A Mulher Moderna Atrás da Máquina Fotográfica (I I Parte)

Sem Título - Menino com Gato, 1934. Dora Maar. Impressão a gelatina e brometo de prata. Créditos da imagem: © 2020 Artists Rights Society (ARS), New York / ADAGP, Paris. Image © The Metropolitan Museum of Art. Image source: Art Resource, NY. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Purchase, Twentieth-Century. Photography Fund e. Oferta de Kurtz Family Foundation, 2015. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Subida para a Catedral, 1938. Kati Horna. Impressão a gelatina e brometo de prata. Créditos da imagem: © Ana María Norah Horna Fernandez. Colecção National Gallery of Art, Washington, Alfred H. Moses and Fern M. Schad Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Auto-retrato Mascarado, 1930. Gertrud Arndt. Impressão a gelatina e brometo de prata. Créditos da imagem: © 2020 Artists Rights Society (ARS), New York / VG Bild-Kunst, Bonn. Fotografia: © Museum Folkwang Essen–ARTOTHEK. Colecção Museum Folkwang, Essen. Cortesia National Gallery of Art, Washington

New York, (cerca 1942). Helen Levitt. Impressão a gelatina e brometo de prata. Créditos da imagem: © Helen Levitt Film Documents LLC. All rights reserved. Courtesy of Thomas Zander Gallery. Colecção National Gallery of Art, Washington, oferta de William H. Levitt. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Os Parasitas, (cerca 1955). Lola Álvarez Bravo. Impressão a gelatina e brometo de prata. Créditos da imagem: © Center for Creatvie Photography, The University of Arizona Foundation. Colecção Daniel Greenberg e Susan Steinhauser. Cortesia National Gallery of Art, Washington

