A Atracção de Pablo Picasso por El Greco

1.

A Senhora com a Pele, (cerca 1577/79). Atribuído Alonso Sánchez Coello, ( cerca 1531 – 1588) Óleo sobre tela. Colecção Glasgow Life (Glasgow Museums) em nome de Glasgow City Council, the Stirling Maxwell Collection. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

2.

Mme Canals (Benedetta Bianco), 1905. Pablo Picasso, (1881-1973). Óleo e carvão sobre tela. Créditos da imagem: © Succession Picasso, 2022 ProLitteris, Zurich. Colecção Museu Picasso, Barcelona. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

3.

Auto-Retrato, 1901. Pablo Picasso, (1881-1973). Óleo sobre tela. Fotografia: RMN-Grand Palais/Mathieu Rabeau. Créditos da imagem: © Succession Picasso, 2022 ProLitteris, Zurich. Colecção Musée National Picasso, Paris. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

4.

Retrato de um Cavalheiro Idoso, (cerca 1595/1600). El Greco, (1541- 1614). Óleo sobre tela. Colecção The Metropolitain Museum, New York. Adquirido por legado de Joseph Pulitzer, 1924. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

5.

Retrato de um Homem (influenciado por El Greco), 1899. Pablo Picasso, (1881-1973). Óleo sobre tela. Créditos da imagem: © Succession Picasso, 2022 ProLitteris, Zurich. Colecção Museu Picasso, Barcelona. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

6.

São Jerónimo, como Estudioso, 1610. El Greco, (1541- 1614). Óleo sobre tela. Colecção The Metropolitain Museum, New York. Adquirido por legado de Robert Lehman Collection. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

7.

Evocação (O Funeral de Casagemas'), 1901. Pablo Picasso, (1881-1973). Óleo sobre tela. Créditos da imagem: © Succession Picasso, 2022 ProLitteris, Zurich. Colecção Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

8.

A Adoração ao Nome de Jesus, 1577/79. El Greco, (1541- 1614). Óleo sobre tela. Colecção Patrimonio Nacional, El Real Monasterio de San Lorenzo de El Escorial. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

9.

Homem, Mulher e Criança, Outono de 1906 (Paris). Pablo Picasso, (1881-1973). Óleo sobre tela. Fotografia: Martin P. Bühler. Créditos da imagem: © Succession Picasso, 2022 ProLitteris, Zurich. Colecção Kunstmuseum Basel, Switzerland. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

10.

A Sagrada Família com Sant'Ana, João e o Menino, 1600. El Greco, (1541- 1614). Óleo sobre tela. Colecção Museo Nacional del Prado, Madrid. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

11.

Retrato de uma Mulher ou Marinheiro (Estudo para Les Demoiselles d'Avignon), 1907. Pablo Picasso, (1881-1973). Óleo sobre cartão. Créditos da imagem: © Succession Picasso, ProLitteris, Zurich. Colecção Musée National Picasso, Paris. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

12.

A Virgem Maria, 1590. El Greco, (1541- 1614). Óleo sobre tela. Colecção Musée des Beaux-Arts de Strasbourg. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

13.

Nú Sentado, 1909/10. Pablo Picasso, (1881-1973). Óleo sobre tela. Créditos da imagem: © Succession Picasso, 2022 ProLitteris, Zurich. Colecção Tate Modern, London. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

14.

Madalena Pecadora, 1580/85. El Greco, (1541- 1614). Óleo sobre tela. Colecção The Nelson-Atkins Museum of Art, Kansas City, Missouri. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

15.

O Mosqueteiro, (Domenico Theotocopoulos van Rijn da Silva), 1967. Pablo Picasso, (1881-1973). Óleo sobre contraplacado. Créditos da imagem: © Succession Picasso, 2022 ProLitteris, Zurich. Colecção Ludwig Museum- Museum of Contemporary Art, Budapest. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

16.

Retrato de um Homem da Nobre Família de Leiva, 1980/85. El Greco, (1541- 1614). Óleo sobre tela. Colecção The Montreal Museum of Fine Arts. Doação de Adaline Van Home. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

17.

O Casal, (10 de Junho de 1967). Pablo Picasso, (1881-1973). Óleo sobre tela. Fotografia: Martin P. Bühler. Créditos da imagem:© Succession Picasso, 2022 ProLitteris, Zurich. Créditos da imagem: Kunstmuseum Basel, Martin P. Bühler Colecção Kunstmuseum Basel, Switzerland. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

18.

Cristo Despede-se da sua Mãe, 1595. El Greco, (1541- 1614). Óleo sobre tela. Colecção Museo de Santa Cruz, Toledo. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

19.

