A Arte Europeia e Americana do Século XIX

A Lição no Jardim, 1886. Berthe Morisot, (Fancesa, 1841 – 1895) Óleo sobre tela. Colecção Frederic C. Hamilton, doação ao Denver Art Museum. Cortesia Denver Art Museum.

Caminho nos Campos de Trigo em Pourville, 1882. Claude Monet (Francês, 1840-1926). Óleo sobre tela. Denver Art Museum, Colecção Frederic C. Hamilton. Cortesia Denver Art Museum.

Nenúfares ou Lago de Nenúfares, 1904. Claude Monet, (Francês, 1840-1926). Óleo sobre tela. Colecção do Denver Art Museum, adquirido com fundos do legado de Helen Dill. Cortesia Denver Art Museum.

O Campo de Trigo com Papoilas, 1887. Vincent van Gogh, (Holandês,1853-1890) Óleo sobre tela. Colecção Frederic C. Hamilton, doação ao Denver Art Museum. Cortesia Denver Art Museum.

Um Pintor no seu Trabalho (Justin Gabet?), (cerca 1874-/5). Paul Cezanne, (Francês, 1839-1906). Óleo sobre painel. Colecção Frederic C. Hamilton, doação ao Denver Art Museum. Cortesia Denver Art Museum.

Ville d'Avray: Caminho na Lagoa, 1865/1870. Jean- Baptiste Camille Corot, (Francês, 1796 - 1875) Óleo sobre tela. Colecção Denver Art Museum, oferta de Lawrence C. Phipps Foundation, 1958. Cortesia Denver Art Museum.

Yarmouth Pier, (cerca 1820/1822. John Constable, (Inglês, 1776 -1837) Óleo sobre papel montado em tela. Colecção Denver Art Museum, oferta de Berger Collection Educational Trust, 2018. Cortesia Denver Art Museum.

O Café da Manhã de Dez Centavos, 1887. Willard Leroy Metcalf, (Americano, 1858 - 1925). Óleo sobre tela. Colecção Denver Art Museum, oferta de T. Edward & Tullah Hanley Collection, 1974. Cortesia Denver Art Museum.

A Janela, (cerca 1865/1870). Éva Gonzalès, (Francesa,1849 – 1883). Óleo sobre tela. Colecção Denver Art Museum, adquirido com fundos através do Departamento de Pintura e Escultura e ainda com fundos adicionais de Friends of Painting and Sculpture, 2017. Cortesia Denver Art Museum.

Exame de Ballet, 1880. Edgar Degas, (Francês, 1834-1917) Pastel sobre papel. Colecção Denver Art Museum, Oferta Anónima, 1941. Cortesia Denver Art Museum.

Rosina Ferrara, Cabeça de uma Moça de Capri, 1878. John Singer Sargent, (Americano,1856 - 1925) Óleo sobre cartão. Colecção Denver Art Museum, Oferta de Berger Collection Educational Trust, 2018. Cortesia Denver Art Museum.

O Denver Art Museum (DAM) para destacar a arte da Europeia e Americana do século XIX, apresenta nas novas galerias do Edifício Hamilton - a extensão deste museu, a colecção de obras de arte desta época e ainda vinte e duas pinturas impressionistas, oferta de Hamilton em 2014. Este notável espólio ilumina um dos séculos mais importantes da história de arte. 

 

Estão expostas cerca de oitenta obras de arte do acervo do museu de Denver nas novas galerias projectadas para esse efeito, incluindo pinturas, esculturas e trabalhos sobre papel, entre outros exemplares, de Claude Monet, Vincent van Gogh, Berthe Morisot, Edgar Degas, Paul Cézanne, Édouard Manet, Willard Leroy Metcalf, Pierre-Auguste Renoir, William-Adolphe Bouguereau, Thomas Cole e Childe Hassam. Com curadoria de Angelica Daneo, a curadora-chefe do museu e curadora de arte europeia a partir de 1900. A mostra apresenta uma selecção de obras que vão desde o final de 1700 até ao início de 1900, destacando um século crucial na história da arte, com o aparecimento e o desenvolvimento dos movimentos artísticos desde o academicismo e realismo ao impressionismo. 

 

As Galerias do Edifício Frederic C. Hamilton

O Edifício Frederic C. Hamilton, é a extensão do Denver Art Museum de 146.000 pés quadrados,e  é revestido por uma superfície nova e inovadora com 9.000 painéis de titânio que cobrem a superfície do edifício e salientam a magnífica paisagem do Colorado. O projecto destas galerias foram concluídas em 2006. 

A extensão do Museu que foi projectada pelo Studio Libeskind para o Denver Art Museum é um dos edifícios do Studio a ser realizado nos Estados Unidos da América. Uma silhueta contra o cenário imponente das Montanhas Rochosas, o design de Libeskind consiste numa série de volumes geométricos inspirados nos picos e vales da cordilheira. Este edifício é uma extensão do existente Denver Art Museum, que  foi projectado pelo arquitecto milanês Gio Ponti, que foi inaugurado em 1971.

