A arte da escultura I Palhinhas do Menino Jesus

Igreja da Anunciada

Aspecto do altar-mor da Igreja da Anunciada

O presépio na maquineta D. Maria Pormenor do presépio Esplendor da época de ouro da escultura portuguesa Esculturas em terracota pintada Presépio de Silvestre da Costa Lobo ou de Machado de Castro Louvor do Menino Jesus A sumptuosidade de 1700

Presépio da Anunciada

Pormenor do presépio Esplendor da época de ouro da escultura portuguesa Esculturas em terracota pintada Presépio de Silvestre da Costa Lobo ou de Machado de Castro Louvor do Menino Jesus A sumptuosidade de 1700

Presépio da Anunciada

Pormenor do presépio Esplendor da época de ouro da escultura portuguesa Esculturas em terracota pintada Presépio de Silvestre da Costa Lobo ou de Machado de Castro Louvor do Menino Jesus A sumptuosidade de 1700

Presépio da Anunciada

Pormenor do presépio Esplendor da época de ouro da escultura portuguesa Esculturas em terracota pintada Presépio de Silvestre da Costa Lobo ou de Machado de Castro Louvor do Menino Jesus A sumptuosidade de 1700

Presépio da Anunciada

Pormenor do presépio Esplendor da época de ouro da escultura portuguesa Esculturas em terracota pintada Presépio de Silvestre da Costa Lobo ou de Machado de Castro Louvor do Menino Jesus A sumptuosidade de 1700

Presépio da Anunciada

Pormenor do presépio Esplendor da época de ouro da escultura portuguesa Esculturas em terracota pintada Presépio de Silvestre da Costa Lobo ou de Machado de Castro Louvor do Menino Jesus A sumptuosidade de 1700

Presépio da Anunciada

Pormenor do presépio Esplendor da época de ouro da escultura portuguesa Esculturas em terracota pintada Presépio de Silvestre da Costa Lobo ou de Machado de Castro Louvor do Menino Jesus A sumptuosidade de 1700

Presépio da Anunciada

Pormenor do presépio Esplendor da época de ouro da escultura portuguesa Esculturas em terracota pintada Presépio de Silvestre da Costa Lobo ou de Machado de Castro Louvor do Menino Jesus A sumptuosidade de 1700

Presépio da Anunciada

Pormenor do presépio Esplendor da época de ouro da escultura portuguesa Esculturas em terracota pintada Presépio de Silvestre da Costa Lobo ou de Machado de Castro Louvor do Menino Jesus A sumptuosidade de 1700

Presépio da Anunciada

Pormenor do presépio Esplendor da época de ouro da escultura portuguesa Esculturas em terracota pintada Presépio de Silvestre da Costa Lobo ou de Machado de Castro Louvor do Menino Jesus A sumptuosidade de 1700

O presépio na maquineta D. Maria

Os primeiros presépios portugueses surgiram entre os séculos XVII e XVIII. Não havia casa religiosa nem nobre que não tivesse a sua encenação da Natividade. Devido a catástrofes naturais e a vandalismos, a maioria desses presépios perderam-se, fragmentados e espalhados no seu conjunto.

Diversos escultores de relevo, caso de Machado de Castro, Barros Laborão, António Ferreira, Silvestre de Faria Lobo, Faustino José Rodrigues, conceberam preciosas obras-primas enaltecendo o nascimento do Menino.

Os presépios do Palácio das Necessidades, dos marqueses de Belas, da Real Barraca da Ajuda e do Convento de Santa Teresa de Carnide (expostos no Museu de Arte Antiga), da Sé de Lisboa, da Basílica da Estrela e do Convento da Madre de Deus (hoje no Museu do Azulejo) são dos mais relevantes entre nós. Todos eles têm um grande valor iconográfico e etnográfico, aparecendo neles desde figuras da corte às de classes populares - representadas pelo moleiro, pela lavadeira ou pelo pastor. 

 

Presépio da Anunciada

A Igreja da Anunciada, em Lisboa guarda um presépio quase desconhecido do público e dos estudiosos. A sacristia alberga o conjunto, de dimensões pequenas,  atribuído à escola de Machado de Castro. 

