MET GALA I Um Léxico da Moda

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A revista Moda e Moda todos os anos em Maio, está presente no MET GALA, um dos importantes acontecimentos num dos museus mais notáveis do mundo, onde esta instituição de arte se transforma numa noite de chuva de estrelas. O Baile de Gala Anual, Met Gala, do Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque é um dos eventos com mais sucesso no Mundo da Moda, já que reúne Celebridades, Estrelas de Hollywood, Jornalistas e Estilistas, num cenário de glamour e brilho, que marca a inauguração de uma mostra de moda. Este ano o tema da exposição é uma homenagem à “Moda Americana.”

O evento é presidido por Anna Wintour, editora-chefe da Vogue na América. A festa destaca-se pelos vestidos extravagantes que as celebridades usam, como se fosse uma passagem de modelos. Nesta gala, só se regista Elegância, Charme e a  Sensualidade Estonteante das Estrelas.

Após o seu cancelamento em 2020 e o seu atraso de Maio até Setembro, o mais elegante de todos os eventos de tapete vermelho, a Met  esteve de volta a todo o vapor e foi remarcada para a “New York Fashion Week”.

Este ano o tema da mostra, foi: “Na América: Um Léxico da Moda”, que abriu ao público a 18 de Setembro de 2021 e uma segunda parte da exposição, "Em América: Uma Antologia de Moda", que abrirá em Maio de 2022.

A primeira parte centrar-se-à nos estilistas mais relevantes e talentosos da actualidade, concentrando-se no génio criativo emergente que está a redefinir a moda americana para os dias de hoje o que marca o 75º aniversário do “Costume Institute”. A segunda exposição mostrará designers e eventos culturais que retratarão épocas diferentes na moda americana. Mas a noite de 13 de Setembro de 2021 foi tudo sobre os estilos e diferentes interpretações de celebridades da moda americana que passaram de cores patrióticas de vermelho, branco e azul a estrelas para o vestuário e jóias. Os temas ocidentais também estiveram em pleno vigor, assim como os looks inspirados no desporto americano. O antigo glamour de Hollywood foi também destacado para uma nova geração. Havia também os olhares mais submissos que retratavam a América, como uma diversidade de culturas, que os Estados Unidos da América sempre representaram.

A mostra, “Na América: Um Léxico da Moda”, introduziu temas de alegria, rebelião e nostalgia – sentimentos que se reflectiram na imensidade do vestuário, dos cabelos e das maquilhagens dessa noite.

Viu-se de tudo na passadeira vermelha do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, desde a máscara preta de Kim Kardashian da cabeça aos pés, à homenagem de Billie Eilish a Marylin Monroe, passando pelos três looks de Lil Nas X.

As estrelas voltaram a pisar a passadeira vermelha mais excêntrica do mundo da moda: - o Met Gala. Aqui não há regras e os convidados vestiram-se a rigor para a angariação de fundos da exposição “O léxico da moda”, do Costume Institute, do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque. Numa passadeira vermelha heterogénea, as celebridades cumpriram o propósito de celebrar a moda norte-americana.

Como de costume, a anfitriã foi Anna Wintour, a editora-chefe da Vogue norte-americana, que chegou vestida por Oscar de La Renta. A inauguração da nova exposição do Costume Institute ficou a cargo de Billie Eilish, Timothée Chalamet, Naomi Osaka e Amanda Gorman. A cantora Billie Eilish foi uma das estrelas da passadeira vermelha, com uma réplica ao vestido que Marylin Monroe, que ela  vestiu nos Óscares de 1951, assinado por Oscar de La Renta.

Não é comum ver Billie Eilish em coordenados tão femininos (excepto quando foi capa da revista Vogue), mas a artista terá querido precisamente prestar tributo a uma mulher que tanto contribuiu para a cultura americana e, segundo o que disse a editora da revista Vogue, Dena Giannini: “o coordenado já estava planeado ainda antes da pandemia cancelar a gala do ano passado. Ela sempre sonhou com um vestido de baile ─ particularmente algo com um corpete, graças ao seu amor pelas Barbies, enquanto crescia”. Apesar de parecer um vestido pesado, a criação era muito leve. Todo o coordenado foi complementado com 30 peças de joalharia Cartier, incluindo 25 anéis.

