Camafeus I Quando os rostos se tornam preciosos 

1

Lorenzo Lotto Faustina – mulher de Maurizio Cassottti – Séc. XVI (Veneza v. 1480 – Lorette, 1556) Óleo sobre tela (pormenor ), 71x86 cm Madrid, Museu do Prado

2

Joaquim Inza Retrato de Dom Tomáz de Iriarte Cerca do século XVIII - XIX Óleo sobre tela (pormenor - anel ), 82x59 cm Madrid, Museu do Prado

3 A

Jacques-Louis David Sagração de Napoleão I, em 2 de Dezembro de 1804 (Paris, 1748 – Bruxelas, 1825) Óleo sobre tela), 621x979 cm Paris, Museu do Louvre

3

Jacques-Louis David Sagração de Napoleão I, em 2 de Dezembro de 1804 (Paris, 1748 – Bruxelas, 1825) Óleo sobre tela (pormenor ), 621x979 cm Paris, Museu do Louvre

4

Francisco de Goya y Lucientes A Marquesa de Caballero ( Fundadores, Saragoça, 1746 – Bordeaux, 1828) Munique, Bayerrische Staatsgemaldesammlungen

5

Dirk de Quade van Ravesteyn, Algoria da caridade Óleo sobre tela, Paris Colecção particular

6

Miseroni (atelier de) Medalhão de Cristo e a Virgem Maria em lapis lazuli de um rosário da mesma pedra. Séc. XVI

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“Pendentif” em ouro de baixo teor com medalhão de Nossa Senhora, rainha com ceptro e coroa sobre marfim. As pedras incrustradas são semi-preciosas. Espanha séc. XVII

18

Três alfinetes de gravata adornados com corais representando figuras mitológicas . Séc. XVIII e XIX

19

Extraordinária peça em quartzo fumado, representando a Imperatriz Josefina e o Imperador Napoleão I – Inícios do séc. XIX

23

Três pregadeiras em lava do Vesúvio, ao gosto da antiguidade clássica. Séc. XIX

16

Camafeu representando a rainha D. Maria I. Montagem em prata, rodeada de diamantes . Séc. XVIII

12

Figura feminina representando uma deusa do Olimpo assente em medalha de ouro de grande qualidade. Séc. XVIII

10

Anel representando – cavalheiro, busto em pedra branca sobre fundo azul. Séc. XVIII

8

Pente de cabelo em tartaruga com um medalhão, em âmbar, incrustado na parte superior do arrendado. Séc. XIX

9

Medalhão lavrado numa esmeralda. Peça desmontável. Séc. XIX

15

Alfinete em tartaruga representando figura mitológica.

13

Medalhão em ouro com camafeu representando um deus da mitologia grega. Princípios do séc. XIX

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Camafeu de ónix. Séc. XIX

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Medalhão em alto relevo sobre um citrino. Assinado M O R E L L I no bordo inferior. Meados do séc. XIX. A moldura do medalhão denuncia a época do bom gosto italiano.

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Medalhão em alto relevo sobre um citrino. Assinado M O R E L L I no bordo inferior. Meados do séc. XIX. A moldura do medalhão denuncia a época do bom gosto italiano.

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Colar em ouro lavrado e medalhões de conchas representando figuras mitológicas rodeadas de pérolas finas. Séc. XIX

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Colar representando figuras masculinas da Antiguidade Clássica. Lava do Vesúvio? Peça elaborada no séc. XIX quando os turistas iniciaram as suas viagens.

7

A Americana com camafeu numa fita de veludo a ornar o seu pescoço. 1867

15

Alfinete em tartaruga representando figura mitológica.

11

Pregadeira de ouro com camafeu de concha. Representando as “Três Graças”. 1850

17

Par de brincos com camafeus de concha. 1860

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Deslumbrante camafeu em coral, representando “A Primavera”. Moldura de ouro e esmalte. Cerca de 1860

24

Pregadeira em malaquite com “doublet” tipo camafeu em pasta de vidro. 1870

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Medalha porta-retrato. Camafeu de ágata em “doublet”. 1880/1865

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Ninfa com cesta de fruta. Camafeu de concha. Séc. XX

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Camafeu de traços suaves, lavrado sobre concha. Trabalho italiano. Séc. XX

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Modelos da Ports (casa de moda) que apresentou nas suas colecções para a actual temporada algumas manequins adornadas com jóias com camafeus. Uma lição a não perder!