O arquitecto concebeu o projecto de extensão como parte de uma composição dos espaços públicos, monumentos e portões nesta zona em desenvolvimento da cidade.

“As formas do edifício foram revestidas de titânio em forma de fragmentos do Edifício Frederic C. Hamilton do Denver Art Museum explodiram no centro da cidade com a energia de um raio. … O edifício irregular é uma arquitectura surpreendente e bem-sucedida em plena baixa da cidade,” disse Suzanne Stephens, Architectural Record (Janeiro de 2007).

Estas galerias foram abertas ao público pela primeira vez em Outubro de 2006. Frederic C. Hamilton foi o mecenas deste edifício e liderou duas grandes campanhas de doação para o Denver Art Museum durante a sua gestão, aumentando esses activos para mais de 100 milhões dolares. Além disso, também liderou a angariação de fundos para concluir o projecto de expansão de 110 milhões de dolares. Em reconhecimento ao seu apoio de longa data, o museu chamou à sua extensão -  Edifício Frederic C. Hamilton. 

 

Frederic C. Hamilton

Frederic C. Hamilton (1927 – 2016) serviu como presidente emérito do Conselho de curadores do Denver Art Museum (DAM).  Actuou como vice-presidente do Denver Art Museum no início de 1984, tornou-se presidente do conselho de curadores em 1994 e participou como co-presidente com J. Landis (Lanny) Martin de 2011 a 2013. Hamilton dirigiu o museu através de vários projectos importantes, mais notavelmente o planeamento, financiamento e construção do Edifício Frederic C. Hamilton, projectado por Daniel Libeskind. 

 

A exposição

A revolução industrial aconteceu ao lado da exaltação da natureza inalterada; as revoluções políticas foram alternadas com a restauração dos regimes conservadores; e na arte, o século começou com uma fixação nas antiguidades e terminou com um percurso em direcção à abstração, uma mudança tão inovadora, que quase não há comparação com os séculos passados.

A mostra salienta algumas das suas obras mais conhecidas, como “O Exame de Ballet”, de Degas, O Pintor no seu Trabalho” de Paul Cézanne,” A Lição no Jardim”  de Berthe Morisot, “Campo de Trigo com Papoilas” de Vincent van Gogh, “O Pequeno Almoço de Dez Centavos” de Willard Leroy Metcalf e “A Janela” de Éva Gonzalès. A instalação da galeria apresenta informações em bilíngues, elementos interpretativos e conteúdos projectados para envolver visitantes de todas as idades e origens.

“Estamos entusiasmados em compartilhar as mudanças radicais que ocorreram na Europa e na América no século XIX por meio dessas obras-primas da nossa colecção. A adição do acervo de Frederic C. Hamilton permite-nos contar novas histórias, e fazê-lo. no edifício que Hamilton ajudou a tornar realidade para o Denver Museum of Art,” disse, Jan Mayer, director do Denver Art Museum.

A colecção de 22 obras de Arte Europeia e Americana do século XIX de Frederic C. Hamilton foi oferecida ao Denver Museum of Art, incluindo quatro obras de Claude Monet, assim como as primeiras pinturas de Vincent van Gogh e Paul Cézanne. 

A mostra Século XIX na Arte Europeia e Americana está organizada em seis secções, destacando-se sobretudo as pinturas francesas e, em particular, paisagens, acompanhadas de retratos e naturezas mortas. Uma galeria apresenta as obras do início do século XIX, destacando os anos cruciais da arte e da história após a Revolução Francesa de 1789. As obras em exibição nesta secção revelam um afastamento das paisagens clássicas de 1700, centradas na harmonia e no equilíbrio e uma mudança em direcção às reacções emocionais individuais. No início do século XX, os artistas começaram a retratar a natureza como alternadamente temperamental ou íntima, às vezes grandiosa e sublime, independente e ainda sujeita ao estado pessoal do espírito e do coração do artista.

Outra secção destaca obras de artistas que procuraram mais realismo, em particular, a Escola de Barbizon, que foi um movimento artístico que se sucedeu entre 1830 e 1870, formada pelos artistas franceses que pintavam na Floresta de Fontainebleau perto da vila de Barbizon, deixando Paris, numa atitude de aberta oposição ao sistema vigente. Esta área ofereceu aos pintores a oportunidade de estudar a natureza directamente, traduzindo-a na tela sem a necessidade de a embelezar ou melhorar. A sua procura pelo realismo e desdém pela sufocante arte artística, as convenções também foram evidentes na sua técnica: mais livres, mais soltas e mais dependentes dos efeitos da cor do que da definição da linha.

Os pintores de Barbizon integraram o realismo pictórico francês, que com Jean-Baptiste Camille Corot, Jean-François Millet e Théodore Rousseau, os quais reagiram ao formalismo do Romantismo de um Delacroix.

