Baixo-relevo em três painéis relacionados com o fabrico dos perfumes: 1. Recolha das pétalas das flores 2. Maceração das pétalas 3. Transporte de um cântaro com perfume. Este trabalho deve-se a René Lalique.

Raríssima e valiosa peça porta-perfumes, em prata filigranada sobre base (modelo em pêra), do século XVI. Trabalho da Europa Central.

Raríssima e valiosa peça porta-perfumes, em prata filigranada sobre base (modelo em pêra), do século XVI. Trabalho da Europa Central.

Frasco de perfumes em prata e granadas com 4 divisões. Trabalho séc. XVII. Alemanha ou Áustria.

Frasco de perfumes em prata e granadas com 4 divisões. Trabalho séc. XVII. Alemanha ou Áustria.

Frasco de perfumes em metal, com decoração esmaltada. Tem três divisões. Inícios do séc. XVIII.

Frasco de perfumes em metal, com decoração esmaltada. Tem três divisões. Inícios do séc. XVIII.

Frasco de perfume em ágata, guarnecido a ouro, com um anjo de cada face. Tampa em ouro. Inícios do séc. XVIII. Estojo em pele de cação.

Pequeno frasco em cristal. Estojo em tartaruga embutida com minuciosos desenhos em ouro e prata. Séc. XVIII

Pequeno frasco em cristal dentro de estojo de madrepérola com motivos musicais- Séc. XVIII.

Pequeno frasco em cristal dentro de estojo de madrepérola com motivos musicais- Séc. XVIII.

Frasco de perfume, em prata, com motivos naturalistas. Finais do séc. XVIII.

Frasco em cristal de rocha com sais perfumados. Estojo em pele. Inícios do séc. XIX

Frasco em cristal de rocha com sais perfumados. Estojo em pele. Inícios do séc. XIX

Chifre transformado em porta-perfume com tampa em prata dourada e corais embutidos. Tem uma argola para pendurar no dedo mínimo – uma grande moda das elegantes do 1º. Quartel do séc. XIX.

Estojo em madeira pintada com motivos românticos. 1º. Quartel séc XIX.

Estojo porta-perfumes em marfim, ouro e bouquet central. 1.º. Quartel do séc. XIX.

Frasco de gotas perfumadas de violeta. Guerlain Parfumeurs - Paris

Frasco de gotas perfumadas de violeta. Guerlain Parfumeurs - Paris

Dois pequenos frascos de cristal em ponta de diamante com tampas de prata. Inglaterra. Séc. XIX

Dois frascos em resina perfumada – França. Séc. XIX

Frasquinho pendente com dois grifos em metal. Séc.XIX

Pequeno frasco em prata inglesa indicado para usar na carteira de noite.

Pequeno frasco em prata inglesa indicado para usar na carteira de noite.

Caixinha para usar na carteira, com duas ágatas. Finais do séc. XIX

Frasquinho porta-perfumes em ouro e ágata. Finais do séc. XIX

Três ninfas a brincar com os aromas. Assinado René Lallique . Cerca de 1900

Diz a lenda que uma gota de sangue de Vénus e um beijo do seu filho deram à rosa o perfume e a beleza. A partir daqui tudo são perguntas: Quando é que o homem se deu conta da existência dos perfumes à sua volta? Qual foi a finalidade do uso das substância aromáticas

Diz a lenda que uma gota de sangue de Vénus e um beijo do seu filho deram à rosa o perfume e a beleza. A partir daqui tudo são perguntas: Quando é que o homem se deu conta da existência dos perfumes à sua volta? Qual foi a finalidade do uso das substância aromáticas? 

Desde o inconsciente despertar do olfacto, como nasceu no homem a necessidade de se perfumar?

Hoje, quando entramos num grande armazém, em qualquer capital do mundo, várias marcas de perfumes têm aromas para todos os gostos. Mas, como se chegou ao segredo das suas fragrâncias?

A resposta é simples. Foi cada “nez” ,de cada marca, o responsável por aquele mundo maravilhoso e atraente.

Diz-se que Adónis, transformado em rosa branca foi acariciado por Vénus; um espinho feriu a deusa e o sangue destilado pela picada de um espinho do seu caule, converteu a rosa branca em vermelha.

Nicole Busselinger escreveu: Perfume, beleza, amor, as palavras vinculadas a todas as civilizações, uma velha história de mais de quatro mil anos. Um livro maravilhoso que entrou no nosso coração.

Como nasceu no homem a necessidade de se perfumar? A resposta é muito complexa, já que não se trata apenas de um desejo de requinte mas acima de tudo porque representa o poder de sedução que se lhe atribui, sem dúvida, implicitamente vinculado à exigência, talvez inconsciente, já que o perfume, evocador poderoso de sensações de imagens ocultas nas recordações, forma parte de cada um de nós.