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Modelo da Ports (casa de moda) que apresentou nas suas colecções para a actual temporada algumas manequins adornadas com jóias com camafeus. Uma lição a não perder!

Usava sempre um par de brincos com camafeus de concha e as rosas príncipe negro sublimavam o seu aroma quando ela quando passava, leve, pelos jardins da cidade. Quando ia às festas adornava o pescoço com um camafeu de esmeraldas, orlado em pérolas, e todos dizem; “que camafeu tão bonito!” Usava o seu corpo como se ele fosse uma galeria de arte, provocava reacções e emoções mas nunca tinha lido Roach nem d’Eicher. Gostava de jóias sem pensar no seu valor económico. 

 

No Verão vestia cores garridas. Era uma senhora alegre, ria em gargalhadas francas. Contava histórias divertidas. Não falava mal de ninguém. A todos desculpava. Ensinou-nos esta verdade: as pessoas não são camafeus. Para ela, a tia Carmen, os feios eram sempre bonitos e os camafeus peças de arte que expressam milagres de beleza.

 

Peça de pedras várias (cornalina, ágata, turquesa, coral, marfim, âmbar, azeviche, composta por uma ou mais camadas de diferentes matizes e trabalhos em entalhe ou relevo: o camafeu sempre foi usado em sinetes, jóias, e ainda, em objectos utilitários e ornamentais. A arte de gravar pedras, conhecida pelo nome de glíptica (do grego: arte de gravar pedras duras), é originária da Babilónia (2.105 anos a.C.), império onde as pedras trabalhadas serviam de selo (sinetes) e de amuletos que se penduravam ao pescoço. Walter Schuman, define o “trabalho de gravar as pedras em imagem negativa”, (como as utilizadas para sinetes), com o nome de entalhe (do italiano intaglio). Diz Schuman: as que apresentam desenhos representados em relevo, denominam-se camafeus (do italiano “cameo” que, por sua vez, deve vir do árabe, qama’il, “botão de flor”)”.

 

As pedras estratificadas com mais de uma camada são as preferidas da glíptica.

 

Também existem camafeus em “doublets”, pedras duplas que podem ser constituídas, por exemplo, por uma placa de calcedónia branca na base e um trabalho em relevo de calcedónia tingida ou outra pedra de cor.

 

O escaravelho egípcio, entalhado em pedra, utilizado como selo oficial, apareceu na IV dinastia. Não há conhecimento de que os faraós, as rainhas e as princesas usassem pedras gravadas nas suas múltiplas jóias.

 

Certos autores afirmam que as pedras gravadas continuaram a alcançar grande importância entre caldeus, assírios, fenícios e etruscos.

 

Segundo Max von Boehn os gregos só conheceram os anéis após a guerra com os persas. Aliás, aquele povo elevou a arte de talhar as pedras a grande nível, conseguindo igualá-la à dos egípcios mas não a superá-la.

 

O anel adornado com pedra entalhada foi, a princípio, considerado na Grécia como um distintivo de classe. Mas quando Heródoto tomou conhecimento de que na Babilónia todas as classes sociais usavam anel de sinete esta moda vulgarizou-se em toda a Hélade.

Os mais antigos camafeus de ónix que se conhecem datam da época dos Ptolomeus e diz-se que foram gravadas na Alexandria.

 

Os camafeus de ágata, datados do séc. III a.C., foram esculpidos na secção vertical da pedra. Desconhecia-se na época que do talhe horizontal se retirava o melhor efeito dos tons.

 

Os camafeus de duas cores, como acima dissemos, eram trabalhados em separado, em “doublets”. Esculpia-se uma pedra com a figura pretendida e aplicava-se sobre outra pedra de base lisa por meio de um cimento que ao vitrificar-se adquiria grande consistência.

 

A técnica e os instrumentos outrora utilizados para as obras de entalhe e relevos, acompanharam a evolução dos tempos.

 

Da roda, da serra e do ponteiro revestidos de pó de esmeril de outrora, até ao torno (de eixo horizontal e vários cabeçotes) com motor que assegura 3000 a 5000 rotações por minuto, que hoje se usa, há uma grande distância. Em qualquer caso, a arte de bem desenhar e a sensibilidade continuam imprescindíveis.