Constituído por grupos modelados em terracota policromada assente em estruturas de madeira e cortiça, cobre vários planos sob um ambiente setecentista. O resultado revela uma grandiosa encenação plena de cor, luz, intensidade e dinamismo.

No interior, uma maquineta de madeira serve de ambiente para as figuras que representam cenas bíblicas e populares num realismo típico do barroco. 


No seu conjunto, destacam-se a Sagrada Família (tema raramente presente nas composições portuguesas), a Anunciação e a Fuga para o Egipto.

O conjunto manteve durante mais de um século um mistério quanto à sua proveniência. Muitos julgam-no uma encomenda das Dominicanas, outros proveniente da antiga Igreja de São José dos Carpinteiro; há, no entanto, quem o atribua a uma oferta dos Marqueses de Rio Maior, família que viveu durante séculos em palácio anexo, recentemente vendido e transformado em hotel.

Investigações recentes asseguram, porém, que ele proveio da demolida Igreja de São José dos Carpinteiros, transferida em 1883 para a Anunciada.

A Igreja de Nossa Senhora da Anunciada foi fundada pelas religiosas Dominicanas em 1519, ano em que se fixaram no local. 

 

Actualmente denominado de São José, o monumento foi alterado após o terramoto segundo projecto de António Tomás da Fonseca.

No interior destacam-se o retábulo marmóreo da capela-mor com colunas salomónicas provenientes da demolida Igreja do Convento de Santo Antão, (hoje Hospital de São José) e o altar da Capela do Santíssimo Sacramento que pertenceu ao desaparecido Convento dos Lóios.

"Na fase inicial da sua recuperação, substituímos o telhado e mudámos o pavimento”,  explica o pároco José Freire, que pormenoriza: “Neste momento estamos a ultimar a recuperação dos azulejos da igreja, cujas imagens representam cenas da vida de São José seguindo-se a pintura dos frescos”.

Rebelo de Andrade:

Da Pré-história ao Barroco

A arte de esculpir, anterior ao aparecimento da pintura, foi durante séculos considerada apenas um complemento da arquitectura - a mais antiga das três artes.

Com o passar dos tempos a escultura afirmou uma identidade própria.

Ao organizar os primeiros acampamentos ao ar livre, ou em grutas, o homem da pré-história proporcionou mudanças a nível psicológico da humanidade e das suas estruturas sociais. 

Em redor da lareira, nas longas noites de Inverno, os caçadores planeavam as iniciativas do dia seguinte, evocando proezas de heróis anteriores, o que reforçava a coesão dos laços do clã. 

O homem começou a olhar para si próprio e compreendeu que a forma humana correspondia ao espírito. Foi o início da escultura. Inicialmente ela não era regida pela proporção, simetria, beleza e harmonia.

O mais antigo exemplar é a “Senhora de Brassempouy”, datado de cerca de 22000 a. C.  (e descoberta na Gruta do Papa, no século XIX), encontra-se exposto no Museum of Nacional Antiqúes, em Saint- Germain-en-Laye, na França.

A imagem, de que resta apenas a cabeça, executada em marfim, mede três centímetros e apresenta um rosto de feições rudes, porém com um penteado extremamente cuidado.

Outra peça fundamental é a denominada “Ídolo” (2700-2400 A.C.), que se preserva na Menil Collection, em Houston, nos Estados Unidos. Trata-se de um corpo inteiro, feminino, em mármore, de formas delgadas, rosto inexpressivo e mãos cruzadas. Foi descoberta na Europa no século XIX, acabando por ser transaccionada para os Estados Unidos.

 

Notável civilização

No início da Antiguidade desenvolveu-se na bacia do rio Nilo uma notável civilização. Os egípcios, seus habitantes, edificaram templos e pirâmides onde gravaram lápides funerárias juntamente com notáveis pedras tumulares. As avenidas que ladeavam as construções foram, por sua vez, decoradas com esfinges montadas em pedestais. 

Entre os seus exemplos mais notáveis destaca-se o “Escriva Sentado”, 2510-2460 a. C., em pedra multicolor, guardado no Museu do Louvre, em Paris - a sua densidade transmite uma profunda sensação de vida.

As esfinges de “Gizé”, no Cairo, e de “Sesostris III” em granito negro (1878-1842 a. C.), está exposta no Brooklyn Museum dos Estados Unidos, são outros exemplos que documentam a autonomia crescente da escultura. 

