Jean Vendome I um Artista Joalheiro

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A L’École des Arts Joailliers, em Paris, tem a honra de prestar homenagem a Jean Vendome, joalheiro excepcional e pioneiro da joalharia contemporânea, de 8 de Outubro a 18 de Dezembro de 2020 - O universo de um criador aventureiro, que, como verdadeiro artista, se dedicou a criar o seu próprio mundo de jóias, contrariando as tendências da moda com um estilo pessoal e pioneiro, o que faz com que as suas peças tenham uma singularidade únicas. Simples, mas sofisticadas, poderosas e intrincadas, excêntricas, mas bem projectadas, construídas e desconstruídas, as joias de Jean Vendome são sempre emocionantes. Para ser apreciada plenamente, a jóia deve ser amada e compreendida.

As colecções particulares em exibição destacam o lado visionário das suas criações. Estão expostas cerca de cento e trinta peças, incluindo o maravilhoso colar de Aléna Caillois. A retrospectiva também apresenta peças de colecções públicas de instituições de arte, como o Musée des Arts Décoratifs de Paris, assim como a espada de Roger Caillois, cedida pelo Musée des Confluences de Lyon.

A exposição apresenta uma ampla gama das peças de Vendome. Os visitantes podem admirar as suas pesquisas inovadoras das formas e a sua abordagem avant-garde às mudanças de escala e tradições, a fim de adaptar as suas jóias para as mulheres modernas e vanguardistas dos anos 1970. 

As prolíficas criações de Jean Vendome ressoam como um eco poético e significativo dos principais movimentos artísticos da segunda metade do século XX. Da arte pop à cinética e ao sonho da missão espacial da Apollo 13, as suas jóias evoluíram para criações, como Constelações, Aurora Boreal e Espaço durante os anos 1970. As formas geométricas dos arranha-céus em “Les Tours” mostram a sua paixão pela arquitectura urbana e a sua atracção pelas alturas. Os anos 1980 foram a década dos seus “passeios imaginários”, onde jogou a analogia mimética das ágatas, fragmentos da eternidade e jóias de ouro fosco e polido com quartzo “fantasma”, quartzo rutilado e ágata dendrítica. A década de 1990 é marcada pelo uso de cores cada vez mais fortes, que Jean Vendome chamou tons “errantes” ou “selvagens”. Foi uma época de utopia e sonho.

Jean Vendome, cujo nome verdadeiro era Ohan Tuhdarian, criou a sua primeira colecção de jóias em 1950 e trabalhou incansavelmente até à sua morte em 2017. O seu talento multifacetado combinava elementos excêntricos e surrealistas com design gráfico contemporâneo, dando às suas jóias um design de aparência requintado e utópico.

As peças que criou durante os seus setenta e dois anos intensivos de trabalho demonstraram a arte de realçar pedras finas combinando-as com materiais preciosos, usando uma técnica de joalharia altamente desenvolvida. No entanto, observou sempre a sua regra pessoal: mostrar as pedras sem as trair.

 Este mestre foi um pioneiro da joalharia moderna, e a sua abordagem exclusivamente criativa colocou o seu trabalho num lugar entre a arte e as jóias em peças de alta qualidade.

Jean rompeu com o foco tradicional na qualidade da pedra - era a beleza das peças que formava a própria essência do seu trabalho, e deu-lhe uma assinatura única, um toque de fantasia onírica que despertaria a emoção e a imaginação; um desejo manifestado de captar a beleza da natureza, tornando-a eterna e para sempre nova.

É por isso sempre escolheu pedras “fantasmas”, como o quartzo rutilado ou o lápis-lazúli, cujas misteriosas inclusões deram à peça uma alma extra. Para ele, o valor da pedra pouco importava. Fosse um diamante, um “geode”, um fóssil ou um seixo, nada era mais importante para este artista e esteta do que criar uma estranha forma de beleza - como dizia Baudelaire, “o belo é sempre bizarro”.

Jean Vendome foi um pioneiro da joalharia moderna com uma obra de arte desenvolvida e uma pequena escultura a ser usada dando um valor expressivo ao seu trabalho. O seu objectivo principal era transformar a joia para mudar a forma como ela era usada e torná-la lúdica e criativa, de forma que partes de um colar e uma pulseira também pudessem ser usadas como fragmentos de um anel ou de uma pregadeira.

