Casa Museu de Monção I Um espaço singular ao gosto muito português

Maria Teresa Salgueiro, benemérita e mecenas que instituiu a Casa –Museu.

Fachada tradicional de solar.

O grande corredor que atravessa a casa.

Vista parcial da sala de jantar ao gosto holandês.

Sala Francesa

A biblioteca.

Pano de armar sino-português dos fins do século XVII, de seda azul com águia bicéfala bordado a ouro. O Museu Nacional de Arte Antiga preserva exemplar idêntico.

Vista parcial do jardim

Fonte Arte-Nova proveniente de palacete de Lisboa.

O legado de Maria Teresa Cardeal de Andrade Martins Salgueiro veio possibilitar a abertura de uma casa-museu que reflecte as ambiências da alta burguesia da primeira metade do século XX. 

A mecenas era na descrição dos mais íntimos “uma pessoa culta e viajada, sempre atenta ao que estava a acontecer. Era elegante consigo própria e elegante nas relações com os outros”.

No Inverno da vida, uma das grandes preocupações de Maria Teresa Salgueiro era preservar os acervos artísticos e documentais que adquirira e principalmente herdara dos pais e do marido.

Vivendo em Lisboa, aproveitou as férias anuais de Agosto no Minho, aconselhada por amigos, para visitar o Museu Nogueira da Silva. Ficou imediatamente surpreendida pela forma como a instituição preserva o legado do fundador da Casa da Sorte. Nesta altura o papel de César Valença, responsável e grande dinamizador desse museu, revelou-se fundamental.

Estava-se em 1991. Iniciaram-se de imediato contactos e conversações entre Maria Teresa Salgueiro e a Universidade do Minho. A senhora pretendia instituir no solar de Monção uma casa – museu. Passado um ano fez o seu testamento, fundando a casa-museu assente em vultuoso património imobiliário. 

O resto dos bens reverteu para as misericórdias de Monção (em homenagem ao pai) e do Sardoal, homenageando o marido.

Foi um dos grandes legados aceites pelo Estado nas últimas décadas.

Património vasto

A Casa-Museu de Monção, instituída em testamento datado de 1992 por Maria Teresa Salgueiro, é detentora em Lisboa e Cascais de um importante património imobiliário, bem como pelo solar de Monção, e um vasto acervo documental e artístico. 

A morte da legadora, em 2001, aos 84 anos, culminou com a entrega à Universidade do Minho de parte do seu património, abrindo a Casa-Museu de Monção ao público em 2002. 

“Era uma senhora com uma forte energia e um pensamento marcante, colocando sempre muita intensidade nos seus objectivos”, destacam os mais íntimos.

“Os pais e o marido faleceram e ela teve um papel determinante na manutenção do património e no seu desenvolvimento”, sublinham as mesmas fontes que pretendem anonimato.

O imóvel, tradicional solar da segunda da segunda metade do século XVIII, foi adquirido pelos avós paternos da legadora, estando rodeado por um amplo jardim onde sobressai uma fonte arte-nova.  

Na actualidade, após grandes restauros, acolhe no piso térreo uma galeria de arte e auditório, palco de numerosas actividades como exposições, conferências, colóquios e lançamento de livros.

No andar nobre juntaram-se os recheios das casas de Lisboa e Monção. O resultado mostra-se de singular interesse.

 

Ao percorrermos o espaço recuamos aos ambientes da grande burguesia da primeira metade do século XX, embora longe de qualquer espírito de coleccionador.

Respira-se o ambiente de uma casa vivida, onde a carga dos objectos não se impõe, o que acaba por realçar o acervo na sua totalidade.

A casa acolheu ainda a maior parte da biblioteca científica do pai da mecenas, Dr. Andrade, médico e professor na Universidade de Lisboa, bem como um conjunto de 500 garrafas de vinho do Porto engarrafadas em 1917. O progenitor de Maria Teresa Salgueiro era um apreciador da enologia e tinha uma extensa vinha no actual jardim da casa.

 

Visitando a casa 

O espólio foi inicialmente estudado e inventariado, em 1993, a pedido de Maria Teresa Salgueiro, por César Valença grande dinamizador do Museu Nogueira da Silva.