 

Os camafeus mais apreciados pelo seu valor artístico são os da antiga Grécia.

 

Este tipo de peças, representando bustos, cabeças, cenas mitológicas, animais, etc., foram apreciados na Roma imperial, onde altas personalidades juntaram colecções valiosíssimas ( mais tarde dispersa pelos “parvenus” da revolução francesa), mas os melhores eram de origem grega. Os camafeus romanos distinguem-se dos gregos pela perfeição artística do trabalho e porque as figuras gregas aparecem geralmente nuas.

 

Notável é, sem dúvida, o “grande Camafeu”, pedra gravada em Roma cerca de 20-24 d.C., orgulho do tesouro imperial que Constantino levou para Bizâncio no ano 330.

 

Nas mudanças de posse, o Imperador Balduino II ofereceu-o a Luís IX, rei de França (que veio a ser santificado), para o decidir a empreender uma nova cruzada. Foi guardado na Saint- Chapelle; mais tarde, emprestado ao Papa de 1343 a 1379; integrado durante quatro séculos no tesouro de França; e finalmente depositado, em 1791, na Biblioteca Nacional de Paris onde, actualmente, se mostra.

 

Consta que esta peça, considerado o maior camafeu do mundo foi executada pelo filho de Discorides, gravador grego.

 

Na Idade Média só os bizantinos, continuadores da arte dos povos clássicos, produziram camafeus de valor, quase todos sobre a temática do cristianismo. 

 

Merece destaque o camafeu de Noé que pertenceu ao Imperador Frederico II de Hohenstaufen, uma das mais curiosas personalidades da Idade Média.

 

O camafeu mostra Noé e a família entrando na arca. Foi gravado na Sicília, para Frederico, com técnicas usadas na Antiguidade. Mais tarde, passou às mãos de Lourenço de Médicis, o Magnífico.

 

No século XVII foi vendida ao Conde de Carliste.

 

O camafeu de Noé encontra-se actualmente no Museu de Viena (Áustria) onde se guardam as joias do Sacro Império Romano, algumas peças do tesouro dos duques de Borgonha e também as joias da coroa do Império austríaco dos Habsburgos.

 

Já vimos como os egípcios, gregos e romanos gravaram pedras preciosas com o intuito de as utilizarem como sinetes e joias, que mais tarde, no período renascentista italiano, mereceram a atenção dos colecionadores.

 

O Papa Paulo II foi um dos grandes colecionadores de camafeus. Rezam algumas historiografias satíricas ter sido uma das suas primeiras vítimas, pois, segundo consta, morreu de frio pelo exagerado gosto de sentir as pedras geladas entre os seus dedos. 

 

No início do século XVI a arte de gravar pedras preciosas e semi-preciosas conheceu grande desenvolvimento graças ao contributo de muitos artistas e artesãos italianos que produziram obras de tão grande qualidade que mal se distinguiam das antigas.

 

Estes artistas também gravaram retratos/camafeus que alcançaram enorme popularidade. Com a Renascença reapareceu primeiro em Itália e depois noutros países da Europa, o gosto pelas moedas e pedras antigas gravadas formando-se assim as valiosas colecções que hoje se conservam em muitos museus dos quatro cantos do mundo.

 

Um notável gravador deste período foi António d’Holanda, conhecido como um dos melhores iluminadores do século XVI. António de Holanda esteve ao serviço de Carlos V, Imperador que muito apreciava uma miniatura com o seu retrato que o artista tinha executado em Toledo.

 

A Rainha Isabel I de Inglaterra de quem se conhece um anel com o seu retrato, datado de 1585, também tinha um gosto especial por este tipo de peças.

 

No período renascentista muitos camafeus romanos foram remontados,  no século XVIII com algumas espécies do século XVI.

 

No começo do século XVIII a moda das pedras preciosas gravadas , tanto antigas como modernas, aguçou o espírito dos colecionadores.

 

Graças a esta paixão produziram-se, na primeira metade do século XVIII, dois grandes tipos de camafeus em pedras preciosas: cópias mais ou menos fraudulentas de originais antigos e obras claramente modernas que tanto incluíam retratos como cenas históricas ou do género.