Em busca de novas formas, combinou configurações de cristal bruto e esculturas com geodos, entregando-se à paixão pela mineralogia que compartilhou com o seu amigo, o escritor Roger Caillois. As formas e tamanhos desses minerais reflectiam o seu gosto por formas excêntricas e extravagantes que captam o olhar e a luz - eles próprios são jornadas e mundos a serem explorados. O contraste entre formas rectas e recortadas, suaves e ásperas, linhas e curvas, preciosas e cruas, criaram algo incrível que nos toca fisicamente. A riqueza cromática da sua paleta, com flutuações entre cores quentes e frias, ampliou a sua compreensão inata do material. Ao justapor todos esses elementos como um vasto mosaico de memórias de outro mundo, ele criou composições abstractas, metafísicas e poéticas nunca antes vistas na produção de joias, que evocam os quatro elementos: terra, água, ar e fogo.

A Exposição

Jean Vendome foi um escultor em busca de inclusões, esplendor, materiais e cores fascinantes, alquimista e joalheiro, que nunca deixou de surpreender.

Explorar a obra de Jean Vendome (1930-2017) é como mergulhar num universo onde pedras e poesia se entrelaçam, como uma viagem ao coração do mundo mineral. 

A exposição destaca a singularidade de Jean Vendome como designer de jóias do século XX. As suas obras basearam-se nos seus encontros com artistas da sua época, em particular Vasarely e Kijno, Paul-Émile Victor e outros autores, especialmente Roger Caillois, com quem Jean Vendome compartilhava uma paixão pela beleza natural das pedras. A mostra concebida em torno de 130 jóias e objectos que revelam toda a trajectória do seu trabalho salienta três secções dentro da obra visionária do mais incomum artista-joalheiro.

A primeira parte da mostra é focada na profunda renovação de Jean Vendome no design de jóias desde o início da sua carreira, Influenciado pelos movimentos artísticos da década de 1960, ele cultivou uma visão totalmente nova do design de joias, privilegiando formas abstractas e utilizando minerais brutos nas suas composições, concebendo deste modo, uma prática inédita.

A segunda parte do evento é organizada em torno da espada de  Jean Vendome projectada para Roger Caillois. É uma jornada íntima ao génio do artista e inclui peças projectadas para a sua mulher, Nelly, a sua professora de gemologia Dina Level e a mulher de Roger Caillois, Aléna. Cada peça única foi inspirada na beleza das pedras, desde as suas “pinturas indeléveis” de ágatas até aos seus “fragmentos de eternidade” compostos de quartzo fantasma e as “cores vagabundas” das suas paletas de turmalina, quartzo rutilado, apofilita verde e cobalto calcita. O processo criativo de Jean Vendome destacou as qualidades de cada pedra e cada um, por sua vez, impôs certas formas ao escultor.

Por fim, a terceira parte da mostra destaca o universo “baudelairiano” do joalheiro, a sua inclinação por uma certa “beleza bizarra” que implicava uma nova abordagem para o design de joias. Na verdade, Jean Vendome reuniu materiais nobres tradicionalmente associados a jóias e elementos inesperados, implantou combinações inusitadas de formatos e desenvolveu uma estética que rompeu com as práticas e convenções comuns.

L’École des Arts Joailliers dedica-se a promover a história da arte da joalharia, bem como o “savoir faire” e a ciência das pedras, parecia então natural que a escola prestasse homenagem a Jean Vendome. A Escola foi fundada em 2012, graças ao apoio de Van Cleef & Arpels. 

A L’École des Arts Joailliers convida o público em geral a descobrir a gemologia, o “savoir faire” e a história do design das jóias numa série de cursos, palestras, projectos de investigação, exposições e publicações nos seus dois sites permanentes em Paris e Hong Kong. Sessões itinerantes também são oferecidas em todo o mundo. Abertas a todos, as exposições são um componente importante da missão fundamental da L'ÉCOLE de compartilhar a cultura da joalharia com o maior público possível.

Jean Vendome

Jean Vendome, cujo nome verdadeiro era Ohan Tuhdarian, nasceu em 18 de Abril de 1930 e em 1939 no tempo da Segunda Guerra Mundial, que começava a agitar as coisas, a família de Ohan trocou Lyon por Épinay-sur-Seine, uma cidade perto de Paris, em 1939. Os problemas de saúde impediram Vendome de ir à escola e, então com a idade de treze anos, tornou-se aprendiz na joalharia do seu tio Aram, Ohan aprendeu o básico do comércio; a sua habilidade já era aparente. Aos dezoito anos, Ohan abriu a sua primeira oficina no Décimo Oitavo Arrondissement de Paris e, depois durante o serviço militar em Orleans deixou-a sob a gestão da sua irmã Araksi. O talento do jovem não passou despercebido ao director da École des Beaux-Arts de Orléans, que convenceu o seu general a deixá-lo ter aulas de desenho na escola. Durante os seus estudos, Ohan desenvolveu a sua paixão pelo desenho e, particularmente, pela escultura; também assistiu às aulas ministradas pela Professora Dina Level no National Gemology Institute. Ela era uma notável contadora de histórias e a sua orientação ajudou a confirmar a predileção do jovem pela beleza natural das pedras. Esse currículo paralelo aos estudos levou Ohan a abandonar a monotonia de projectar jóias produzidas em massa e dedicar-se às criações escultóricas.