Beckett Fogg e Piotrek Panszczyk da Area desenharam o vestido três-em-um da ginasta Simone Biles. A criação de 40 quilos era feita de três partes, uma saia feita à mão com cristais Swarovski, um minivestido por baixo também em cristais e um fato de ginasta repleto que se assemelhava a um céu estrelado. A ideia de performance era importante para a estreia da atleta no Met Gala e, por isso, a criação contou também com a marca de desporto Athleta.

A inspiração para este projecto foi a célebre artista de music-hall, dos anos 1920, Josephine Baker, a primeira mulher negra a entrar numa grande produção cinematográfica, que usou o seu poder de estrela para dar a voz pelos direitos civis. Os criadores da Area fizeram uma analogia da história da artista com o percurso de Simone Biles.

Foram precisas mais de 100 pessoas, num trabalho manual de 6650 horas, para realizar a saia de Biles, que ficou concluída “perto das 4 da manhã” da véspera da gala, contou, Piotrek Panszczyk, à Vogue. Simone Biles aproveitou a criação para deixar uma mensagem a todas as jovens: “Quero dizer a todas as meninas que podemos ser duras em qualquer desporto que queiramos e podemos ser fortes. Não precisamos ser só atletas para nos evidenciar, temos que pensar, que no fim de tudo, somos simplesmente pessoas.”

Também Naomi Osaka quis passar uma mensagem com a criação que usou ─ a importância de valorizarmos as nossas origens. O vestido em jacquard colorido, cetim e seda foi idealizado por Nicolas Ghesquière da Louis Vuitton. O padrão foi desenhado pela irmã de Osaka e é inspirado na “carpa”, um símbolo da cultura japonesa. A ideia foi celebrar e conciliar as duas culturas, americanas e japonesa, destacando a herança bi-racial da tenista.

O rapper Kanye West desenhou o look de Kim Kardashian, em parceria com a Balenciaga, de Demna Gvasalia, para o Met Gala. O resultado foi uma criação minimalista, sem descurar o glamour que caracteriza a estrela de Kepping Up The Kardashians ─ uma máscara preta da cabeça aos pés, com uma longa cauda.

Apesar de inicialmente ter gerado incerteza sobre quem se trataria, a forma do corpo da empresária não deixou margem para dúvida. A ex-mulher de West foi acompanhada na passadeira vermelha por Demna Gvasalia, o designer da Balenciaga. Inicialmente pensou-se que o vulto, também vestido de preto da cabeça aos pés, seria Kanye West.

Se Kim Kardashian se cobriu inteiramente, a irmã Kendall Jenner usou um vestido transparente da Givenchy, coberto de cristais, inspirado em Audrey Hepburn, no filme My Fair Lady. Jenner não foi a única a apostar em transparências, também Irina Shayk, em Moschino, desfilou com vestido transparente, adornado com flores e fez-se acompanhar do criador Jeremy Scott.

Já o coordenado do rapper Lil Nas X assemelhou-se a uma matrioska, onde a cada instante se iam descobrindo novas camadas na criação de Donatella Versace. Ao chegar à gala, o artista usava uma capa gigante dourada, que, depois, revelava uma armadura, como se estivesse pronto para lutar. Por fim, o cantor de Montero (Call me by your name) revelou um fato de corpo inteiro coberto em cristais dourados, com o clássico padrão da Versace.

E porque a moda é uma das formas mais antigas de passar uma mensagem política, a congressista Alexandria Ocasio-Cortez desfilou na passadeira vermelha com vestido que dizia Tax the Rich (“taxem os ricos”), uma criação da Brother Vellies. Por momentos, o vestido lembra o casaco que Melania Trump , que usou com a frase “não quero saber", em 2018. Muitos criticaram a democrata por ter usado o vestido precisamente num evento tão especial. Na legenda de uma fotografia no Instagram, Ocasio-Cortez explicou que os congressistas eleitos por Nova Iorque são convidados para a gala e faz parte das suas responsabilidades “supervisionar as instituições culturais que servem o público”.