"Greco, Velázquez, inspira-me" (Vários tipos de desenhos), 1898/1899. Pablo Picasso, (1881-1973). Caneta de Aparo sobre papel. Créditos da imagem © Succession Picasso, 2022 ProLitteris, Zurich. Colecção Museu Picasso, Barcelona. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

20.

Cinco Esboços de Figuras no Estilo de El Greco, 1899. Pablo Picasso, (1881-1973). Lápis grafite e giz vermelho sobre papel. Créditos da imagem © Succession Picasso, 2022 ProLitteris, Zurich. Colecção Museu Picasso, Barcelona. Cortesia Kunstmuseum Basel, Switzerland.

A partir de 11 de Junho, até  25 de Setembro de 2022, o Kunstmuseum, em Basileia, Suíça apresenta uma exposição notável que destaca o encontro de Pablo Picasso (1881-1973) com o antigo mestre El Greco (1541- 1614), nascido Doménikos Theotokópoulos em Creta. As obras-primas de ambos os artistas estão justapostas em cerca de quarenta pares, traçando o curso de um dos diálogos mais fascinantes da história da arte. Foram reunidas na mostra, prestigiosas pinturas de todo o mundo em torno de um núcleo de trabalhos de Picasso da própria colecção do museu suíço.

O estilo inconfundível da pintura de El Greco conquistou uma fama considerável no seu tempo. 

Nascido em 1541, em Creta, Doménikos Theotokópoulos, conhecido como El Greco, começou a sua aprendizagem seguindo a tradição bizantina que aperfeiçoará com a sua mestria, primeiro em Veneza e, mais tarde, em Roma.

​No entanto, foi em Espanha, onde se estabeleceu permanentemente, em 1577, que a sua arte atingiu o máximo esplendor.

​Atraídos pelas inúmeras promessas da obra de El Escorial, a cor de Ticiano, a audácia de Tintoretto e o estilo heroico de Miguel Angelo, foram importantes para a península ibérica, mas principalmente para Espanha.

Pouco depois da sua morte, porém, o seu trabalho foi largamente esquecido. Foi apenas por volta de 1900 que foi lançado um renascimento de El Greco, em Picasso a servir na linha da frente. O seu envolvimento com o mestre greco-espanhol não só foi muito mais profundo do que se supunha anteriormente, como também durou muito mais tempo. A influência de El Greco é tão palpável nas obras de Picasso das décadas de 1930 e 1940, como nas primeiras pinturas cubistas. Mesmo no final da sua vida, Picasso continuou a fazer referência a El Greco. A exposição não só abre um novo olhar sobre os dois artistas eminentes do seu tempo, como também oferece novas perspectivas para o desenvolvimento da arte de vanguarda no século XX.

El Greco e Arte Moderna em Diálogo

Picasso tornou-se célebre pelo seu papel na revolução do mundo da arte durante o século XX. O pintor de Málaga experimentou uma série de técnicas e estilos ao longo da sua vida e acabou por ser co-fundador do movimento cubista com George Braque. Se olharmos para os anos de formação de Picasso, consegue-se descobrir as suas primeiras influências e a forma como se inspirou nos grandes mestres europeus, como El Greco.

Pablo Picasso nasceu em Málaga, Espanha, no dia 25 de Outubro de 1881 e com 14 anos de idade, Picasso fez a sua primeira viagem a Madrid, onde visitou várias vezes o Museu do Prado. Foi lá que, pela primeira vez, viu as obras-primas dos antigos mestres europeus, incluindo El Greco. Alguns anos mais tarde, num caderno de notas de 1898, Picasso afirmaria o efeito duradouro que os grandes mestres tinham tido sobre ele, afirmando o seguinte: "El Greco, inspirou-me!

Na sua juventude, Picasso fez alguns desenhos influenciados em El Greco. Inspirou-se especialmente em obras do Mestre, como: “O Enterro do Conde de Orgaz “de El Greco (um quadro reproduzido por Picasso em “O funeral de Casagemas”, 1901), “Cavalheiro Idoso” de El Greco (uma inspiração para o quadro de Picasso, “Retrato de um Homem” e “A Abertura do Quinto Selo” de El Greco - este em particular, provavelmente influenciou “Les Demoiselles d'Avignon” de Picasso, muitas vezes considerado o primeiro quadro cubista).

Picasso foi um dos maiores artistas do século XX, mas a sua grandeza não veio apenas de si próprio. Sir Isaac Newton, achava que Picasso, tinha influências dos seus velhos mestres. 

