, ao mesmo tempo que contribuíam para o surgimento de um estilo distintamente inglês. Esta exposição apresenta obras de arte realizadas sob o patrocínio dos cinco monarcas Tudor: Henrique VII (reinou 1485-1509), Henrique VIII (1509-47), Eduardo VI (1547-53), Mary I (1553-58), e Elizabeth I (1558-1603).

A mostra é organizada tematicamente em cinco secções dentro de um desenho global de exposição, que evoca as longas galerias e aposentos íntimos que definiram a arquitectura do palácio Tudor.

Derivando o seu poder da tomada do trono por Henrique VII em 1485, concluindo as Guerras das Rosas, os cinco monarcas da dinastia Tudor lutaram com crises de legitimidade e sucessão.

A mostra inicia-se com um conjunto de esculturas espectaculares de bronze italiano (reunidas aqui pela primeira vez desde o século XVII) de um túmulo nunca concluído para Henrique VIII na primeira secção da exposição, "Inventar uma Dinastia", mostra como os “Tudors” dedicaram grandes recursos à criação de uma imagem pública como soberanos divinamente ordenados, escorando a sua ténue reivindicação ao trono. Uma série de retratos são apresentados aos visitantes, como os cinco monarcas Tudor; incluídos nesta galeria estão os retratos excepcionais cedidos por instituições internacionais, como a pintura de Hans Holbein, o Retrato de Henrique VIII do Museo Nacional Thyssen Bornemisza, em Madrid e o retrato " de Elizabeth I de Quentin Metsys o Jovem da Pinacoteca Nazionale, em Siena.

A secção seguinte, "Esplendor" evoca os interiores ornamentados de palácios Tudor, cheios de rebocos figurativos, tapeçarias, trabalhos em metal, e imagens com figuras luxuosamente vestidas dos próprios cortesãos. Enquanto monarcas viajavam entre residências, a magnificência do mobiliário portátil era transportada consigo. Ainda nesta galeria estão expostas as tapeçarias tecidas em lãs ricamente tingidas, sedas, e fios metálicos.

Esta secção destaca ainda o gosto dos monarcas Tudor por importações luxuosas do continente, mas também o trabalho de artistas locais e de emigrantes flamengos e franceses recém-chegados. Exemplos expostos incluem o livro pessoal de salmões de Henrique VIII (British Library), com anotações manuscritas do próprio rei; uma mesa rara "Sea-Dog" de fabrico francês com incrustações de mármore italiano (National Trust, Hardwick Hall, The Devonshire Collection) e uma deslumbrante jarra de cristal de rocha montado em ouro com as armas de Henrique VIII e da sua primeira mulher, Katherine de Aragão (Museo delle Cappelle Medicee, peça cedida permanente ao Tesoro di San Lorenzo, Basílica de San Lorenzo, Florença).

A secção "Faces Públicas e Privadas" destaca o domínio do retrato na pintura Tudor e o impacto transformador que Hans Holbein o Jovem (c. 1497-1543) teve no género. Na Inglaterra do século XVI, os retratos registaram estatuto, linhagem, piedade, e filiação política, bem como aparência física. Permitiam que parentes fisicamente distantes se mantivessem em contacto, ou que os reis medissem a atractividade e saúde de potenciais futuros cônjuges. A emergência da miniatura do retrato, destinada a ser segurada na mão ou usada no corpo, aumentou a associação entre retrato e intimidade e o papel do retrato na ponte entre separação geográfica. Os destaques desta secção incluem o retrato de Holbein do falcoeiro real, Robert Cheseman, cedido pelo Mauritshuis, Haia, juntamente com um grupo de retratos do artista da colecção de Sua Majestade a Rainha Isabel II do Castelo de Windsor. Também figura Marcus Gheeraerts, o elegante retrato da aristocrata galesa Ellen Maurice, recentemente adquirido e conservado por Metropolitan Museum of Art.