As Cinzas de Mahatma Gandhi Transportadas numa Procissão, Allahabad, Fevereiro de 1948. Homai Vyarawalla. Impressão a gelatina e brometo de prata. Créditos da imagem: Homai Vyarawalla Archive / The Alkazi Collection of Photography. Colecção Homai Vyarawalla Archive / The Alkazi Collection of Photography. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Prisioneiros, Stalingrado, impresso (cerca 1943). Galina Sanko. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção Robert Koch Gallery. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Atrás das Linhas de Frente, os Trabalhadores de uma Fábrica, que foram Evacuados da Ucrânia para uma Cidade no Rio Volga, 1942. Galina Sanko. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção Robert Koch Gallery. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Adam Trujillo e o seu Filho Pat, Taos, Verão 1933. Marjorie Content. Impressão a gelatina e brometo de prata. Créditos da imagem: © Estate of Marjorie Content. Colecção.National Gallery of Art, Washington, Oferta da Gallery Girls. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Jovem do Vale Guttach, Floresta Negra, (antes 1934). Erna Lendvai-Dircksen. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção The J. Paul Getty Museum, Los Angeles. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Sem título - Residência do Pueblo, com uma Mulher Segurando uma Taça, (cerca 1930). Laura Gilpin. Impressão de platina. Créditos da imagem: © 1979 Amon Carter Museum of American Art, Fort Worth, Texas. Colecção Prints and Photographs Division, Library of Congress, Washington, D.C. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Apenas Turquistão, 1935. Ella Maillart. Volume encadernado. Colecção National Gallery of Art Library, Oferta do Department of Photographs. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Nu, 1929. Yvonne Chevalier. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção National Gallery of Art, Washington, Alfred H. Moses and Fern M. Schad Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Composição do Retrato - Mulher com Cartas, 1930. Florence Henri. Impressão a gelatina e brometo de prata. Créditos da imagem: © Galleria Martini & Ronchetti, courtesy Archives Florence Henri; Image © The Metropolitan Museum of Art. Art Resource, NY. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Ford Motor Company Collection, Gift of Ford Motor Company and John C. Waddell, 1987, Florence Henri. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Calistenia (Calisthenics) no Estádio, Jogos Olímpicos, Berlim, 1936. Leni Riefenstahl. Impressão a gelatina e brometo de prata. Créditos da imagem: bpk / Leni Riefenstahl; Image © The Metropolitan Museum of Art. Art Resource, NY. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Ford Motor Company Collection, Oferta de Ford Motor Company and John C. Waddell, 1987. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Alunos da Escola de Arte Sir Jamsetjee Jeejeebhoy, Bombaim, final da década de 1930, impresso mais tarde. Homai Vyarawalla Impressão jacto de tinta Créditos da imagem: Homai Vyarawalla Archive / The Alkazi Collection of Photography. Colecção Homai Vyarawalla Archive / The Alkazi Collection of Photography. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Aluna com Bola de Praia, cerca 1925. Irene Bayer-Hecht. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção The J. Paul Getty Museum, Los Angeles. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Gret Palucca, 1925. Charlotte Rudolph. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção National Gallery of Art, Washington, Alfred H. Moses and Fern M. Schad Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Ballet "L’ Errante", Paris, 1933. Ilse Bing Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção National Gallery of Art, Washington, Alfred H. Moses and Fern M. Schad Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Lieselotte Felger, a Cintura de Vespa na Dança, o Pião, Berlim, 1931. Lotte Jacobi. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção National Gallery of Art, Washington, Patrons' Permanent Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Toni Birkmeyer-Ballet Company em "Cancan", Viena, (cerca 1930). Trude Fleischmann. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção Michael Mattis and Judith Hochberg. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Sem Título - Jóias, (cerca 1930). Yva. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção National Gallery of Art, Washington, Corcoran Collection (Oferta de Women's Committee of the Corcoran Gallery of Art, Brenda and Robert Edelson Collection) Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Pétrole Hahn, 1931. ringl + pit (Grete Stern, Ellen Auerbach). Impressão jato de tinta. Créditos da imagem: © ringl + pit, courtesy Robert Mann Gallery, New York; Image © The Metropolitan Museum of Art. Art Resource, NY. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Ford Motor Company Collection, Oferta de Ford Motor Company and John C. Waddell, 1987. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Mariette Pachhofer (Mais Tarde Mariette Lydis), 1921. Madame d'Ora. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção National Gallery of Art, Washington, Robert B. Menschel and the Vital Projects Fund and the R. K. Mellon Family Foundation. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Sem Títula-Jóias, (cerca 1930). Yva. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção National Gallery of Art, Washington, Patrons' Permanent Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Sem Títula, 1932. Toni von Horn Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção National Gallery of Art, Washington, oferta de Charles van Horne em homenagem à família de Toni von Horn. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Modelo fora da Casa Rose Pauson, 1942. Louise Dahl-Wolfe. Impressão a gelatina e brometo de prata. Créditos da imagem: © Center for Creative Photography, Arizona Board of Regents. Colecção National Gallery of Art, Washington, Alfred H. Moses and Fern M. Schad Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Publicidade de perfume para Maggy Rouff, (cerca 1935/1938), impresso mais tarde. Jeanne Mandello Impressão a gelatina e brometo de prata. Créditos da imagem: © 2020 Isabel Mandello. Colecção Isabel Mandello Collection. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Estudo para "Homenagem de Schiaparelli" (Lily Perfume), Paris, 1934. Ilse Bing. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção National Gallery of Art, Washington, Oferta de Ilse Bing Wolff. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Sem Título, 1946. Frances McLaughlin-Gill. Impressão a gelatina e brometo de prata. Créditos da imagem: © The Estate of Frances McLaughlin-Gill, 2018. Colecção National Gallery of Art, Washington, R. K. Mellon Family Foundation. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Chapéu Transparente, (cerca 1950). Lillian Bassman. Impressão a gelatina e brometo de prata. Créditos da imagem: © Estate of Lilian Bassman. Colecção National Gallery of Art, Washington, Renee Harbers Liddell Fund and Alfred H. Moses and Fern M. Schad Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Modelos com Peças de Carolyn Schnurer, 1945/1946. Genevieve Naylor Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção National Gallery of Art, Washington, Oferta de Peter Reznikoff. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Sem título (Bikini de Natalie Nickerson Paine, em Montego Bay, Jamaica), 1946. Toni Frissell. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção Toni Frissell Collection, Prints and Photographs Division, Library of Congress, Washington, D.C. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Exposição de Fotografia "Living New Look", 1950, impresso em 1993. Tsuneko Sasamoto. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção, Tokyo Photographic Art Museum. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Preparação dos Fios para Tecelagem, 1948. Wynn Richards. Colagem da Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção Prints and Photographs Division, Library of Congress, Washington, D.C. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Woodbury Soap, 1924. Margaret Watkins. Impressão de paládio. Créditos da imagem: © The Estate of Margaret Watkins, Courtesy Robert Mann Gallery. Colecção National Gallery of Art, Washington, Alfred H. Moses and Fern M. Schad Fund. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Melancia Hebraica, (cerca 1935). Liselotte Grschebina. Impressão a gelatina e brometo de prata. Fotografia: Liselotte Grschebina. Créditos da imagem: © The Israel Museum, Jerusalem. Colecção The Israel Museum, Jerusalem, Gift of Beni and Rina Gjebin, Shoham, Israel, com a colaboração de Rachel and Dov Gottesman, Tel Aviv and London. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Auto-retrato, Montevideo, (cerca 1942/19439, impresso mais tarde. Jeanne Mandello. Impressão a gelatina e brometo de prata. Créditos da imagem: © 2020 Isabel Mandello. Colecção Isabel Mandello Collection. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Sem título (Toni Frissell Fotografando Três Modelos na Sessão de Fotografias de Moda), (cerca 1940). Frances McLaughlin-Gill Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção, Toni Frissell Collection, Prints and Photographs Division, Library of Congress, Washington, D.C. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Florestine Perrault Collins, década de 1920. Fotógrafo desconhecido. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção Dr. Arthé A. Anthony. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Auto-retrato com” Icarette”, (cerca 1925), impresso em 1978. Germaine Krull. Impressão a gelatina e brometo de prata. Créditos da imagem: © Estate Germaine Krull, Museum Folkwang, Essen. Colecção Department of Image Collections, National Gallery of Art Library Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Gato + I, 1932. Wanda Wulz Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção The Metropolitan Museum of Art, Ford Motor Company Collection, Oferta de Ford Motor Company and John C. Waddell, 1987. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Auto-retrato com Leica, 1931. Ilse Bing. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção Michael Mattis and Judith Hochberg. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Tsuneko Sasamoto, Tóquio, 1940, impresso em 2020. Fotógrafo desconhecido. impressão jacto de tinta. Créditos da imagem: Tsuneko Sasamoto / Japan Professional Photographers Society. Colecção Tsuneko Sasamoto / Japan Professional Photographers Society. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Auto-retrato, 1933. Elfriede Stegemeyer. Impressão a gelatina e brometo de prata. Colecção Los Angeles County Museum of Art, The Audrey and Sydney Irmas Collection. Cortesia National Gallery of Art, Washington