Foram cuidadosamente escolhidas cerca de 40 justaposições das obras-primas de El Greco e Picasso, que criaram um diálogo que se tornou extremamente emocionante. Esta mostra traz à vida o encontro de Pablo Picasso (1881-1973) com o velho mestre Dominénikos Theotokópoulos, mais conhecido como El Greco (1541-1614). O seu envolvimento com o mestre greco-espanhol não só foi muito mais profundo do que se supunha anteriormente, como também durou muito mais tempo. Desde o seu primeiro encontro com as obras de El Greco pouco antes de 1900 até ao final da sua vida, Picasso referia-se várias vezes, como se empenhou num fascinante diálogo artístico com o antigo mestre.

O Kunstmuseum Basel reúne a mais antiga colecção de arte pública do mundo. Para a exposição, os curadores Carmen Gimenez e Josef Helfenstein reuniram prestigiados empréstimos de todo o mundo com um grupo central de obras de Picasso da própria colecção do museu suíço.

 

Exposição

A mostra foi organizada pelo Kunstmuseum Basel, onde se apresenta as obras de El Greco.  Estes trabalhos são expostos juntamente com obras da nossa própria colecção que Picasso criou sob a influência de El Greco. A admiração de Picasso pelo El Greco começou na sua juventude, após visitas ao Museu do Prado, e continuou ao longo da sua vida. Este fascínio foi particularmente forte durante o período do Modernismo em Barcelona, durante o Período Azul, nos inícios do Cubismo e também nos últimos anos de Picasso, quando voltou a sua atenção para a Idade de Ouro espanhola.

No Outono de 1897, o jovem Picasso mudou-se para Madrid para estudar na Real Academia de Bellas Artes de San Fernando. Rapidamente rejeitou os métodos de ensino da escola e decidiu formar-se, aprendendo directamente com a observação de obras-primas no Museu Nacional do Prado. Em 1897, Picasso escreveu uma carta a Joaquim Bas da escola Llotja, um dos grandes amigos de Picasso, expressando a sua opinião sobre ao mestres antigos  e transmitiu a sua impressão, especialmente  sobre os artistas expostos no Museu do Prado, em Madrid, como  Velázquez, Greco, Murillo, Tiziano, Van Dick, Rubens e Teniers.

A presença contínua de El Greco no trabalho de Picasso é evidente no Período Azul.  Por exemplo, para a realização da Evocação (O enterro de Casagemas) em 1901, foi inspirada pela composição O Enterro do Conde de Orgaz e na adoração dos pastores por El Greco. E, durante todo o período, pode-se encontrar um certo misticismo e maneirismo nas figuras, que nos conduzem às representações dos Apóstolos por El Greco.

Daniel-Henry Kahnweiler

Em 1908 Picasso conheceu Daniel-Henry Kahnweiler depois de abrir a sua galeria de arte, Galerie Kahnweiler, em Paris, em Maio de 1907.  Ele desempenhou um papel importante no desenvolvimento do cubismo, representando Picasso como seu negociante de arte, mas também apresentando-o  a Georges Braque . Kahnweiler apoiou o estilo experimental do cubismo comprando uma grande parte das obras dos artistas e também publicando um livro em 1920 intitulado “The Rise of Cubism”.

Quem era Daniel-Henry Kahnweiler? Era um judeu alemão nascido em Mannheim. A sua família queria que ele seguisse uma carreira no sector bancário ou no mercado de acções, mas ele decidiu tornar-se num negociante de arte. Com apenas 23 anos,  abriu uma galeria de arte em Paris. Embora não tivesse nenhum conhecimento sobre a venda de arte, tinha um grande interesse pela arte de vanguarda, principalmente numa época em que o público francês ainda mostrava uma grande hostilidade em relação à arte modernista, em particular aos “fauves”.

A promoção de obras cubistas por Kahnweiler fez dele um dos negociantes de arte mais influentes do século XX. A sua defesa do cubismo nas décadas de 1910 e 1920 foi fundamental para o sucesso do movimento. Picasso disse do seu amigo, o seguinte: "O que seria de nós se Kahnweiler não tivesse um bom senso para os negócios?" 

No trabalho posterior de Picasso pode-se observar um renascimento da inspiração de El Greco. O artista disse ao seu Marchand, Daniel-Henry Kahnweiler, o que mais o atraiu em El Greco foram os retratos. Como resultado, a maioria das obras com ligações a este mestre foram realizadas entre 1950 e 1970, utilizando todo o género de técnicas, incluindo a gravura. Estas obras eram basicamente retratos, rostos ou bustos de personagens masculinas.

 

Marionela Gusmão