 

" Linguagens do Ornamento " esta secção destaca como as artes dos Tudor combinaram o clássico, o natural, e o neo-medieval, formando uma estética renascentista exclusivamente inglesa. Tal como outras elites da Europa renascentista, os Tudors estavam interessados no legado artístico da Grécia e Roma antigas, como se viu no capricho clássico da obra “A Apoteose Henrique VIII”, um desenho emprestado pelo Victoria and Albert Museum, Londres. Nas artes decorativas da Inglaterra do século XVI, no entanto, esta tradição clássica foi também frequentemente associada com um novo gosto por motivos do mundo natural. Eles recorriam tanto a convenções antigas de simbolismo floral, como a um novo fascínio pela natureza selvagem como lugar de libertação. As imagens de vinhas e rosas, por exemplo, decoram uma capa de veludo de um luxuoso conjunto de vestes encomendadas por Henrique VII, emprestadas pela província jesuíta britânica. Além disso, as actuações elaboradas da corte e dos torneios coreografados revelaram uma nostalgia da Idade Média - a apropriação astuta do Rei Artur como antepassado lendário por parte dos Tudors. O entrelaçamento de tiras geométricas que evocavam os nós celtas e os manuscritos anglo-saxónicos floresceram em padrões em tudo, desde armaduras a têxteis, como o tapete de mesa Luttrell de cor arrojada da Colecção Burrell em Glasgow.

A exposição termina com "Alegorias e Ícones", uma colecção de representações impressionantes de Elizabeth I, a última monarca Tudor, incluindo os célebres retratos "Ditchley" e "Rainbow", emprestados pela National Portrait Gallery (Londres) e pela Marquesa de Salisbury, respectivamente. A rainha Elizabeth I enfrentando uma enorme pressão como governante não casada, exerceu um controlo apertado sobre a sua imagem. Os seus retratados cuidadosamente examinados baseavam-se nas elaboradas alegorias concebidas pelos poetas da corte para prestar homenagem à rainha e aos seus imensos poderes. Como a Reforma Protestante tinha provocado a destruição ou remoção de imagens religiosas das igrejas inglesas, a maioria dos artistas concentrou-se em investir na monarca - como recentemente proclamada chefe da igreja - com uma autoridade encantada e sagrada. Ao mesmo tempo, os impressores criaram imagens produzidas em massa que celebraram Elizabeth como protectora da causa protestante. A exposição conclui com um retrato, da colecção do museu de Nova Iorque, de Henry Frederick, Príncipe de Gales, uma representação dinâmica da dinastia Stuart que chegou ao trono após a morte de Elizabeth em 1603, dando início a uma nova era de estilos artísticos.

A exposição é da curadoria de Elizabeth Cleland, Curadora no Departamento de Escultura e Artes Decorativas Europeias, e Adam Eaker, Curador Associado no Departamento de Pinturas Europeias. Foi prestado apoio adicional por Sarah Bochicchio, antiga Assistente de Investigação Curatorial no Metropolitan Museum of Art. A montagem da mostra é da Designer de Exposição Sénior, Fabiana Weinberg.

A exposição é acompanhada por um catálogo totalmente ilustrado. Publicado pelo Metropolitan Museum of Art e distribuído pela Yale University Press.

A página web da exposição apresenta quatro vídeos envolventes destacando objectos da exposição. Eles incluem uma demonstração do Astronomicum Caesareum (um manuscrito astrológico usado pela realeza para mapear as estrelas para tomar decisões críticas.

A exposição: “Os Tudors: Esplendor Artístico na Inglaterra Renascentista” representa um acontecimento magnífico sobre os Tudors com retratos notáveis dos monarcas da época do Renascimento em Inglaterra.

A mostra destaca uma ocasião histórica nos reinados dos Tudors, através de peças icónicas, como os retratos de Elizabeth I e de Henrique VII e ainda algumas peças das artes decorativas, que se evidenciaram nessa época.

A exposição destaca também o trabalho notável de alguns mestres artesãos, já que cada um deles estava ligado a um objectivo comum: proporcionar criações artísticas para as famílias reais. Privilegiando a estética e a criatividade, cada um soube encontrar o caminho de acordo com as suas convicções.

Sinceramente desejamos que alguns dos nossos leitores possam visitar a exposição em Nova Iorque!

Esta mostra é uma ocasião única a não perder.

 

Theresa Beco de Lobo