Homai Vyarawalla a Fotografar Ganesh Chaturthi na Praia Chowpatty, em Bombaim, no final dos anos 1930, impresso depois. Fotógrafo desconhecido. impressão jacto de tinta. Créditos da imagem: Homai Vyarawalla Archive / The Alkazi Collection of Photography. Colecção Homai Vyarawalla Archive / The Alkazi Collection of Photography. Cortesia National Gallery of Art, Washington.

Para celebrar o notável trabalho das mulheres fotógrafas durante o século XX, a National Gallery Art, Washington e uns tempos depois o Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque irão expor o trabalho destas mulheres fotógrafas. Este evento irá contribuir, para o enriquecimento dos amantes da fotografia e da Arte Contemporânea.

A belíssima exposição, é a primeira grande retrospectiva dos trabalhos das mulheres fotógrafas dos Anos 20 aos Anos 50 e inclui a produção de mais de 120 artistas. Devido à extensão da mostra, tivemos de realizar esta mostra em duas partes: a 1ª foi já apresentada na revista de Dezembro de 2020 e a 2ª parte continua nesta revista de Janeiro de 2021.

A National Gallery of Art, Washington, vai inaugurar em 14 de Fevereiro de 2021 este evento e estará patente até 31 de Maio de 2021 e o Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque apresentará a mostra de 12 de Julho a 7 de Novembro de 2021.

