Giorgio Armani Prive

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Armani I Um conhecimento com mais de 50 anos

Conheci Giorgio Armani em Outubro de 1970 ao observar a ligeireza com que estava a vestir, com tecido, uma manequim na Standa, em Roma. Fiquei boquiaberta a observar a destreza e a habilidade das suas mãos para “construir” um vestido num manequim sem vida. Não resisti e dei-lhe os meus parabéns. Ele que não era muito simpático disse: Grazie!

Aconteceu na primeira viagem que fiz com o meu marido ao estrangeiro. Os nossos bilhetes davam para ir a Atenas, mas perante a beleza de Roma considerei que o melhor era ficar por ali e visitar tanto quanto possível aquela admirável cidade. E ali ficámos a visitar tanto quanto se pode ver em 10 dias o que nem num ano se consegue ver… Foi muito bom ficar porque regressei com a alma cheia. Para o meu marido que era todo de ciências também não foi mau. Aquela cidade abre horizontes a qualquer pessoa.

Curiosamente, mal eu sabia que a minha vida dava tantas voltas que as idas a Roma passaram a ser, obrigatoriamente, 4 vezes por ano. Só com essas deslocações conseguia fazer a cobertura do Pronto a Vestir e da Alta Costura de Roma e também ia a Milão duas vezes por ano para o Pronto-a-Vestir. Bons tempos!

Eu cansava-me, mas adorava e a TV Guia facturava em grande com o meu trabalho. Depois, tudo se desmoronou quando Valentino se zangou com o presidente da Câmara de Roma por causa da cor das almofadas que ficavam nas cadeiras quando se faziam os desfiles na escadaria da Praça de Espanha. Valentino queria as almofadas na cor do seu vermelho que tem um pouco de alaranjado e o outro, que já pouca gente se deve lembrar quem foi, perdeu aquela grande propaganda da moda italiana, porque o Valentino virou-lhe as costas e veio para Paris onde o continuei a ver e a aplaudir.

Ora, neste tempo, não se ouvia falar do Armani. Ele começou a fazer Pronto a Vestir em Milão e também uma moda jovem para bolsas mais fracas. Hoje, Armani é um dos homens mais ricos de Itália e os seus modelos têm a maior aceitação em todos os sectores. No entanto, nunca achei que ele fosse um grande mestre de vestidos de noite, embora não tenha desprezado essa fatia que pelo seu alto preço rende mais do que uma colecção de T-Shirts.

Nesta temporada, os seus modelos em azul,deixaram-me fascinada e gosto sempre de partilhar com as minhas leitoras aquilo de que mais aprecio, apesar de nunca me ter sentido uma ditadora de coisa nenhuma, daí que nunca daria para “Influencer”, uma actividade tão em voga que até me deixa a sorrir...

Sempre me interessei pela História de Moda e, por isso, o Carnaval era uma data pela qual ansiava para ver o vestuário antigo sair das arcas e arejar em alguns bailes.

Confesso que tive a sorte de ter tias da minha avó com vestidos e casaquinhos lindos que eu vestia e fazia um brilharete.

Depois cresci e comecei a coleccionar algumas peças de vestuário. Depois, apresentei uma colecção de vestuário e acessórios de moda numa mostra que a FIL organizou em 1974.

A exposição foi inaugurada pelo Presidente da República Almirante Américo Thomaz, o qual elogiou as minhas peças, sem no entanto, me ter deixado de fazer a advertência: “se o seu avô fosse vivo era capaz de não aprovar a apresentação da lingerie antiga”. Sorri para ele! Que havia de fazer?

Mas, a minha mostra teve um grande sucesso. Os visitantes faziam fila para a ver.

No Diário de Notícias tinha espaço à minha disposição para escrever de moda antiga.

Posteriormente, surgiu a TV Guia e lembrei-me de propor uma página de moda actual. Tive no Afonso Rato o maior apoio. Sempre me percebeu e como as suas propostas tiveram grande aceitação entre os leitores, fez história.

Voltando ao Armani que sempre me estimou aqui vos trago alguns modelos lindos em tons de azul, um compromisso entre o céu e o mar- uma das nossas paixões. E o que ele evoluíu, santo Deus! Bravo, amico Armani! Quantas vezes estivémos juntos. Quanto beneficiou o António Pedro Ferreira que ia comigo fotografar e o primeiro a entrar para assistir ao desfile, com direito a escolher o melhor ângulo? Será que ainda se lembra disto e sente alguma nostalgia? Não sei! Apenas, recordo tudo isso com saudade.

 

M. G.