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Residência Artística I Cerâmica Britânica da Colecção Ian e Rita Smythe

Vaso, por William De Morgan, 1881 - 1904, Londres, Inglaterra. Crédito da imagem: Museum 2018 © Victoria and Albert Museum, London. Cortesia Victoria and Albert Museum, London.

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Prato, decorado por Alice Rathbone e Ruth Bare, realizado por Della Robbia Pottery, 1903, Birkenhead, Inglaterra. Crédito da imagem: Museum 2018. © Victoria and Albert Museum, London. Cortesia Victoria and Albert Museum, London.

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Garrafa, pintada por Eliza Jameson Strutt, realizada por Minton Art Pottery, 1872/ 73, Londres, Inglaterra. Crédito da imagem: Museum 2018. © Victoria and Albert Museum, London. Cortesia Victoria and Albert Museum, London.

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Placa, pintada por William Stephen Coleman, realizada por Minton Art Pottery, 1871/75, Inglaterra. Crédito da imagem: Museum 2018. © Victoria and Albert Museum, London. Cortesia Victoria and Albert Museum, London.

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Jarra, pintada por Leonard King, realizada por Burmantofts Pottery, cerca de 1885/ 90, Leeds, Inglaterra. Crédito da imagem: Museum 2018 © Victoria and Albert Museum, London. Cortesia Victoria and Albert Museum, London.

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Jarras, pintadas por Mary Butterton, realizadas por Doulton Lambeth, cerca de 1885, Londres, Inglaterra. Crédito da imagem: Museum © Victoria and Albert Museum, London. Cortesia Victoria and Albert Museum, London.

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Jarra, pintada por Alice Louisa Jones, realizada por Della Robbia Pottery, 1903/06, Birkenhead, Inglaterra. Crédito da imagem: Museum 2018. © Victoria and Albert Museum, London. Cortesia Victoria and Albert Museum, London.

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Marcador, pintado por Charlotte H. Spiers, 1882, Londres, Inglaterra. Crédito da imagem: Museum 2018. © Victoria and Albert Museum, London. Cortesia Victoria and Albert Museum, London.

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Jarra, pintada por Margaret E.Thompson, fabricada por Doulton Lambeth, cerca de 1900/05, Londres, Inglaterra. Crédito da imagem: Museum 2018. © Victoria and Albert Museum, London. Cortesia Victoria and Albert Museum, London.

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Mostrar a cerâmica de arte numa casa era de grande importância para criar uma residência 'artística', que era moda no final do século XIX. Esta exposição mostra a criatividade e inovação dos oleiros de arte britânicos e dos seus artistas, muitos deles mulheres, que pintaram e decoraram os artigos à mão.

 

A exposição no Victoria & Albert Museum em Londres apresenta peças de cerâmica, que fazem parte da colecção do museu e é um evento notável dedicado ao trabalho exemplar desse grupo de artesãos, muitos deles mulheres, a quem foram dadas oportunidades sem precedentes, de criar cerâmicas tão atraentes para a decoração das residências particulares.  Compartilhando o Movimento Arts and Crafts, os seus ideais da filosofia internacional, a criação destas peças de cerâmica favoreceu uma estética notável por unir design e artesanato, assim como pelo uso de diversos materiais. 

​A exposição apresenta mais de 70 obras de 14 artistas da colecção Ian e Rita Smythe, que faz do Victoria & Albert Museum. As peças estão expostas e reunidas, como teriam sido na época da sua criação, os objectos convidam os visitantes a explorar a filosofia e a arte do Movimento Arts and Crafts em Inglaterra, assim como as histórias dos seus criadores.

​O Arts and Crafts foi um movimento estético, que nasceu em Inglaterra no ano de 1860, como parte de um grande esforço reformador, que teve em John Ruskin e William Morris os seus principais responsáveis. A Ruskin coube o papel de rejeitar a distinção entre as Artes Maiores e Artes Menores.

 Volvida uma década (1870), o referido movimento Arts and Crafts espalhou-se por outros países incluindo a América com uma acção igualmente importante pois evidência o papel do decorador profissional, promoveu a participação activa da mulher na Arte, estimulou a educação artística e preparou o terreno para a moderna progressão de todas as Artes Decorativas.

De facto, à falta de iniciativas capazes de procurar novas formas, o mundo europeu tinha-se refugiado no passado e procurava reencontrar as tradições. O gótico inglês do século XV tinha tomado um tal carácter sublime para os homens vitorianos que o “gothic revival” apareceu como um fenómeno de legitimidade incontestável. Reinava por toda a Europa a paixão pelos objectos antigos. Os bancos, os mercados e as gares dir-se-ia não terem sido realizados para industriais ou comerciantes, mas sim para cavaleiros e monges da Idade Média.

​Era urgente reagir e ter espírito de aventura. Contra alguns homens como William Morris, Ruskin, Owen Jones, James Whistler e Walter Crane desencadeava-se um duplo poder: o dinheiro ligado ao conservadorismo rotineiro e a fortaleza da arte dita oficial, prestigiada pelas autoridades de uma sociedade fechada a qualquer novidade.