Na passadeira vermelha do Met Gala houve espaço para tudo, o fato de treino de Timothée Chalamet, o casaco de Inverno de Rihanna e o chapéu de cowboy de Jennifer Lopez.

As jóias iluminavam a noite como estrelas brilhantes no céu - com diamantes em abundância numa variedade de olhares que acessorizavam os vestidos na perfeição. Rubis e safiras também fizeram uma aparição, assim como estilos vintage.

 

A Exposição

O MET Gala 2021, formalmente chamado de Costume Institute Gala e também conhecido como Met Ball, o baile que tem o intuito de angariar fundos para o Costume Institute do MET, além de servir como uma festa de abertura da exposição anual de moda do museu.

Para este ano, os curadores e directores, ao lado de Anna Wintour, aprofundaram o tema dedicado à Alta-Costura e ao Pronto a Vestir. “É provavelmente uma das maiores exibições que nós já fizemos”, afirmou Max Hollein, director do museu de Nova Iorque.

Esta festa é quase como um Super Bowl da moda ou a cerimónia de óscares que consegue reunir numa passadeira vermelha algumas das celebridades mais icónicas, de áreas como o cinema e a moda.

A angariação de fundos fornece ao The Costume Institute a sua principal fonte de financiamento anual para exposições, publicações, aquisições, transacções, e melhoramentos do museu.

Timothée Chalamet, Billie Eilish, Amanda Gorman, e Naomi Osaka serviram como co-presidentes para a gala de Setembro. Os lugares de honra para essa noite foram atribuídos a Tom Ford, Adam Mosseri, e Anna Wintour.

"A moda é simultaneamente um prenúncio de mudanças culturais e um registo das forças, crenças e eventos que moldam as nossas vidas. Esta exposição em duas partes considera como a moda reflecte noções evolutivas de identidade na América e explora uma multiplicidade de perspectivas através de apresentações, que transmitem uma poderosa imediatez a algumas das complexidades da história. Ao olharmos para o passado através desta lente, podemos considerar a estética e o cultural impacto da moda sobre aspectos históricos da Vida Americana,” disse Max Hollein, director do Metropolitan Museum of Art.

O curador Wendy Yu, responsável pelo Costume Institute, afirmou o seguinte: "A moda americana tem sido tradicionalmente descrita através da linguagem do vestuário desportivo e do pronto-a-vestir, enfatizando princípios de simplicidade, praticidade, funcionalidade e igualitarismo. Geralmente negada a retórica emocional aplicada à moda europeia, a moda americana desenvolveu um vernáculo que tende a sentar-se em oposição directa ao da alta-costura. A primeira parte da mostra aborda este desequilíbrio linguístico apresentando um vocabulário revisto da moda americana com base nas suas qualidades expressivas. A Parte II irá investigar mais aprofundadamente a evolução da linguagem da moda americana através de uma série de colaborações com realizadores de cinema americanos que irão visualizar as histórias inacabadas inerentes às salas de época do Metropolitan Museum of Art".

Visão geral da exposição

Parte I - Na América: Um Léxico da Moda

Esta mostra mais pequena em escala do que a Parte II, apresenta numa das galerias da Anna Wintour do Costume Institute, uma colcha de retalhos, com a assinatura da colecção da Galeria Americana do Metropolitan Museum of Art, iniciada em 1856 por Adeline Harris Sears, e foi feita de pequenos quadrados em forma de diamante assinados por alguns dos americanos mais conhecidos da época, incluindo oito presidentes. Esta peça abre a Parte I da exposição e serve de metáfora para os Estados Unidos e para as suas únicas identidades culturais.

Ao continuar a sua viagem através do resto da exposição, que foi comissariada por Andrew Bolton e celebrada com a Gala de Met, a colcha foi exposta, como princípio organizador do evento.