O perfume, não só entrou totalmente nos nossos hábitos, como se converteu num complemento indispensável, no prolongamento invisível que vai à nossa frente e nos persegue, mas também, uma parte importante da nossa personalidade e carácter segundo o lugar, as circunstâncias e o humor.  

                                                                                                                                               

Na realidade, há cerca de 50 Anos que venho estando presente nos lançamentos das grandes marcas de perfumes, seja em Paris, Roma, Milão ou até Barcelona e, por isso, cheguei à conclusão  que a perfumaria é uma arte, enquanto a pintura nos leva a deleitar a vista, os perfumes tem um objectivo único e exclusivo: deleitar o olfacto. No entanto, o perfume é subtil e a sua frescura, intensidade e vigor são efémeros.

O uso dos perfumes jamais foi compreendido e apreciado a não ser pelos povos requintados e delicados, daí a subtileza utilizada pelos egípcios, gregos, hebreus, assírios, romanos, árabes e, finalmente, os europeus.

Há cheiros que despertam os sentidos e outros que os acalmam. Os perfumes partilham com os sons, as recordações do passado. Esta maravilhosa propriedade não passou inadvertida aos poetas, pode dizer-se que o perfume tem representado o papel preponderante na obra de alguns escritores.

Em 1900 quando se deu o momento decisivo da moda e do comercio, os perfumes tiveram um desenvolvimento jamais visto, mas, a primeira guerra mundial e o tecido social reduzido e já agonizante, levou à sua redução.

O perfume adapta-se ao seu tempo e reflecte-o.  A este propósito, Nicole Busselinger, uma egípcia casada com o director geral da Guerlain  escreveu: O perfume como a moda é uma linguagem, um fenómeno cultural, sentido, através do qual os seres humanos hoje mais que ontem, se representam, expressam nos actos, uma época da fantasia e de imaginação.  

                                                                                                                                                         

A nossa revista tem mantido quatro décadas da sua paixão pelos perfumes. Agora, passamos em voo de pássaro pelos frascos de perfume da Antiguidade na Grécia e em Roma. Nesse tempo os óleos perfumados da Antiguidade Clássica limitavam-se à mistura de substâncias odorificantes, tais como o azeite, os óleos de miolo de amêndoa ou sementes  de sésamo.

 A destilação, proposta cerca do primeiro século da nossa era, foi-nos oferecendo receitas preciosas em especial por Teofraste, nos séculos terceiro e quarto a.C., por Discórido -  no período Antigo.

Na produção dos perfumes, a parte líquida (sucus) e a essência (corpus), a primeira era então uma espécie de óleo e a segunda a que continha o cheiro.

Todos os perfumes tornam-se mais penetrantes conforme a adição de mirra ou açafrão. Numerosas cidades tinham adquirido um titulo nas indústria dos perfumes.

Com a evolução dos tempos, os alabastros coríntios, em terracota, iam alcançando grande projecção, mas temos de passar pela unguentária romana. Ao chegarmos ao Islão, os perfumes com cheiros fortes, até alcançarmos os frascos em vidro claro esmaltado, do próximo Oriente.

Ora como este artigo é sobre frascos vamos deixar o “brule parfum” conhecido por “comande”, afinal uma jóia esférica destinada a conter uma orla de cheiro.  

            

Escrever sobre perfumes sem citar a Guerlain, é como comer pão sem sal. 

A Imperatriz Eugénia a quem os franceses muito devem, foi sempre motivo de grande inveja, mas foi ela que estimulou e desenvolveu as indústria de luxo e se interessou particularmente pelas composições da Guerlain. Em 1853, a Guerlain criou um perfume especialmente criado para a imperatriz: “Eau de Cologne Impérial” que se vende ainda hoje nos seu esplêndido frasco com as abelhas, o qual mereceu uma carta do ministério da casa imperial que dizia o seguinte: “ O Imperador Napoleão, teceu elogiosos testemunhos acerca da moralidade do Sr. Guerlain, perfumista, residente em Paris na rue de La Paix 15, assim como adquiriu uma excelente reputação na sua profissão o que lhe outorgou um sinal particular de estima e protecção, elegendo-o com o titulo de “provedor da Imperatriz”. 

No espaço de que dispomos para este artigo é impossível descrever todos os aromas que temos usado, quer da nossa família, quer de nós próprios.

Frascos de perfumes ou outros utensílios para o mesmo efeito.

 Como se pode apreciar nas imagens que apresentamos, todas elas de uma coleccionadora particular a quem alguns membros da sua família a foi presenteando, há um requinte especial nas embalagens que envolvem os próprios frascos de vidro, há um amor desmedido pelas peças que têm longos passados, há muita arte em cada frasco.  

Ao ler as Memórias de Madame de Rémusat, fica-se a saber que Napoleão III, consumia cerca de sessenta frascos por mês!