O acervo é fundamentalmente constituído por mobiliário português e francês dos séculos XIX e XX, predominando as cópias de qualidade, porcelanas da Companhia das Índias e de Sèvres, pratas portugueses, vidros arte-nova, têxteis, livros e recordações familiares.

A visita compreende o átrio da casa, onde se destaca um óleo da escola inglesa de meados de 1800 e um tapete otomano de oração em seda do século XVIII. 

Nas escadas domina um pano de armar sino-português seiscentista, em veludo azul bordado a ouro com uma águia bicéfala no centro. 

No andar-nobre, dominado por três salas seguidas, um clássico nos interiores nobres, destacamos o Escritório do Dr. Andrade com mobiliário de torcidos e tremidos do século XIX, baseado em modelos seiscentistas. Nas paredes estantes com livros, entre as janelas um contador português e um pastel retratando a legadora da casa em criança. Em dois estojos uma espingarda Purdeley e uma rara máquina fotográfico. O marido de Maria Teresa Salgueiro, dr. Martins Salgueiro, tinha os “hobbies” da caça, da pesca e da fotografia.

Ao entrarmos na Sala Francesa deparamo-nos com um conjunto de canapé e cadeiras de estilo Luís XVI estofadas a tapeçaria. Nas cómodas encontram-se uma guarniture composta por um relógio e duas jarras em porcelanas de Sevres, e um conjunto de jarras Arte-Nova. Em duas mesas, sobressaem porcelanas da Companhia das Índias e fotografias de família. Nas paredes,entre os óleos da escola inglesa, sobressai um “Retrato de Jovem” oitocentista.

Os móveis pertenceram ao palacete do Saldanha, em Lisboa, residência da família materna da instituidora.

No corredor, cadeiras em pau-santo ao gosto inglês do século XIX, e outras de estilo Chipendalle, estofadas a petit point por Maria Teresa Salgueiro. Faziam parte da sua casa de jantar de Lisboa decorada por Lucien Donnat, um dos maiores cenógrafos e decoradores do século XX.

Na Sala do Jardim realça-se um óleo do século XIX representando“Moisés fazendo brotar uma fonte».

Segue-se o grande quarto da dona da casa. Nele impõe-se a cama em pau-santo de estilo D. João V executada no período de 1800. Completam a decoração um oratório regional marmoreado, setecentista, que contém um Cristo indo-português em marfim, e um armário ao gosto seiscentista com fotografias das famílias Andrade, Cardeal e Martins Salgueiro.

O denominado Quarto-Pequeno tem uma cama de bilros do século XVII e um roupeiro dos finais de 1800.

Segue-se outro quarto com móveis em mogno de Cuba do início de 1900, em estilo império.

A sala de jantar é um espaço marcante. O mobiliário e de estilo holandês baseia-se em modelos seiscentistas. Nos armários sobressaem porcelanas da Companhia das Índias com brasões ingleses, bem como casquinhas setecentistas da mesma proveniência. Nas pratas, conjuntos de paliteiros, uma chocolateira neo-rocaille da Casa Leitão e uma baixela da Casa Mergulhão. 

Nas paredes, óleos da escola holandesa com naturezas-mortas e cenas de caça, provavelmente cópias de pinturas seiscentistas.

Como em quase todos os solares, impunha-se a existência de uma capela, neste caso um pequeno oratório em estilo D. Maria do início de 1800, embora não tenha valor artístico reflecte a tradição e o espírito religioso da época.

Ao percorrermos o polo cultural observamos um interior que reflecte requinte, riqueza e cosmopolitismo. 

A Casa-Museu de Monção incorporou dois acervos distintos, trabalho que terá deixado em reserva inúmeras peças. 

No futuro deviam reconstituir-se as zonas de serviço, cozinha e zonas do pessoal, dado o testamento salientar a vertente etnográfica, e desta forma os visitantes observavam o viver dos senhores e dos seus servidores. 

A programação cultural da casa é constante com exposições, conferências, colóquios e lançamentos de livros. 

O seu responsável, Professor Doutor José Viriato Capela, tem desenvolvido um trabalho amplamente reconhecido pela sua qualidade, diversidade e rigor. 

A casa não possui obras de arte excepcionais com raríssimas excepções, mas expõe os interiores da alta burguesia da primeira metade do século XX. 