Os Assírios, rivais dos egípcios, tiveram, por sua vez, uma importância artística fundamental. Criaram notáveis relevos, entre os quais o de “Ur Nanshe” (3º milénio a.C.), exposto no Louvre que representa a família-real participando na inauguração de um templo. 

A Etrúria foi uma civilização primitiva de origem asiática que se aproximou da Grécia e de Roma. Estas forneceram-   -lhe os primeiros rudimentos de todas as artes e indústrias. Um dos seus marcos é um baixo-relevo em pedra multicolor que representa “Akhenaten e a Família”, datado de 1348-1336 a.C., actualmente no Museu do Louvre. As suas quatro figuras estão esculpidas com grande rigor, iluminadas por raios solares em poses majestáticas.

 

Grécia e Roma

A arte grega evoluiu da estética arcaica e da severidade do classicismo inicial para um naturalismo idealizado, como foi o caso da obra do mestre Policleto. Nela destacava-se uma invulgar harmonia de formas e proporções anatómicas.

Paros, a cidade das Cíclades, ficou célebre por ser pátria de numerosos escultores, e pela excepcional qualidade do seu mármore. A “Vénus de Milo” (fins do seculo II a.C., hoje no Louvre) é uma das obras-primas da humanidade. Medindo dois metros de altura, exalta a beleza feminina, embora a falta dos braços dificulte a sua classificação. Seria uma deusa, seria Afrodite a sair do mar? O enigma é eterno. 

Outro exemplar magnifico é o dos frisos do Parthenon, 418 a.C., em exposição no Museu Britânico de Londres. A arte da civilização etrusca, descoberta no século XIX, revela-se uma das mais originais, ao nível do retrato, da época helenística. A “Cabeça de Estátua Feminina”, datada do 3º-2º milénio a. C., exposta no Louvre, é de um realismo espantoso. Executada em bronze e medindo 23 centímetros está ornamentada por diadema com baixo - relevo idêntico aos que se usavam nos espelhos da época. Outra obra fundamental é “Marte de Todi” uma grande escultura, igualmente em bronze, preservada no Museu Gregoriano Etrusco, no Vaticano.

Os romanos acabam por derrotar e conquistar a civilização grega, tornando-a uma simples província do império. A Grécia foi, no entanto, considerada como a mestre dos Romanos. Cícero, Plínio e Quintiliano escreveram sobre os maiores escultores gregos, mas não citaram um único escultor romano. 

Os artistas gregos ou romanos raramente fizeram outras representações para além de César, das mulheres dos imperadores e das suas favoritas. A indústria acabou, no entanto, por afectar a arte, dado que às estátuas dos imperadores eram adaptadas as cabeças de acordo com as mudanças políticas.

Alguns dos exemplares mais relevantes deste período são o da “Jovem Romana” e o de “Nero Menino”, século I d.C., ambos no Louvre. As duas obras, onde sobressaem a naturalidade e a sensibilidade, tornaram-se documentos valiosos para a história.

 

Escultura em Portugal

O actual território que constitui o nosso País foi sempre uma região algo periférica, o que explica a irregularidade das colecções nacionais de exemplares relevantes da escultura desde a pré-história ao período romano. Convém salientar que o advento do cristianismo contribuiu para a destruição ou vandalização de praticamente toda a estatuária existente. 

Da época grega sobressaem três núcleos nos museus de Arqueologia, Arte Antiga e Calouste Gulbenkian, em Lisboa. O primeiro é constituído por um grande número de objectos – na sua maior parte de valor secundário provenientes de legados e compras. No segundo existe, por oferta de Calouste Gulbenlian, um ”Leão Deitado”, 305-50 a.C., que simboliza o papel dos animais no Egipto. O leão era, aliás, o símbolo da protecção divina, o guardião dos locais sagrados e o responsável por afugentar os espíritos malignos. O terceiro núcleo guarda peças de grande qualidade, destacando-se a “Dama Henut-Tauy”, 1554-1304. a. C., e a “Estátua de Rei”, 664-610 a.C.. Estas esculturas transmitem uma sensação de grande majestade espiritual.