Aconselhamos  a leitura de Balzac, personagem de grande imaginação, autor da obra “César Birotteau”.

Por acaso, sabem as revistas da actualidade que vivem da publicidade, o que devem a Finot? No que diz respeito aos perfumantes, foi Finot, em 1840 , que demonstrou que a imprensa é uma arma poderosa para publicitar os produtos que fazem parte dos sonhos das mulheres e dos homens. No entanto, nos inícios do séc. XIX já outras empresas tinham contribuído para alargar a comercialização. Naquilo que começa a ser um mercado no moderno sentido do termo, surgiram os nomes de Pinaud, Gellé Freres em 1826; e em 1828, Pierre-François-Pascal Guerlain, jovem médico-químico e antigo empregado de Houbigant,que se instalou na Rue de Rivoli; em 1840, apareceram Bourjois, Molinard, Worth, Roger et Gallet, sucessores de Jean-Marie Farina. Os perfumistas parisienses reinavam no mundo inteiro e mesmo depois dos descobrimentos da química moderna, falamos de 1876 e da produção dos perfumes sintéticos, ainda foi preciso muito para chegarmos aos grandes momentos da Alta Perfumaria da Guerlain.

Este pequeno texto tem por objectivo mostrar onde eram transportados os melhores perfumes, especialmente quando as mulheres elegantes e requintadas iam às grandes festas em Paris e outras grandes cidades europeias.

A oportunidade de contemplar alguns frascos de museus do grande mundo, como os de Paris ou de S. Petersburg´, é uma bênção de Deus que fica na nossa memória para sempre. Mas, estes que ilustram este texto, merecem aplausos e muito cuidado porque a sua fragilidade é enorme.

 

Marionela Gusmão 

Alicia Navarro Papadopoulos - Miss Espanha 1935

Alicia Papadopoulos

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Frasco oferecido por Aga Khan, em 1935, quando Alicia foi eleita miss Espanha.

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Frasco oferecido por Aga Khan, em 1935, quando Alicia foi eleita miss Espanha.

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Frasco oferecido por Aga Khan, em 1935, quando Alicia foi eleita miss Espanha.

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Frasco oferecido por Aga Khan, em 1935, quando Alicia foi eleita miss Espanha.

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Frasco oferecido por Aga Khan, em 1935, quando Alicia foi eleita miss Espanha.

A minha saudosa Alicia Papadopoulos, uma grande amiga que me abriu em Paris,na Rue François Ier, as portas das sua casa, já que era amiga da minha mãe e de Elena Baccardi.

A minha Alicia foi baptizada com o nome de Alicia Navarro Cambronero, na terra do seu nascimento em Tenerife (Canárias), terra onde também foi eleita sua Miss em 22 e Abril de 1935, seguida da nomeação de Miss Espanha a 5 de Maio do mesmo ano. 

A  minha querida Alicia ainda virá a esta revista para falar dela com o coração aberto e cheio da gratidão que ele sempre me mereceu.

Por agora, vem a este artigo pela sua generosidade e estar sempre ao meu lado e ter ocupado o lugar de primeira de correspondente da Moda & Moda, representando a nossa/vossa revista desde o ano de 1984, isto é, há 37 anos. 

Com uma beleza muito sua, Alicia cedo casou com um senhor das Canárias, advogado em Cuba onde tinha relacionamentos comerciais com as mais altas personalidades da vida empresarial, pois nesse tempo havia um movimento enorme com os charutos, os quais ainda hoje são conhecidos por havanos.

A casa onde a Alicia habitava era fabulosa. Os seus dois filhos nasceram em Cuba e Fidel de Castro até  a ajudou a sair com as suas jóias.

O marido apesar de ter casado com a mulher mais elegante e bonita, além de ser super simpática, não resistiu ao defeito machista de ter um caso extra conjugal com a sua secretária.

Na hora de abandonar Cuba, o Dr. Camacho partiu com a sua nova companhia e Alicia com a sua filha Alicita, as quais vieram viver para o Hotel George V, em Paris, cidade onde a filha fez os seus estudos, concretamente na Sorbonne.  

Entre Alícia e o Dr. Camacho nada más hubo para allá de un triste recuerdo.

“Para mi, Alicia há sido más que una madre y todo lo hacia por mi. En su perdida, casi al mismo tiempo que mi marido fué para el cielo, yo me quede fuerte, como siempre he sido, pero com un dolor de alma que  ni  se como consegui llevar por delante la Moda & Moda que los dos tanto tenian em el corazón.” 

Não escrever de Alicia  não é porque a tenha esquecido. Está para sempre no meu coração. O frasco que o Aga Khan lhe ofereceu é uma pequena homenagem que lhe presto.

Marionela Gusmão

Perfumes na Idade Moderna