Esculturas I E os Artistas Portugueses

Escultura em mármore de rapariga jovem levando uma taça dourada à boca. Assinado M. La Veriêu

Escultura em mármore de rapariga jovem levando uma taça dourada à boca. Assinado M. La Veriêu

Paulina Bonaparte, (irmã de Napoleão I) Conhecida como Vénus vencedora. Palácio Borghese, Roma (Réplica em bronze).

Escultura em metal dourado. Mãos e rosto em marfim. A. Carrier Belluse. “Grand prix du salon”.

Escultura em metal dourado. Mãos e rosto em marfim. A. Carrier Belluse. “Grand prix du salon”.

Escultura africana em madeira – colecção Lucien Donnat

As Três Graças erguendo cesto de fruta. Mármore. Séc. XIX

As Três Graças erguendo cesto de fruta. Mármore. Séc. XIX

A escultura feminina segurando taça com uvas. Anos 20. M. La Verieu

A escultura feminina segurando taça com uvas. Anos 20. M. La Verieu

Escultura do Camões

Escultura em mármore. Escola portuguesa. Séc. XIX

Putti – Escultura de menino pedra

Putti – Escultura de menino pedra

A Nossa Senhora com o menino 1968 – Assinada e datada por Fernando Fernandes

Nicki de Saint Phale. Anos 60

Entre os poucos amigos do meu pai com quem tive o gosto de confraternizar, destaco a Beatriz Nery Teixeira, professora de desenho, A Maria Regina, mulher do escultor Fernando Fernandes, o qual em 1968 executou, em porcelana, a Nossa Senhora com o Menino num candeeiro que me ofereceu e que está no meu gabinete de trabalho, em lugar de honra. Esta escultura, com muito movimento, é uma digna representante da sua obra e do seu talento, o qual todos podem apreciar na escultura que se encontra em Lisboa, na Praça de Londres. Lamentavelmente, este valioso trabalho tem sido vítima dos selvagens analfabetos que não respeitam as obras dos nossos artistas. Há muito que não tenho notícias deste mestre, nem sei o paradeiro das filhas. Com o desaparecimento da nossa amiga comum, a Profª. Beatriz Nery Teixeira e a minha ida para fora do país, perdi o rasto da sua mulher Maria Regina e das filhas.

Resta-me a obra que aqui apresento e as memórias de gente boa e sã que conheci em rapariga.

Portugal, em relação à sua população, teve durante muito tempo uma vasta densidade de obras escultóricas, mas o nosso património além de ser vítima da dominação espanhola durante 60 anos, foi sempre sofrendo os ataques dos compradores estrangeiros e então, a seguir ao 25 de Abril de 1974 foi uma verdadeira catástrofe com as famílias endinheiradas a irem para o Brasil e a venderem serviços de  porcelana da Cª. das Índias a tão baixo custo que era fácil adquiri-los nas casas de antiguidades por 2.500$00. Uma tristeza! Pobre país! Às vezes dou comigo a pensar que somos um povo amaldiçoado pelos invejosos que habitam entre nós e pelos que aparecem, sabemos lá de onde…

Nos Anos 50 existiu um grande homem que defendeu as Artes Decorativas com quantas forças e cultura se podem exigir para tal tarefa. Essa personalidade foi o Dr. Ricardo Espírito Santo Silva, mas a sua família continuou muito pouco a sua obra e hoje a Fundação que criou está em constantes sobressaltos.

Tenho conhecimento das dificuldades que a Fundação foi passando e também de que o Dr. Ricardo Salgado e o Dr. José Manuel Espírito Santo, enquanto à frente do BES foram segurando as pontas e ajudando dentro do possível aquela instituição onde tanta gente aprendeu a criar lindas peças de Artes Decorativas. Tomei conhecimento do esforço que a Directora do Museu foi fazendo para manter a Fundação com todo o rigor, mas também compreendo que milagres só acontecem, muito raramente.

Vejo peças de mobiliário da Fundação em leilões o que não traduz grande prosperidade e dói-me a alma porque sei ler o que isso significa.

O texto acima escrito não é um grito mas uma dor de alma. Conheci muita daquela família. Gente boa, generosa, como o pai do Dr. José Manuel Espírito Santo. Viveram em Cascais, mas não me atrevo a incomodá-los. Imagino que o que mais querem é paz e descanso, pois foram muito perseguidos pelos invejosos que avultam no nosso querido Portugal.

 

Este trabalho é a minha proposta para um melhor conhecimento da escultura em Portugal.

Porém, infelizmente, cada vez há menos. Recordo-me muito bem da escultura de D. João VI, um rei que nem sequer foi muito da minha simpatia, mas porque estava no átrio da entrada do Hospital da Marinha, onde o meu marido exerceu Medicina, já que entrou por concurso para médico militar naval e ali trabalhou. Nunca achei a estátua muito bonita, mas o modelo também não ajudava grande coisa. Com muita mais qualidade são,  na nossa opinião algumas estátuas que adornam a entrada do exterior do Palácio Nacional da Ajuda.

Ainda em relação com a estátua e o Hospital da Marinha, vendido sem mais explicações, muito gostava de saber o que aconteceu à escultura que representava D. João VI? Foi vendida no pacote do edifício? Já nada me admira!

Há desgraças em Portugal que nunca se conseguem corrigir. Vi muitas esculturas de mármore, de norte a sul do país, a rematar frontarias de prédios, lá no alto de varandins e/ou em “peanhas”. Sempre protestei por me aperceber que mais dia menos dia aquelas figuras seriam vendidas a patacos. Infelizmente, não me enganei.

Talvez por ter fortes ligações à escultura pelo facto de ser filha de um artista que tinha um grande talento, lamentarei sempre que o tenha ido desperdiçar em Espanha. Não tenho nada contra os espanhóis, mas nunca concordei que o meu pai tivesse optado por viver num país que não era o seu. Além do mais, nunca percebi a razão dessa ida para Espanha, a qual lamento profundamente. O resultado desta gracinha é que todos os meus sobrinhos têm nacionalidade espanhola…

Mas, o orgulho em ser portuguesa nunca me deixou prender a Espanha. Naquelas terras do D. Quixote, para mim, só de passagem…

Nem sequer gosto daquelas praias…Tenho um grande apreço e muita estima pelos meus familiares que são muitos. “Guzmán es de una punta a otra, en Andalucia”… Y somos una família muy unida a quien tengo una profunda amistad.

Porém, este texto refere-se a esculturas, uma arte em que Espanha é um país muito fértil.

Obviamente que este texto é sobre a escultura em Portugal e o que aqui publicamos é mais estrangeiro que português, especialmente de França, um país onde a arte conhece muitos esplendores.

As obras reunidas nesta recolha baseia-se numa colecção privada de peças decorativas.

Deixamos aos nossos leitores a tarefa de as amar como nós.

 

Marionela Gusmão