 

Por volta de 1750, com o advento do movimento neo-clássico, os mestres da glíptica começaram a imitar o estilo de originais antigos sem se basearem em protótipos particulares. Tal facto originou o revivalismo da arte da gravação de pedras preciosas, liderado por Edward Burch e Nathaniel Marchant, em Inglaterra, e pela família Pichler em Roma, o que levou os estudantes de arte grega e romana a classificarem essas obras de estilo clássico, como peças falsas.

 

Esta opinião era discutível. Seriam estes gravadores mais fraudulentos que escultores como Canova ou pintores como J. L. David que, tal como os gravadores, tinham o objectivo de reviverem o verdadeiro culto clássico?

 

De facto, os gravadores estavam a copiar as estátuas de Canova assim como os seus antecessores tinham copiado as estátuas de Fídias e Praxísteles. Como prova da sua boa fé, os mais notáveis gravadores assinavam, inclusivamente, as suas obras, inscrevendo os seus nomes em caracteres gregos para evitar a introdução de uma nota discordante.

 

A prática em copiar gravações antigas continuou. Estas obras geralmente cópias de originais com pequenas mas reveladoras diferenças. A imensa quantidade de camafeus ainda existentes permitem perspectivar o largo interesse que esta moda suscitou durante o século XVIII. Muitas delas foram executadas por artistas originais, isto é, que esculpiam os desenhos que a sua inspiração motivava.

 

J. L. Natter, por exemplo, disse: “Eu não me envergonho de continuar a fazer cópias, com inscrições gregas e assinaturas de mestres, mas desafio o mundo inteiro a provar que eu vendi alguma como antiga.”

 

Os negociantes eram menos escrupulosos que Natter e empregavam falsificadores.

Segundo Nollekens, o notável negociante inglês de arte em Roma, Thomas Jenkins “seguiu o princípio de vender aos estrangeiros os camafeus que os empregados executavam nos seus “ateliers” e que a seguir guardava no Coliseu. Eu vi-os a trabalhar e Jenkins ofereceu-me uma mão cheia deles. Abençoado sejas: vendia-os tão rapidamente como os produziam.”

 

Muitos eram os artifícios para dar a “patine”. As pedras, por exemplo, eram enroladas à volta do pescoço de aves a fim de adquirirem um aspecto opaco como se fossem antigas.

 

A maioria das pedras de século XVIII foram gravadas com temas clássicos. Os retratos/camafeus, gravados em pedras semi-preciosas, foram igualmente populares durante todo o século. Simultaneamente, outros mestres da glíptica, especialmente Jacques Guay, gravaram cenas de história contemporânea, alegorias e assuntos sentimentais. Estas peças seguiram o desenvolvimento estilístico do barroco e do rócócó terminando no neo-classisismo. As de melhor qualidade são executadas durante a segunda metade do século XVIII. Os. Anéis conhecidos por “Memórias”, com o retrato de perfil sobre fundo azul como o de George Washington e o de “Beau Brummel” em silhueta, também pertencem a esta centúria. Um dos camafeus mais citados como peça de excepção foi encomendado por D. João V a Giovanni Costanzi. A peça, representando Leda talhada em diamante, reflete bem o sentido de grandeza que sempre presidiu a tudo quanto este Rei de Portugal mandou edificar.

 

Os camafeus distinguem-se por dois tipo de trabalho: gravações em pedras preciosas, no qual o desenho é profundo; e os que mostram o desenho em relevo. O profundo (baixo-relevo) é normalmente usado como sinete; o outro, (alto-relevo), como adorno de joias.

 

Os materiais em ambos os tipos de trabalho foram as pedras semi-preciosas (sardónica, cornalina, ágata ou onix), âmbar, coral, lava, azeviche. Por vezes os artistas recorreram a pedras preciosas (esmeraldas, safiras e até diamantes, apesar destes serem muito mais difíceis de trabalhar).

 

Os camafeus de conchas foram gravados a partir de invólucros calcários de certos crustáceos. Os temas gravados eram similares aos camafeus de pedra dura mas a qualidade do trabalho é, raramente, delicado.

 

O outro método de execução fazia-se a partir de uma substância vítrea e conhecida por “pasta”. Ao contrário do enxofre a pasta reproduzia a forma da peça original retirada a partir de um molde de fundição.

 

A mais famosa destas pastas foi a formulada por James e William Tassie.

