Açorianos desconhecidos

Brites Cunha da Silveira

Brites Cunha da Silveira

Brites Cunha da Silveira

Brites Cunha da Silveira

Brites Cunha da Silveira

Brites Cunha da Silveira

Brites Cunha da Silveira

Pintora Brites Cunha da Silveira

A leiloeira Renascimento realizou a venda de parte da antiga colecção Brum da Silveira. Tratava-se de um importante conjunto de artes plásticas e decorativas, maioritariamente portuguesas, reunidas nos Açores.

O acervo decorou durante séculos o solar da família na ilha de São Jorge. Em meados do século XX, partilhas entre três herdeiros dispersaram o seu espólio. Hoje o solar é um museu municipal e a família, que dominou durante séculos a vida política e social da ilha, perdeu a sua relevância.

O leilão revelou algumas pinturas de Brites Cunha da Silveira de uma diversidade e qualidade invulgares. Nascida em Angra do Heroísmo em 1903, cedo demonstrou talento para a pintura o que a levou a estudar belas artes a nível privado. Isso permitiu-lhe desenvolver uma linha pictórica individual que desenvolveu ao longo de décadas.

As suas pinturas (retratos e paisagens) reflectem um domínio e uma sensibilidade que a destacam entre os naturalistas portugueses. No conjunto sobressaem os auto-retratos de uma beleza e qualidade verdadeiramente singulares.

A autora viveu sempre dentro do círculo familiar. Pintava porque gostava, nunca tentando destacar-se. A sua obra ficou na posse da família, espalhada pela filha, neta e bisnetos.

Os retratos que executou são auto-retratos ou de parentes próximos, as paisagens dos locais que a fascinavam.

A artista não se encontra representada em nenhuma colecção oficial. O marido, Nicolau Nunes de Melo, foi presidente da Câmara Municipal de Velas. Em 1941 receberam o Presidente Carmona, uma visita ainda hoje lembrada.

As actividades culturais do arquipélago estavam centradas essencialmente no Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada, com uma colecção eclética. A instituição é dirigida por Bernardo Athayde, um pintor de grande relevo pelas suas paisagens e retratos de teor naturalista.

Brites Cunha da Silveira tem uma matriz naturalista, mas anuncia paralelamente as influências do segundo modernismo português.

A morte surpreendeu Brites da Cunha da Silveira em 1997 a poucos dias de completar 94 anos. A sua obra encontra-se envolta na nebulosidade da história da arte, um caso habitual entre nós.


 

António Brás