Egas Moniz I Medicina, Cultura e Nobel

Casa do Marinheiro, hoje museu

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Egas Moniz retratado por Henrique Medina

Pintura de Falcão Trigoso

Par de potes de farmácia em faiança portuguesa. Séc. XX

A Casa-Museu Egas Moniz conhece actualmente uma nova fase, tendo sido objecto de grandes obras para preservar o seu incalculável acervo.

Instituída por testamento de António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz, abriu ao público em 1968. Nela podemos observar a actividade científica do médico, mas também a de coleccionador através dos objectos de arte que reuniu.

O imóvel, denominado “Casa do Marinheiro”, encontra-se classificado desde 1997 como de interesse público.

O professor nasceu no citado palacete no seio de uma família nobre. Em 1915 a velha edificação ameaçava ruína, pelo que o cientista mandou reconstrui-la e amplia-la, mantendo o seu aspecto de solar rural. Preservaram-se intactos o torreão e a quinta envolvente.

O autor do projecto, Ernesto Korrodi, arquitecto de origem Suiça, desenhou uma das suas obras mais relevantes num estilo entre a "arte-nova” decorativa ou mais vincadamente funcional, e um programa de habitação doméstica, mais tradicional, e com influências da polémica da casa portuguesa", escreveu Lucília Verdelho da Costa numa monografia dedicada ao artista.

No exterior destacam-se os volumes arquitectónicos sublinhados por cantarias e painéis de azulejos de Jorge Colaço e Pereira Cão.

O interior mostra-se de grande equilíbrio e tradição. Os amplos salões são engrandecidos por azulejos, apainelados e tectos de caixotão.

Durante décadas foi utilizada como casa de campo. O professor passava nela a Páscoa, o Natal e, invariavelmente, os meses de Agosto e Setembro, descansando da intensa vida de Lisboa.

“A Casa do Marinheiro tem sido e é o nosso apetecido refúgio das férias, mansão de repouso em que as horas passam na convivência de futilidades, no relato das peripécias da lavoura, nas contrariedades do tempo e nas novidades da vida daqueles que nos cercam”, escreve Egas Moniz no seu livro “A Nossa Casa”.

 

Prémio Nobel

Egas Moniz formou-se em medicina na Universidade de Coimbra, sendo convidado para leccionar as cadeiras de Anatomia e Fisiologia. Após a República, é transferido para a recém-criada faculdade de medicina de Lisboa onde é professor da cadeira de Neurologia.

O professor abriu novos caminhos para a medicina descobrindo a angiografia cerebral que possibilitou localizar as mal-formações do cérebro e, dessa forma, desenvolver a cirurgia cerebral.

Recebeu as condecorações da Benemerência e a Grande Cruz de Santiago de Espada pela sua obra científica, literária e artística.

A grande homenagem internacional ocorreu em 1949. Neste ano, Egas Moniz ganhou o Prémio Nobel da Medicina. Foi a sua consagração internacional.

Não tendo filhos,ele e a mulher, Elvira de Macedo, resolveram dar destino social ao património. Inicialmente pensaram instituir na Casa do Marinheiro um lar para os menos favorecidos, mas os meios eram insuficientes. O casal decidiu, então, instituir um “museu que ficasse sendo um centro de assistência cultural para os seus patrícios”.

 

Abertura ao público

Egas Moniz morreu em 1955 e a mulher em 1965. O recheio do palacete de Lisboa foi transferido para a Casa do Marinheiro, havendo uma ampliação para expor o acervo documental.

Na capital, o professor habitou três moradias, sendo uma delas a actual sede da Nunciatura Apostólica; outra, localizada na Avenida 5 de Outubro, foi herdada pelos sobrinhos e demolida.

A casa-museu abriu as suas portas em 1968 sob a administração da Fundação Egas Moniz com, no entanto, meios escassos.

A casa e quinta eram mantidas por um casal de caseiros que faziam as visitas guiadas e as resguardavam, até que o declínio tomou conta do espaço.

A Câmara de Estarreja assumiu-o como ex-libris do concelho em 1985. A fundação foi extinta, efectuando-se obras no valor de 350 mil euros.

A actual directora, a historiadora e museóloga Rosa Maria Rodrigues, tem vindo a realizar um intenso trabalho de valorização, estudo e conservação da casa e do seu do espólio.

 

Renascimento

O espaço museológico, curiosamente uma das oito casas-museus dedicadas a médicos em Portugal, apresenta valiosas colecções de artes decorativas, plásticas e documentais.

Os interiores levam-nos ao tempo em que a casa era habitada. Existe uma divisão entre espaços privados e públicos onde se preservam pinturas de Carlos Reis, João Reis, Falcão Trigoso, Eduarda Lapa, Silva Porto, Henrique Medina, José Malhoa, Abel Salazar, entre outros, esculturas de Machado de Castro, Teixeira Lopes, Pinto do Couto e Maurício de Almeida, gravuras portuguesas e europeias, móveis D. José, D. João V, D. Maria, Luís XVI e Império, tapetes de Arraiolos, pratas portuguesas, porcelanas da Companhia das Índias, Cantão, Saxe, Sèvres, faianças da Torrinha, Fonte Nova, Cojo, Viúva Lamego, vidros da Vista Alegre e Marinha Grande e cristais de Baccarat.

Uma secção científica revela os objectos referentes às suas descobertas que levaram ao Prémio Nobel.

A quinta foi requalificada com um percurso pedonal, o moinho recuperado e o lago valorizado. O Município de Estarreja tem, por sua vez, desenvolvido uma notável acção a nível de recuperação, animação e divulgação do complexo museológico – hoje uma referência nacional.

“O ambiente desta Casa vive das sensações. Quando a porta se abre sente-se na penumbra um feixe de luz que teima em fazer-nos companhia - um delicadíssimo bom gosto - um equilíbrio perfeito na decoração e um sem número de mil e uma pequeninas coisas que fazem deste espaço o retrato da personalidade dos que a habitaram”, escreve Rosa Maria Rodrigues, directora da Casa-Museu Egas Moniz.

António Brás

 

Cronologia

 

1874 - António Caetano de Abreu Freire de Resende Egas Moniz nasceu no meio de seio de uma família nobre rural

1891 – Matrículou-se na Universidade de Coimbra

1899 – Licenciou-se em Medicina

1901 - Casamento na igreja de Canas de Sabugosa com Elvira Macedo Dias

1902 – Doutoramento

1903 – Professor catedrático na Universidade de Coimbra

1911 – Ocupa a cadeira de neurologia da Universidade de Lisboa

1927 – Descobre a angiografia cerebral

1949 – Recebe o Prémio Nobel

1950 – É fundado o Centro de Estudos Egas Moniz, do qual é presidente, que funciona no Hospital de Santa Maria compreendendo, entre outros, o Museu Egas com a reconstituição do seu gabinete de trabalho e documentos originais.

1951 – Institui por testamento a Casa-Museu Egas Moniz

1955 – Morre em Lisboa, sendo sepultado em Avanca, Estarreja

1968 – A casa-museu abre ao público

1985 – É extinta a Fundação Egas Moniz passando a casa-museu a ser tutelada pelo município de Estarreja. Início de grandes obras de conservação e valorização. Direcção de Rosa Maria Rodrigues.

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