Em 1824, o Salão de Paris exibiu uma exposição do pintor John Constable. As suas cenas rurais influenciaram alguns artistas jovens, fazendo que eles abandonassem o formalismo e o academicismo para procurar a sua inspiração directamente na Natureza. A paisagem e outras cenas naturais foram a sua temática mais recorrente, como elemento protagonista da sua pintura e não como mero pano de fundo de efeitos dramáticos ou cenas mitológicas.

Durante as revoluções de 1848, um grupo de artistas começou a reunir-se em Barbizon, onde seguiam as ideias de Constable. Deste grupo faziam parte Théodore Rousseau, Jean-Baptiste Camille Corot, Jean-François Millet e Charles-François Daubigny. Outros membros foram Jules Dupré, Narcisse Virgilio Diaz, Henri Harpignies, Félix Ziem, Alexandre DeFaux, Albert Charpin, Constant Troyon e Jules Jacques Veyrassat. Estes pintores mantiveram um estilo realista, porém de entonação ligeiramente romântica, que se caracterizava pela sua especialização quase exclusiva nas paisagens e no estudo directo do natural. Influenciando no resto da pintura francesa do século XIX, em especial no Impressionismo. Usualmente faziam esboços ao ar livre, para terminar as obras no atelier. Renunciam ao género pitoresco da vida campestre e lançam-se a analisar a natureza de um modo quase escrupuloso, observação que produziu efeitos sentimentais na alma do pintor, adquirindo as suas paisagens com uma qualidade dramática perceptível.

Os impressionistas franceses, incluindo Monet, levaram essas idéias ainda mais longe e procuraram continuar a observar a natureza directamente e pintar a sua aparência real e sem adornos na segunda metade do século XIX. Inspirados a pintar a vida moderna ao seu redor, em vez de cenas imaginárias de um passado mitológico, os impressionistas abraçaram a modernidade e as paisagens mutáveis ​​dos seus tempos.

Convidando a crítica da conservadora Académie des Beaux-Arts (Escola de Belas Artes) que privilegiava temas grandiosos e históricos, os temas dos impressionistas incluíam chaminés de fábricas, parisienses com vestidos com a última moda e pessoas comuns do campo. A pintura foi mudada para sempre com a técnica impressionista de pinceladas soltas em telas na sua maioria sem a definição polida tão reverenciada pelos académicos.

“Toda a informação dada nesta exposição foi criada para envolver e enriquecer a experiência das galerias aos visitantes de todas as idades e origens. Toda a informação da exposição, incluindo conteúdos em bilíngue, assim como contexto adicional para crianças, famílias e adultos, são apresentados ao lado das obras de arte em todas as galerias para informar melhor o visitante, disse Lauren Thompson, especialista em organizações das mostras do Denver Art Museum.

“Nunca antes o Denver Art Museum apresentou uma série tão grande das suas obras de arte do século XIX. Para a história da arte, este é um século crucial”, disse Angelica Daneo.

Os anos 1800 foram caracterizados pela atracção dos opostos: o desenvolvimento da cidade e a urbanização coexistiram com a redescoberta da natureza; as academias de arte conservadoras lutaram com artistas progressistas sobre o que era qualificado como arte; e o debate sobre a prioridade da linha ou da cor na pintura traduziu-se numa competição visual entre superfícies altamente acabadas e esboçadas. Estamos muito satisfeitos em poder apresentar aos nossos visitantes uma exposição que mostra as várias mudanças estilísticas do século XIX e a contribuição de tantos artistas para as bases do século XX. E, na Moda & Moda estamos mito felizes por poder partilhar com os nossos leitores as obras-primas a que vamos tendo acesso, graças ao respeito que os grandes museólogos têm pela revista Moda & Moda - a nossa  e a sua!

Theresa Bêco de Lobo

Edifício Frederic C. Hamilton, Extensão do Denver Art Museum, projectado pelo Arquitecto Daniel Libeskind. Cortesia Denver Art Museum.

Edifício Frederic C. Hamilton, Extensão do Denver Art Museum, projectado pelo Arquitecto Daniel Libeskind. Cortesia Denver Art Museum.

O Interior do Edifício Frederic C. Hamilton, Extensão do Denver Art Museum, projectado pelo Arquitecto Daniel Libeskind. Cortesia Denver Art Museum.

Vista Geral da Exposição A Arte Europeia e Americana do Século XIX. Cortesia Denver Art Museum.

Vista Geral da Exposição A Arte Europeia e Americana do Século XIX. Cortesia Denver Art Museum.

Vista Geral da Exposição A Arte Europeia e Americana do Século XIX. Cortesia Denver Art Museum.

Vista Geral da Exposição A Arte Europeia e Americana do Século XIX. Cortesia Denver Art Museum.

Vista Geral da Exposição A Arte Europeia e Americana do Século XIX. Cortesia Denver Art Museum.

Vista Geral da Exposição A Arte Europeia e Americana do Século XIX. Cortesia Denver Art Museum.

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Vista Geral da Exposição A Arte Europeia e Americana do Século XIX. Cortesia Denver Art Museum.

Vista Geral da Exposição A Arte Europeia e Americana do Século XIX. Cortesia Denver Art Museum.