Do período Assírio expõe-se no Museu Gulbenkian, único exemplar existente entre nós, um baixo- relevo do século IX a.C., representando um génio alado, com a mão direita elevada em atitude ritual; na segunda zona, uma sítula para água lustral e, em plano médio uma longa inscrição cuneiforme.

Da arte etrusca existem dois notáveis espécimes. O primeiro é um sarcófago com uma estátua feminina jazente preservado no Museu Arqueológico de Odrinhas, em Sintra, tendo outrora integrado a colecção do Visconde de Monserrate; o segundo, representa uma cabeça feminina de invulgar delicadeza que se encontra na colecção de Carin Bramão, no Monte Estoril. 

Inexistência do  período grego 

Da época romana sobressaem um magnífico, aliás exemplar único nas colecções nacionais, “Torso de Homem”, do século V a.C. , doado por Calouste Gulbenkian ao Museu de Arte Antiga de Lisboa. A estátua, apesar de ter os membros truncados, impõe-se pela sua beleza e superior qualidade. Destacam-se, ainda, duas colecções preservadas nos museus de Arqueologia em Lisboa e de Évora. 

As principais peças romanas guardam-se, no entanto, nos museus de Faro e Arte Antiga, em Lisboa. No primeiro expõe-se um busto de Agripina Menor, bisneta de Augusto, 450-500 a.C.. Trata-se de uma obra de grande equilíbrio de linhas e proporções. O pescoço longo, o penteado em moda na época e um diadema conferem-lhe uma graciosidade incomum. O trabalho pode ter sido realizado em Roma ou produzido em oficinas hispânicas a partir de modelos em gesso vindos de Itália.

A segunda obra é um “Busto de Apolo”, dos finais da República Romana, com os membros truncados, possuindo uma cabeça que não se harmoniza com o corpo. A sua qualidade artística é, no entanto, bastante interessante, dentro da escultura da época, tendo sido doado por Calouste Gulbenkian.

Dentro de outro contexto destacam-se as terracotas chinesas expostas nos museus das fundações Medeiros e Almeida e Oriente. O primeiro detém exemplares representativos da vivência desse povo entre 206 a. C. a 906 d.C.; o segundo, recentemente inaugurado, preserva um pequeno núcleo que reflecte essencialmente as práticas funerárias.

 

Medieval e barroco

A escultura medieval é essencialmente religiosa. Os locais de culto albergavam o imaginário das populações, havendo uma invulgar expansão da arte sacra. A Europa conheceu uma prosperidade, construindo-se inúmeras igrejas, catedrais e mosteiros. Os santuários tiveram  uma notável expansão. Os artistas de então, quase todos anónimos, tinham nas suas oficinas vários mestres e aprendizes.

A produção, vasta e diversificada, influenciada pelo bizantinismo, conheceu proporções e volumes mais correctos relativamente à figura humana. 

Entre nós destacam-se, por exemplo, o Anjo da Anunciação, e o Cristo Crucificado, hoje no Museu Machado de Castro. 

No Gótico, que em Portugal equivale na sua fase final ao estilo Manuelino, observa-se que a escultura se torna independente da arquitectura. Nos edifícios religiosos ela alargou-se em beleza e qualidade. Os grandes altares adquiriram um enorme requinte. O ser humano é representado juntamente com elementos da natureza e de animais reais e lendários, além de padrões geométricos e abstractos.

Destacamos entre nós a Custódia de Belém, obra única da ourivesaria portuguesa.

No renascimento surge uma noção de grande elegância e equilíbrio baseada na cultura greco-romana. Acontece a valorização do homem (humanismo) e da natureza em oposição ao divino e ao sobrenatural que haviam dominado a Idade-Média. Sobressaem as esculturas de João de Ruão ou da sua oficina, hoje preservadas em museus e igrejas.

 

A grande preocupação dos escultores barrocos foi a integração nas outras artes. 

Na arquitectura essa desempenha um papel fundamental com movimentos soltos e vivos das figuras. O predomínio das linhas curvas, dos drapeados das vestes e do uso do dourado, e os gestos e rostos das personagens demonstram emoções violentas de enorme dramatismo. Os presépios portugueses revelam todas estas características. Hoje são exemplares preciosos da chamada época de ouro da nossa escultura.

António Brás