Nesta secção é apresentada cerca de 100 conjuntos de uma gama diversificada de designers, desde os anos 40 até à actualidade. O vestuário está organizado em 12 secções que exploram as qualidades emocionais definidoras da moda americana. As secções são: "Nostalgia", "Pertencer", "Delícia", "Alegria", "Maravilha", "Afinidade", "Confiança", "Força", "Desejo", "Garantia", “Conforto” e “Consciência”. As roupas individuais reflectem várias expressões destes sentimentos. Por exemplo, na secção "Pertencer", que inclui quatro "camisolas com bandeiras", a versão de Ralph Lauren é representada pela palavra idealismo, Tremaine Emory pela afirmação, Tommy Hilfiger pela solidariedade, e Willy Chavarria pelo isolamento. Um vestido de tafetá de seda de Christopher John Rogers, medindo nove pés de diâmetro, abre a zona "Exuberância", que também inclui um vestido de sereia de Claude Kameni que representa a palavra vitalidade. Na parte "Consciência", que encerra a exposição, com um vestido com missangas dos anos 20 de Tara Subkoff, representando a palavra salvação, e um vestido de tecido de calças de Hillary Taymour para Collina Strada representa a palavra gratidão.

Os designers em destaque incluem nomes dos anos 90, como Isaac Mizrahi (um vestido babydoll, da colecção Primavera/Verão 1994), Calvin Klein, e Donna Karan, assim como artesãos do início do século XX, tais como o fabricante de uniformes Main Bocher e os vestidos arquitectónicos de Charles James dos anos 40 para examinar noções de génio criativo e as tensões entre artista e patrono. Em representação igualitária são os talentos emergentes do momento: Vaquera, Collina Strada, Conner Ives, Christopher John Rogers. Um destaque surpreendente, no centro de uma linha de peças de malha rosa, são dois vestidos contemporâneos da estilista Olivia Cheng, cujo rótulo “Dauphinette” faz uso de flores prensadas envoltas em resina e organza de seda. Mas para além de uma paleta de cores femininas, é difícil compreender como o seu trabalho se relaciona com o volumoso número de peças de  Marc Jacobs e o vestido vintage Anna Sui.

Os dois maiores tópicos de discussão na indústria global da moda neste momento são, sem dúvida, a inclusão da dimensão e a sustentabilidade, sendo este último tema abordado pela sala "Consciência", que incluiu uma série de roupas recicladas e trabalhadas por principiantes, estilistas de moda de rua, e revendedores de vintage. Mas a tentativa de mostrar uma conversa em torno de peças concebidas para pessoas que não usam um tamanho pequeno, especialmente quando a mulher americana média veste entre um tamanho 16 e 18. Podem-se ainda observar três vestidos de cocktail pretos de Christian Siriano, que fizeram parte da final do seu desfile da Primavera de 2018 e aí foram usados modelos de diferentes formas e identidades de género, foram exibidos na mostra, através de um trio de manequins.

A história que esta exposição conta é elegante, mas é apresentada como uma importante lista de vocabulário, é como dizer que as únicas coisas que vale a pena ler são as altas antologias filosóficas, ignorando ao mesmo tempo o discurso que tem lugar em plataformas mais democráticas, como a Internet. O outro material é igualmente essencial - fornece a textura que torna o vestir excitante.

Em homenagem do 75º aniversário do Costume Institute, a exposição decorre durante um ano. Dado este período de tempo sem precedentes, o evento irá evoluir organicamente com rotações e adições para reflectir a vitalidade e diversidade da moda americana.

A Parte II apresentará o vestuário masculino e feminino do século XVIII até à actualidade em caixas instaladas em salas de época seleccionadas. Os interiores apresentam um levantamento de mais de 300 anos da vida doméstica americana e contam uma variedade de histórias - do pessoal ao político, do estilístico ao cultural, e da estética ao ideológico. A exposição reflectirá sobre estas narrativas através de uma série de "quadros estáticos" tridimensionais cinematográficos produzidos em colaboração com notáveis realizadores de cinema americano. Estas “mise-en-scènes” explorarão o papel do vestuário na formação da identidade americana e abordarão as histórias complexas e estratificadas das salas.

Theresa Bêco de Lobo