A família teve fortes ligações a Lisboa, cidade onde obteve prestígio e fortuna, mas as actividades da instituição nada reflectem dessa ligação. 

Hoje do cosmopolitismo das famílias Cardeal, Andrade e Salgueiro restam os interiores, bem conservados, onde o clã habitou ao longo de três gerações.

A casa integra a importante oferta cultural da Universidade do Minho. Nela destacamos o Arquivo Distrital e Biblioteca Pública de Braga, o Museu Nogueira da Silva e mais recentemente a Casa - Museu de Monção.

Entre o vasto acervo destacamos as seguintes peças:

- Pano de armar sino-português dos fins do século XVII, de seda azul com águia bicéfala bordado a ouro. O Museu Nacional de Arte Antiga preserva exemplar idêntico.

 

- Tapete otomano de oração do século XVIII em seda vermelha.

 

- Porcelanas de Companhia das Índias setecentistas com brasões ingleses. 

 

– Porcelanas de Sèvres oitocentistas.

 

– Paliteiros, chocolateira neo-rocaille e baixela da Casa Mergulhão, em prata portuguesa dos séculos XIX/XX.

 

Testamento

“Deixo à Universidade do Minho, em legado, a minha casa em Monção com o seu jardim, logradouro e quintal, a que atribuo, (…) o valor de 100.000 contos, bem como todo recheio que nela tiver, designadamente móveis, mobiliário, candeeiros, loiças, objectos de decoração, tapetes e equipamentos, recheio a que atribuo o valor, nesta data, de pelo menos 25.000 contos. Deixo à Universidade também o recheio da minha casa na Av. Elias Garcia 54-6 em Lisboa e da minha casa em Cascais, onde tenho as minhas residências, que será levado para Monção e colocado na casa que lego à Universidade, recheio a que atribuo, também nesta data, o valor mínimo de 25.000 contos. Deixo ainda à Universidade o recheio do andar no mesmo prédio, na Av. Elias Garcia, 54, em Lisboa, que tenho arrendado, podendo a Universidade findo o arrendamento que estiver em curso, retirar dessa casa, a parte do recheio que entender, e ao qual atribuo o valor mínimo actual de 10.000 contos. A Universidade do Minho, enquanto legatária e aceitando o legado que lhe é feito, fica obrigada a constituir uma unidade cultural, que será denominada Casa-Museu de Monção. (…) Na acção a prosseguir no âmbito da Casa-Museu a Universidade dará particular relevância ao património legado na sua vertente etnográfica e sociológica, constituindo o seu objectivo principal a criação das condições para sublinhar, expor e divulgar no imóvel legado as características mais impressivas do modo de viver na primeira metade do século XX no Alto Minho. (…). A Casa – Museu deverá apoiar, valorizar e integrar-se nas manifestações de cultura e arte da zona de Monção (…).

Para assegurar a manutenção da Casa-Museu de Monção e o prosseguimento das suas actividades (…) lego à Universidade:

 

a) O andar que possuo em Cascais, no Edifício O Navegador, a fracção HBA, o 12º andar esquerdo, bem como a percentagem que me pertence nas fracções DE e CDE do mesmo edifício, ao qual atribuo o valor, a preços desta época, de 60 mil contos.

 

b) O prédio que possuo na Rua D. Francisco Manuel de Melo nº 36, em Lisboa, ao qual atribuo o valor, a preços desta época, de 150.000 contos.

 

c) O prédio que possuo na Avenida Elias Garcia, nº 54, também em Lisboa, e a fracção correspondente ao estacionamento nº 28, 2. B cave na Avenida Elias Garcia nº 43 a 47, em Lisboa (que nesta data ainda apenas prometi comprar a Casaepraia - Empreendimentos e Serviços Imobiliários S.A.) aos quais atribuo, no seu conjunto, o valor, a preços desta época, de 700 mil contos. Se a escritura de compra e venda daquele estabelecimento ainda não estiver realizada no momento da abertura da herança, lego à referida Universidade os direitos de que seja titular decorrentes daquele contrato-promessa (…). Não aceitando a Universidade do Minho este meu legado, ou não cumprindo as condições em que o estabeleço este reverterá para a Câmara Municipal de Monção (…)

António Brás

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