 

Os leitores de Keats lembram-se das diversas referências, feitas nos seus poemas, às joias que Tassie usou como selo e deu a sua irmã Fanny.

 

Para fornecerem os retratos de celebridades, em camafeu, os Tassie retiraram os cunhos de modelos de cera, em vez de peças gravadas.

 

Com a queda de Luis XVI e a Revolução, a moda e os modos transformaram-se radicalmente.

 

 

Camafeus e Revivalismo

Passado o Terror iniciou-se o uso de todo o tipo de joias do qual não se conservava mais a recordação. Pulseiras, anéis nos dedos das mãos e dos pés, correntes que davam seis e sete voltas ao pescoço, brincos com vários pingentes, “peinetas”, diademas, alfinetes... usavam-se em profusão.

 

A seguir veio a chamada moda à antiga que trouxe à ribalta jóias esquecidas, mostrando assim uma grande paixão pelos camafeus.

 

Os marechais franceses mandaram para Paris tudo quanto encontravam em Itália nas ricas colecções dos príncipes romanos.

 

A generosa Imperatriz Josefina, sem atribuir grande importância aos camafeus, repartia-os às mãos cheias pelas damas da sua corte.

 

Nos retratos das damas do Império podem ver-se colares, pulseiras, diamantes, brincos e anéis, com que se adornavam tendo por motivos centrais os camafeus.

 

Até 1820 a procura era tão grande que as pedras verdadeiras não chegavam para as encomendas. Foram então que surgiram os camafeus de concha – matéria que se trabalha mais facilmente que a pedra dura e quebradiça. As suas camadas sobrepostas, de cores diferentes, permitem obter excelentes contrastes.

 

O camafeu de concha ultrapassou no século XIX o de pedra.

 

Em Nápoles podiam adquirir-se, por baixo custo, camafeus com rostos preciosos, sempre de perfil e frequentemente com coroas de flores ou folhagem no cabelo.

 

Os artistas napolitanos usavam igualmente outros materiais como a lava do Vesúvio (pedra de cor cinzenta) e os corais de vários tons (avermelhado, salmão rosa e branco).

 

Destes os mais caros eram os corais rosa e branco.

 

Depois, com a onda do romantismo ressurgiram por volta de 1830, os adornos de tipo medieval, como a suprema expressão da modernidade.

 

Os camafeus eclipsaram-se mas bastou que a princesa das  duas Sicílias, casada com o duque de Aumale, em 1845, exibisse os seus corais para que os camafeus se convertessem em grande moda.

 

Hoje, aos trabalhos em onix, coral cornalina e concha, que tanto aliciam os turistas que visitam Itália, principalmente a região de Nápoles, há a acrescentar as peças do Brasil,

da Alemanha e da França.

 

A técnica da glíptica tem evoluído e com ela a perenidade dos camafeus de rostos preciosos que constituem milagres de beleza.

Marionela de Gusmão

Alicia Papadopoulos

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Alicia Papadopoulos, último nome usado em sua vida, nasceu nas Canárias em 1915 e em 1925 foi galardoada no Concurso de Misses como Miss Canárias. No mesmo ano, candidatou-se a Miss Espanha e foi vencedora sendo, por esse motivo, notícia em todos os jornais diários. Dali, concorreu a Miss França, título que arrebatou graças à sua grande elegância e beleza. A encerrar esta fase da sua vida, candidatou-se a Miss Europa, cujo concurso decorreu em Inglaterra, sagrando-se a grande vencedora. É obra!

 

Posteriormente casou com o Prof. Doutor Camacho, um canário que estava em Cuba a exercer a sua profissão de advogado com grande exito.

 

Ao tomar conhecimento de que uma sua conterrânea era Miss Europa meteu-se a caminho para a vir conhecer. Passado pouco tempo casaram.

 

Dessa união nasceram dois filhos: a Alicita e um filho grande médico urologista que vive nos E.U.A.

 

A revolução cubana e todos os desmandos que se lhe seguiram levar o casal a partir para os E.U.A.

 

Curiosamente, Alícia saiu de Cuba com o auxilio de Fidel de Castro, o qual lhe permitiu que levasse consigo as suas jóias.

 

Entretanto, o marido foi para Nova Iorque com a secretária e Alícia foi viver para Paris com a sua filha Alicita.