Educação I "O Rapaz que prendeu o vento" 

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Há poucos dias vi um filme extraordinário que recomendo. A fotografia é excelente, a representação de elevado nível, o argumento irrepreensível, a realização no registo certo sem truques apelativos, mas pouco credíveis, daqueles que nos prendem ao écran apesar de pensarmos “isto na realidade não funciona assim”. Porém, não são as qualidades fílmicas que me levam a aconselhar o seu visionamento, embora se elas não existissem não se honraria a história de sofrimento e superação que a película nos traz nem estaria aqui, muito provavelmente, a falar sobre ela. 

É precisamente a inacreditável história narrada que torna esta obra ímpar e a faz entrar na lista das que não se devem perder. “O rapaz que prendeu o vento” é uma lição a vários níveis sem vestir a soberba pele de douta sabedoria. Demonstra-nos, de forma crua e pragmática, como é precioso o conhecimento, lembra-nos que somos sábios quando usamos o Saber em proveito de um colectivo que nos transcende e por fim, homenageia a terra, a água, o sol e o vento, os profundos e indestrutíveis laços de solidariedade e atira-nos com uma fragilidade humana que fica exposta sem parêntesis, nem reticências.

“O rapaz que prendeu o vento” conta-nos a história verídica de um jovem de 13 anos, William Kakwamba, que vive numa aldeia do Malawi e que um dia, diante a catástrofe de um longo período de seca, constrói um sistema a partir de um moinho de vento capaz de fazer funcionar uma bomba de água que acabará por salvar da fome a comunidade. 

 

Este filme, forjado com sobriedade e honestidade, conduz-nos sem pruridos nem maquilhagem a uma vida no limiar do possível, em condições de escassez extrema. Um mergulho num desespero que sentimos como nosso e onde, apesar da fome a agonizar os dias, a salvação surge pelo génio de um adolescente que encontra num livro da biblioteca da escola a chave do milagre. William, que a dada altura é expulso da escola por falta de pagamento das propinas, continuará a ludibriar o sistema, assistindo a aulas de ciências e frequentando a biblioteca, porque este jovem herói faz do Conhecimento o grande protagonista da sua vida e o herói desta história.

“O Rapaz que prendeu o vento” é um filme que deve ser visto quer em família quer nas escolas porque possui um manancial de possibilidades educativas a serem exploradas. William Kakwamba, que virá a ser reconhecido e acabará por concluir estudos nos EUA, é a confirmação de como a sabedoria não tem idade e que esta se afirma na materialização do conhecimento teórico. Mas este é também um filme sobre a importância do acesso ao Saber. Na remota aldeia do Malawi onde todo o drama acontece, frequentar a escola é um prémio dado com sacrifício aos filhos, um momento de esfuziante alegria, um orgulho e satisfação que nos comove e envergonha quando nos lembramos da realidade que nos habita onde o desprezo pela educação escolar tantas vezes impera. Na pequena aldeia de William, ir à escola não é um direito, mas uma possibilidade que se revela de frágil duração porque depende de um compromisso financeiro que não aceita excepções. Neste pequeno mundo que a tela nos desvenda, é fácil calçarmos os pés de William Kakwamba e olharmos pelos seus olhos o drama das decisões drmáticas, a desesperança, o horror do nada, mas onde se mantém o apego à tradição, o honrar a terra e os princípios. 

Quando a dada altura a região é atingida pela seca é inevitável sentirmos também nossa a sede que assola aquela terra gretada de secura tal como exultamos lado a lado com os aldeões no momento em que finalmente William consegue fazer correr um cordão de água por canais improvisados para regar os campos. 

Por isso, também por isso, o filme revela-se pertinente e fundamental na educação ambiental que desejamos continuar a fazer. Respeitar os recursos naturais não pode continuar a ser uma ladainha repetida como um verso sem sentido retirado de um caderno de poemas de gosto duvidoso.  O facto de nas nossas torneiras não faltar água isso não significa que temos o direito de a desperdiçar. 

Sermos civilizados pressupõe que não roubamos só porque tememos ser apanhados, não deitamos lixo para a rua só porque tememos que nos critiquem ou não mastigamos de boca aberta só quando temos visitas. Existem princípios que devem regular o nosso comportamento de forma tão absolutamente natural como respirar. E isso deve ser aplicado de igual forma na forma como usamos os recursos naturais como a água respeitando o planeta, garantindo assim o seu futuro.

Há viagens que todos devem fazer especialmente os mais jovens para que o mais cedo possível possa crescer neles a responsabilidade cívica necessária para que este mundo se torne de facto uma casa mais confiável e recomendável.

 “O Rapaz que prendeu o vento” é uma dessas viagens.

Ana Paula Timóteo

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