Em 1945, obteve o primeiro prémio e uma bolsa estatal no concurso de desenho da Cidade de Paris.Também teve quatro anos de aulas de gemologia com os professores Georges Göbel e Diane Level.

Aos 18 anos fundou a sua primeira oficina, na rue Feutrier, em Paris. Dois anos depois, criou a sua primeira colecção de jóias e alcançou grande sucesso, marcando assim o início da joalharia contemporânea.Vendome faz parte de uma tendência barroca, destacando-se na joalharia tradicional.

O seu talento multifacetado combinava elementos excêntricos e surrealistas com design gráfico contemporâneo, dando às suas jóias uma criação requintada e inovadora.

Em 1955, criou a linha Overflight, que evocava uma cidade aérea vista de avião, depois as linhas Nocturno e Boreal e ainda o primeiro colar “Cravate” com uma flor de ametistas. As histórias, os postais e as viagens de Paul-Émile Victor influenciaram a sua imaginação. A partir de 1957, Vendome adquiriu o hábito de apresentar uma ou duas novas linhas de jóias por ano.

Em 1959, descobriu as obras de Laurent Jiménez-Balaguer. Em 1965 criou a linha Cosmos e em 1966 participou na exposição “The Japanese Pearl” no Palais d'Orsay em Paris e pela primeira vez na Société des Artistes Décorateurs (SAD) no Grand Palais de Paris.

Em 1968, expôs as suas joias juntamente com as obras de Georges Braque na galeria parisiense Delisle. Nessa época Jean surgiu como um pioneiro da joalharia moderna.

Em 1969, foi promovido a Oficial da Ordem do Mérito, ganhando o prémio Salon de l'École française no Museum of Modern Art. Os Estados Unidos inspiraram-no para as linhas América, Quinta Avenida, Brooklyn, Manhattan, Central Park e New York.

Ao estabelecer-se na boutique oficina, no 352, rue Saint-Honoré,em Paris, Vendome parou de produzir para outros joalheiros e dedicou-se exclusivamente às suas criações. Expôs  na SAD, na galeria Philippe Dalléas, em Bordéus, com o costureiro Paco Rabanne, os pintores Vieira da Silva e Jean Degottex.

Um dia, na década de 1950, Jean Cocteau entrou na sua nova boutique no Boulevard Voltaire. Ele estava à procura de uma jóia desenhada com uma pepita de ouro e Jean Vendome sugeriu um par de botões de punho. Cocteau ficou atraído pelo material - fosco e brilhante, um pouco barroco – Vendome tinha inventado uma técnica para derreter e martelar ouro para que se parecesse com uma pepita. E assim surgiu a primeira colecção de Jean Vendome. Estas peças tiveram um sucesso retumbante e serviria como fonte de inspiração para muitos grandes joalheiros.

Quase ao mesmo tempo, uma senhora trouxe-lhe uma jóia de Lalique para ser derretida. Vendome estudou meticulosamente o esmalte da peça em ouro, ficando fascinado pelas suas cores, que eram delicadas. Um mês depois, devolveu a peça intacta. O seu proprietário estava insatisfeito, mas Vendome havia chegado a uma conclusão importante, que uma peça de joalharia era uma obra de arte que não podia ser derretida, pois o seu valor era inerente ao seu design e não ao material com o qual era feita. 

Numa entrevista inédita em 2012, Jean Vendome salientou a influência de Lalique: “Aquele com quem mais me influenciei e procurei assemelhar-me sempre para criar algumas das minhas jóias, foi René Lalique. Entre as outras fontes de inspiração de Vendome estavam os designers de jóias Vever e Lacloche.

Para as suas primeiras criações, Jean Vendome procurou um material tão maravilhoso e colorido quanto os esmaltes de Lalique. 

Algum tempo depois, em 1956, desenhou o alfinete Mal pavée («Badly» Pavé), uma criação poética de berilo, peridoto e cabochão de turmalina - em vários tons de um azul esverdeado muito claro - dispostos aleatoriamente num fragmento de ouro branco. Foi um presente para a sua mulher, Nelly. Esta primeira revolução levaria Vendome a construir o seu mundo em torno de pedras “selvagens” e imperfeitas e liberaria as suas criações para revelar a riqueza da paleta das pedras.

Privilegiando a estética e a criatividade, soube encontrar o caminho mais de acordo com as suas convicções. 

As jóias de Vendome conseguiram associar-se aos diversos materiais e ao design, concebendo deste modo, peças que se tornaram o ex-libris da joalharia francesa contemporânea. 

 

 

Theresa Bêco de Lobo

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