Açorianos com história I O pintor açoriano mais cotado

José Júlio de Souza Pinto (1856—1939) Lavadeiras francesas (Colecção Prticular)

José Júlio de Souza Pinto (1856—1939) Lavadeiras S. Pedro do Sul 15-01-1917 (Colecção Prticular)

José Júlio de Souza Pinto (1856—1939) O balde azul

José Júlio de Souza Pinto (1856—1939) Barco desaparecido

José Júlio de Souza Pinto (1856—1939) A colheita da batata

Macieira partida, 1883 de Sousa Pinto

Um dos maiores acontecimentos culturais do ano vai ocorrer no Porto. Trata-se de uma exposição dedicada ao artista açoriano José Júlio de Souza Pinto, considerado um dos maiores pintores portugueses. 

A exposição vai ser composta por 100 óleos, pastéis e desenhos por si criados  ao longo de 59 anos, entre os séculos XIX e XX.

Nascido em Angra do Heroísmo em 1856, estudou na Academia Portuense de Belas Artes, onde obteve altas classificações. Isso permitiu-lhe obter uma bolsa para ir para França, onde acabou por fixar-se. 

As suas pinturas (retratos, marinhas e paisagens campestres e urbanas) reflectem um domínio e uma sensibilidade que o tornam um  percursor dos naturalistas portugueses.

Conheceu uma brilhante carreira internacional, tendo sido galardoado nas exposições de Nice (1884), do Rio de Janeiro (1895), de Atlanta (Estados Unidos, 1896), de Rennes (1897) e de Paris (1889).

Em 1895 foi agraciado pelo governo francês com a Legião de Honra e, cinco anos depois, tornou-se o primeiro pintor português a quem a França adquiriu um quadro (denonimado “Apanha da Batata”) actualmente no Museu d`Orsay. 

Outros museus de Itália, Estados Unidos, Brasil e Austrália possuem obras de Souza Pinto.

 

Ligações a Portugal

O artista fixou-se em Sceaux, na Bretanha, mas continuou a deslocar-se frequentemente à sua terra. Durante as estadias dedicava-se a fixar na tela as paisagens, as gentes e os costumes do País.

A morte surpreende Souza Pinto em 1939, aos 83 anos.  

Em 1998 o quadro “O Amuado” é transaccionado em Lisboa por 22 mil euros, tornando-se na época a pintura portuguesa mais bem cotada de sempre. Nesse ano uma outra obra sua, ”Figura de Bretão”, atinge 67 mil euros.

O pintor encontra-se representado nos museus do Chiado em Lisboa,  de Soares dos Reis e Marta Ortigão Sampaio no Porto, de Teixeira Lopes em Vila Nova de Gaia, e de Grão Vasco em Viseu.

 

Espólio perdido

O seu espólio (julgado perdido pelos historiadores portugueses) foi há anos descoberto por João Pinto Ribeiro, administrador do Palácio Velho. As 100 obras (avaliadas em dois milhões de euros) encontravam-se na Bretanha, na posse de um coleccionador francês. 

“Não consigo bem explicar qual o sentimento que nos invadiu naquela altura, ao vermos sair um a um os quadros a pastel e a óleo bem como os desenhos, para nós inéditos”, evoca-nos João Pinto Ribeiro.

Após longas negociações o conjunto foi adquirido, sendo estudado durante meses por Isabel Maiorca, que anota: “Souza Pinto trabalhou incansavelmente, nada escapava às suas vibrações de artista. Do retrato aos temas marítimos, da cena bucólica à amorosa, da paisagem ao pitoresco dos interiores, tudo o entusiasmou e tudo pintou com rara mestria”.

O espólio foi exposto no Porto na Fundação António Cupertino de Miranda.  Os investigadores tiveram a  oportunidade para avaliar a obra de Souza Pinto, ainda pouco estudada.

No conjunto das 100 obras destaca-se uma segunda versão (reduzida) do quadro “O Amuado”, avaliada em 150 mil euros. O Estado demonstrou interesse em adquirir algumas espécies, mas o preço inviabilizou o negócio. 

O catálogo da exposição, com textos de João Pinto Ribeiro e Isabel Maiorca, é uma obra fundamental para se conhecer o percurso artístico de Souza Pinto, um dos autores portugueses mais representados em museus estrangeiros.

 

António Brás