Pronto a Vestir Milão Out./Inv. 2020/21 I Ganhar Batalhas

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Casacos

Cocktail

Vestidos Noite

Escrevo de moda actual, muito depois de vários anos me ter debruçado sobre a História da Moda e de ter colaborado no Museu Nacional do Traje (Lisboa), assim como no Musée de la Mode et du Costume (Palais Galliera) de Paris.

Na minha juventude fui-me apaixonando pelo coleccionismo de botões, fivelas, leques e outros acessórios de moda. A Baronesa de Resende, minha familiar, que muito me acompanhou foi a única pessoa que compreendia este interesse, embora o meu marido, coleccionador de selos, não rejeitasse o “meu vício”, pois ficava boquiaberto quando nas nossas viagens me via correr para os antiquários na busca de bons botões… E foi assim, de botão em botão, que a minha paixão pela moda do traje foi evoluindo. Curiosamente, a primeira apresentação pública dos meus botões teve lugar em Abril de 1974, a qual ainda foi inaugurada pelo Presidente Américo Tomás, que tinha sido colega de um dos meus avôs, ficando muito admirado com os botões e outros acessórios de moda, tais como alfinetes de gravata… Com o vestuário surgiram os complementos e muito gostei de ter marcado ali presença. Dos que estavam na FIL, no mesmo corredor, já faleceram, e acredito que as suas colecções já estarão muito desfalcadas, por serem personalidades que não só já faleceram como foram muito perseguidas, nomeadamente o Dr. Manuel Espírito Santo que possuía uma colecção notabilíssima de pintura e o Sr. Pinto de Magalhães, proprietário de uma colecção de moedas de ouro portuguesas. Este último, até ficou sem nada por ter sido demasiado amigo de um funcionário que tudo lhe devia e soube, sem escrúpulos, servir-se da procuração que o citado banqueiro lhe havia passado. Misérias humanas que constato com muita mágoa.  

A exposição foi muito concorrida e teve lugar no Pavilhão da FIL onde se realizava a Feira de Antiguidades.

Por entre a excitação de uns e o receio de outros, eu virei a página e alimentei, tanto quanto possível, a minha paixão que nasceu em criança em casa da minha tia Teresa, condessa de Tavira e uma senhora notável pela sua grandeza de alma, bondade e a muita estima que me devotava. Com ela comecei a gostar dos botões, das fivelas, dos chapéus que experimentava no sotão da casa apalaçada onde vivia. Porém, a minha felicidade total era quando vínhamos para a sala do piano adornada com excelentes objectos decorativos e pintura de muita qualidade. Mas, experimentar brincos compridos era um “desatino” que muito apreciava.  Nunca foi o chá e os doces que me interessaram. O grande momento era aquele em que descobria o que estava dentro de estojos...

Ora, tem aqui o leitor, o levantar do véu de uma paixão que me acompanha desde criança: a moda, os botões, as fivelas, as sombrinhas, os leques…

Pois bem, neste tempo horrível que toda a Humanidade está a viver, confesso que continuo a evadir o meu espírito, tal como sempre fui - uma sonhadora.

E para contribuir para o esquecimento, nem que seja por instantes, da inquietude em que todos vivemos, digo todos e repito: tenho uma verdadeira paixão pela moda do traje.

Nesta situação de perigo para a saúde pública, pobres e ricos, sofremos as mesmas ansiedades, a falta de liberdade, o receio do que está para vir… Pela minha parte, tanto desejo a paz e a saúde  para os ricos como para os pobres. Todos somos filhos de Deus. Esta é a minha convicção. Mas, contemplar os meus leques, mexer nos meus botões, nos lenços de rendas finas, nas luvas dos. Séc. XVIII e XIX, constituem um escape para as minhas angustias.

Analisei a moda de Pronto-a-Vestir de Milão, aquela que infelizmente trouxe muitos chineses que nos deixaram o “presente” do COVID 19, sem qualquer respeito pelos europeus. E, precisamente por isso, desde que a Moda & Moda existe é a primeira vez que abro uma temporada com Pronto a Vestir. Mas, os desfiles da Alta Costura, da minha total paixão, não se realizaram...  Faço-o com a alma magoada.

Não sou médica, o meu marido que foi um excelente clínico que faleceu prematuramente. Nem 50 anos cumpriu. Nunca o esqueço, mas ele que foi um grande obreiro da fundação desta revista, estará no céu, a ajudar-me a superar esta fase tão difícil. Prometo as meus fiéis leitores que vou continuar.

Vou continuar a trazer a estas páginas a nata do que a Moda do Vestuário for oferecendo. Convosco, deixo-vos um apontamento de casacos, “tailleurs”, vestidos de dia e de noite, para o próximo Inverno 2020/21 e abro com a Moda Italiana precisamente a primeira que é apresentada aos compradores.

É evidente que nesta moda não existem botões, primorosamente pintados ou com passamanarias de grande lavor.

Espero que as leitoras apreciem os modelos que apresento, pois a selecção foi feita com todo o meu habitual rigor.

 

Nas horas certas aqui estaremos para vos animar e despertar para o que de melhor formos conseguindo trazer para vós.

 

Marionela Gusmão

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