 

A figura feminina esteve presente no desenvolvimento das primeiras técnicas da fotografia que surgiram já no século XIX, assim como Constance Talbot, ao lado do marido William Henry Fox, desenvolveu papéis sensíveis à luz nesse século.

Acredita-se que Ann Cook foi a primeira mulher a fotografar utilizando um Daguerreótipo, um dos primeiros equipamentos fotográficos a ser divulgado ao público, em 1839.

Já a primeira mulher a trabalhar profissionalmente como fotógrafa foi Antonieta DeCorrevont. A francesa abriu o seu próprio estúdio fotográfico em 1843.

Mas foi somente a partir do século XX que a fotografia tomou novos rumos na sua trajectória, transformando-se definitivamente numa actividade profissional reconhecida, além de uma modalidade artística. Nesse período, algumas mulheres destacaram-se pelas suas técnicas ou obtiveram um papel influenciador nessa área. 

Passaram já quase 200 anos desde estas grandes conquistas e acredita-se que ainda irão surgir novas investigações em relação à fotografia. Os Oscars de 2018 na sua 90ª edição, finalmente indicou a primeira mulher na categoria de “Melhor Fotografia”. Rachel Morrison foi reconhecida pelo seu trabalho no filme “Mudbound”.

 

Dos primeiros equipamentos fotográficos do século XIX às máquinas fotográficas analógicas e, agora, aos aparelhos digitais, a imagem feminina esteve presente em cada um dos momentos mais relevantes da fotografia e não pára de criar e inovar dentro da área.

A mostra apresenta uma gama geográfica, cultural e artística diversificada de profissionais que promovem novas investigações sobre a história da fotografia moderna e a luta contínua das mulheres para obter agência criativa e auto-representação.

Como já afirmou Kaywin Feldman, director da National Gallery of Art: "Este acontecimento apresenta a história da fotografia contemporânea, através das lentes da máquina fotográfica, um ideal feminista que surgiu no final do século XIX e se espalhou globalmente durante a primeira metade do século XX. As realidades transnacionais do modernismo visualizadas na fotografia por mulheres como Lola Álvarez Bravo, Berenice Abbott, Claude Cahun, Germaine Krull, Dorothea Lange, Niu Weiyu, Tsuneko Sasamoto e Homai Vyarawalla oferecem-nos uma oportunidade de compreender melhor o presente, tornando-nos totalmente mais informados do passado.”

A exposição foi organizada pela National Gallery of Art, Washington, em associação com o Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque.

A curadoria da exposição é de Andrea Nelson, curadora associada do departamento de fotografia da National Gallery of Art de Washington. A apresentação no Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque é organizada por Mia Fineman, curadora do departamento de fotografia.

A Exposição

Esta mostra salienta o impacto extraordinário que as mulheres tiveram na prática da fotografia em todo o mundo, dos Anos 20 aos 50. Apresenta o trabalho de várias fotógrafas internacionais que participaram de uma forma ampliada do meio impulsionado pela criatividade artística, inovação tecnológica e o surgimento da imprensa escrita. Fotógrafas como Berenice Abbott, Ilse Bing, Lola Álvarez Bravo, Madame d'Ora, Florence Henri, Elizaveta Ignatovich, Germaine Krull, Dorothea Lange, Dora Maar, Niu Weiyu, Eslanda Goode Robeson, Tsuneko Sasamoto, Gerda Taro e Homai Vyarawalla, entre muitas outras, surgiram num momento tumultuado da história que foi profundamente moldada por duas guerras mundiais, uma depressão económica global, lutas pela descolonização e a ascensão do fascismo e do comunismo. Contra todas as probabilidades, essas mulheres estiveram na vanguarda da experimentação com a máquina fotográfica e criaram um testemunho visual inestimável que reflecte as suas experiências pessoais e as extraordinárias transformações sociais e políticas da época, como as seguintes fotografas:

Florence Henri (1893-1982) era uma artista surrealista, que focava a sua prática na fotografia e na pintura. Ela estudou em Roma, onde encontrou os futuristas, em cujo  movimento se tinha inspirado. Em 1922 viveu em Paris, para frequentar a Académie André Lhote, até ao final de 1923. De 1924 a 1925, estudou com os pintores Fernand Léger e Amédée Ozenfant na Académie Moderne. A formação artística mais importante de Henri viria da Bauhaus de Dessau, em 1927, onde conheceu os mestres Josef Albersand e. László Moholy-Nagy, que a introduziram no meio da fotografia. Retornou a Paris em 1929 onde começou a experimentar e a trabalhar seriamente com a fotografia até 1963. Finalmente,mudou-se para Compiègne, onde concentrou as suas energias na pintura até ao final da sua vida em 1982. O seu trabalho inclui fotografia experimental, publicidade e retratos, muitos dos quais apresentados por outros artistas da época.

Gerda Taro (1910 – 1937) foi fotógrafa, jornalista e anarquista alemã de origem judaica. É lembrada como sendo a primeira mulher fotojornalista a morrer enquanto fazia cobertura de guerra. Gerda foi mulher do fotógrafo húngaro Robert Capa, ficou conhecida principalmente pelo seu registo da Guerra Civil Espanhola em fotografias que hoje marcam a memória daqueles eventos. Gerda documentou o quotidiano e as batalhas em vários momentos perigosos da guerra. Quando foram atingidos por aviões alemães que apoiavam as tropas de Franco perto de Villanueva de la Cañada, um tanque desorientado do exército republicano colidiu contra eles e Gerda foi mortalmente ferida no estomago.

Dora Maar (1907 - 1997), foi fotógrafa, poeta e pintora francesa, descendente de croatas. Foi a quarta das sete mulheres de Pablo Picasso. Foi retratada por Picasso na obra Dora Maar au Chat em 1941. Dora Maar aos 23 anos abriu um estúdio com o designer e director de arte Pierre Kéfer. O seu trabalho comercial (moda, publicidade, arquitectura, retrato, nus) deu-lhe a liberdade de imaginar e experimentar com audácia. Havia quem dissesse que “tesouras, pinças e cola não são acessórios da fotografia”, mas a sua aproximação ao grupo surrealista influenciou o seu trabalho. Em vez de tirada, a fotografia podia ser imaginada e construída com o uso de objectos estranhos de função simbólica (objects trouvés), sombras exageradas, combinação de negativos (como acontece com “Os anos estão à sua espera”, 1935) ou o recurso à fotomontagem (como é de certo modo o caso da perturbante da fotografia colorida em 1935, “29, rue d’Astorg”, que combina uma velha fotografia de Versailles com a imagem de um manequim decapitado da sua autoria; a morada do título era a do seu segundo estúdio). Esta é a arte conhecida de Dora Maar. Ao contrário de muitos fotógrafos humanistas, Maar favorecia composições desorientadas que levavam tempo a decifrar. A sensibilidade surrealista é difícil de apagar. Como diria Aragon, o acaso da vida e da rua era a sua única experiência e justificação. O encontro com Picasso tudo mudou. O sadismo do pintor abraçou o masoquismo da retratada. E se é verdade que a arte de Maar levou Picasso a explorar os materiais foto-sensíveis e as técnicas fotográficas (raios-X, clichés verre, etc.), afinal não muito diferentes das práticas da gravura, também é verdade que Picasso encorajou Maar a regressar à pintura que praticara no início da carreira.

Dorothea Lange (1895 – 1965) era nova-iorquina e foi um dos nomes mais importantes do fotojornalismo mundial, registando imagens documentais e impressionantes vividas durante o período da Grande Depressão em mais de 20 estados americanos. Uma das suas obras mais significantes, a “Mãe Migrante”, é considerada até hoje uma das imagens mais importantes de todos os tempos.

Margaret Bourke-White (1904 – 1971) foi uma das mais importantes precursoras na fotografia mundial, Margaret actuou como a primeira mulher correspondente de guerra em áreas de combate. Foi a primeira fotógrafa estrangeira a ser autorizada a registar o território soviético, ela fez história com imagens da Segunda Guerra Mundial e da Grande Depressão americana.