Sem apoio e com arrojo, estes homens decidem desembaraçar as casas burguesas dos adornos anacrónicos e dar-lhes um estilo novo adaptado aos usos da época.

​A concepção do novo movimento não era apenas uma revolução estética, uma poesia, uma filosofia e um movimento do pensamento humanístico, mas também um conceito aberto que abrangia múltiplas implicações no domínio das relações do homem com a Arte e das relações da Arte com a sociedade.

​ No princípio da denominada “Era Estética” como alternativa, os ideólogos deste movimento propunham defender os saberes tradicionais e requalificar o artesanato americano, passado para segundo plano com a chegada da industrialização. Imediatamente surgiram grupos de arquitectos e artistas, apologistas de um papel social a ser desempenhado pela arte na educação da sensibilidade e do gosto. Ao mesmo tempo, procuravam encontrar meios adequados à produção manual de objectos originais.  Surgiu então a preocupação, por parte dos coleccionadores, da composição dos espaços de modo a valorizar os objectos preciosos, assim nascendo um sentido de unidade na decoração de interiores.

A exposição destaca o trabalho de alguns ceramistas, como William De Morgan (1839 - 1917) que era muito mais do que o amigo oleiro de William Morris, como é frequentemente recordado. Foi o designer mais inventivo e inovador do Movimento Arts and Crafts.

De Morgan foi um ceramista altamente imaginativo e inovador, que produziu milhares de desenhos para azulejos, vasos e pratos, bem como experimentou os aspectos técnicos da produção de cerâmica. Outra ceramista importante desta época, foi Rebecca Coleman.

Também de destacar as empresas que fabricaram as cerâmicas do Movimento Arts and Crafts, como: 

Burmantofts art pottery, que produziu cerâmica entre 1880 e 1904, por incentivo de James Holroyd, o director das peças, como complemento dos produtos cerâmicos industriais vidrados. As empresas como a Mintons, Royal Doulton e William De Morgan tinham estabelecido um mercado para objectos decorativos domésticos de classe média. A empresa teve a sorte de ter quatro tipos de argila de alta pureza no mesmo local. A plasticidade dava uma boa reprodução da forma e o baixo teor de ferro significava que não havia descoloração por oxidação quando disparada a alta temperatura, dando esmaltes de alta clareza e brilho.

 

A Olaria Della Robbia era uma fábrica de cerâmica fundada em 1894 em Birkenhead, perto de Liverpool, Inglaterra. Foi encerrada em 1906. Inicialmente produzia principalmente grandes peças com elevadas aspirações artísticas, especialmente painéis em relevo para uso arquitectónico, mas também vasos e placas ornamentais, destinados à exposição e não ao uso.

O nome foi tirado da célebre oficina familiar fundada por Luca della Robbia em Florença do século XV, que se especializou em grandes relevos coloridos instalados nas paredes. 

As peças desta empresa cerâmica foram estabelecidas como uma verdadeira cerâmica dos Arts and Crafts nas linhas defendidas por William Morris, utilizando mão-de-obra local e matérias-primas como o barro vermelho local de Moreton, Wirral. A olaria, toda de barro, tinha esmaltes de chumbo lustroso e padrões frequentemente utilizados de plantas entrelaçadas, típicas da Art Nouveau, com motivos heráldicos e islâmicos.

 

A cerâmica Doulton foi fundada por John Doulton (1793-1873) e John Watts que estavam a negociar a empresa, como Doulton & Watts a partir de Lambeth High Street em 1826. Havia muitas olarias na zona nessa altura, aproveitando a localização na margem do rio para trazer materiais e retirar os produtos acabados. 

Doulton & Watts produziram recipientes utilitários de grés vitrificado com sal e mais alguns artigos decorativos. Na década de 1830 tinham construído dois novos fornos e estavam também a produzir recipientes químicos de grés resistente ao ácido e artigos arquitectónicos de terracota, tais como chaminés e telhas. Começaram também a produzir a gama de artigos de caça que continuaram em produção nos anos 50.

 

A cerâmica Minton foi criada por Thomas Minton, que se tinha mudado para Stoke em 1793 e aí abriu a sua fábrica recentemente construída em 1796 - passou a ser o rival mais próximo da Spode.

A fábrica Minton, tornou-se conhecida pela louça Minton - uma majolica de cor creme e de barro azul. A fábrica destacou-se no período vitoriano pelas suas porcelanas de "arte". Também popularizou o célebre padrão chamado Willow.

A cerâmica Minton foi a fonte de abastecimento mais popular no século XIX de louça feita por encomenda para embaixadas e para chefes de estado e o nome continua até hoje como parte do Grupo Waterford, Wedgwood e Royal Doulton.

Excelente exposição, que nos mostra à saciedade como estes artesãos ligados ao chamado “Movimento Arts and Crafts” redescobriram a poesia dos objectos e a magia das cores, a reacção contra a vida ritmada pela máquina, o desejo de evasão de um passado suficientemente afastado para se cobrir de sonhos e demasiado próximo para ser esquecido e finalmente, que em Arte os verbos se conjugam numa linguagem universal.

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