Berenice Abbott (1898 –1991) foi uma fotógrafa norte-americana, célebre pelas suas fotografias sobre figuras importantes entre as grandes guerras mundiais do início do século XX, imagens da arquitectura da cidade de Nova Iorque e da urbanização da cidade nos anos 30 e fotografia científica entre as décadas de 40 e 60 do século XX.

Quando a jovem, Berenice Abbott viajou para Paris, onde estudou arte e escultura. De lá, passou em Berlim e aprendeu mais sobre a arte da fotografia. De volta ao seu país de origem, Berenice visitou Nova Iorque e encantou-se com a transformação do visual urbano da cidade. As suas fotografias captaram um momento de transição da arquitectura local e ainda hoje servem como inspiração para especialistas de paisagens urbanas.

lse Bing (1899 - 1998) foi uma fotógrafa alemã de vanguarda e comercial que produziu imagens monocromáticas pioneiras durante o período entre guerras. Bing era conhecida, como a célebre “Rainha da Leica” e foi uma das primeiras fotógrafas alemãs a utilizar a máquina fotográfica que se tornou um marco da história da fotografia. Trabalhou desde o foto-jornalismo até os editoriais de moda! A fotógrafa teve os seus trabalhos expostos em diversas galerias de arte e fez exposições em várias partes do mundo.

Imogen Cunningham (1883 – 1976) foi uma fotógrafa dos Estados Unidos da América, conhecida pelas suas fotografias de temas botânicos, de nus e de cenas urbanas e industriais. Em 1910, Imogen Cunningham foi uma das primeiras mulheres a abrir um estúdio fotográfico por conta própria. Causou polémica na época por retratar cenários diferentes do comum e corpos nus. Trabalhou na Vanity Fair retratando grandes celebridades da época, uma das suas fotografias mais conhecidas foi de Frida Kahlo, em 1931.

Helen Levitt (1913 - 2009) foi uma fotógrafa americana. Ela era particularmente conhecida pela fotografia de rua na cidade de Nova Iorque e foi chamada de "a fotógrafa mais célebre e menos conhecida do seu tempo.” O cenário mais célebre das fotografias de Helen Levitt foi Nova Iorque. A fotógrafa ficou conhecida por captar os pequenos momentos poéticos que se passavam na selva de pedra. Também se aventurou no cinema, produziu “In The Film” ao lado de Janice Loeb e James Agee, dando movimento às imagens originais.

Lee Miller, (1907 – 1977), foi uma fotógrafa e fotojornalista americana. Foi modelo na cidade de Nova Iorque durante a década de 20 antes de se mudar para Paris e começar a fotografar moda e arte. Durante a Segunda Guerra Mundial, tornou-se correspondente na Europa da revista Vogue, sendo muito elogiada pelos seus trabalhos dessa época. Ela cobriu acontecimentos como a Blitz de Londres, a libertação de Paris e fotografou os campos de concentração em Buchenwald e Dachau.

Margaret Bourke-White (1904-1971) marcou história ao ser a primeira fotógrafa de guerra dos Estados Unidos. Também foi a primeira estrangeira a receber autorização para fotografar no território soviético. Além dos diversos conflitos que cobriu, também fotografou a vida da mulher em cada país que conheceu.

Ruth Gruber (1911-2016) construiu uma incrível carreira no fotojornalismo ao documentar a vida na Alemanha nazi. A fotógrafa também documentou a viagem de Exodus, onde milhares de judeus foram impedidos de chegar a França pelas forças britânicas.

Embora a história da fotografia lembre e cite apenas o nome dos homens envolvidos, as mulheres tiveram um papel de grande destaque no desenvolvimento das principais técnicas fotográficas. Além disso, elas foram essenciais na documentação por meio de imagens de momentos únicos da história humana.

A exposição, “A Mulher Moderna Atrás da Máquina Fotográfica” reconhece que as mulheres são um grupo diversificado cujas identidades são definidas não exclusivamente pelo género, mas sim por uma série de factores variáveis. A mostra salienta que o género é um aspecto importante na compreensão das suas vidas e o seu trabalho fornece uma estrutura útil de análise para revelar como a fotografia das mulheres moldou poderosamente a nossa compreensão da vida moderna.

 

Theresa Bêco de Lobo