94.ª Cerimónia dos Óscares
Dolby Theatre, em Los Angeles, Califórnia 27 de Março de 2022

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A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas entrega anualmente o mais conhecido e cobiçado prémio da indústria do cinema de Hollywood, o Oscar. Oferecido desde 1929, a honraria foi ideia de Louis B. Mayer, chefe do estúdio Metro-Goldwyn-Mayer (MGM). Desde então, a premiação acumula recordes entre os seus vencedores (e também entre os perdedores). Marcas que entraram para a história do cinema, mas podem ser batidas a cada nova cerimónia.

Passadeira Vermelha

O Poder do Cão" era o filme mais nomeado na edição deste ano, mas acabou vencido por outros títulos na noite deste domingo, (27 de Março de 2022). Das 12 nomeações da Academia com que contava, apenas foi distinguido numa. Jane Campion foi considerada a melhor realizadora no filme, “O Poder do Cão”, numa gala em que houve algumas surpresas na lista de vencedores. "Duna" acabou por ser um dos títulos com maior destaque nos Óscares deste ano - vence em 6 categorias das 10 nomeações com que contava -, mas é impossível passar ao lado do que aconteceu com "No Ritmo do Coração-CODA". A longa-metragem, que era considerada, como uma das mais favoritas, acabou por ser considerado o Melhor Filme, (produzido por Philippe Rousselet, Fabrice Gianfermi e Patrick Wachsberger) ganhando ainda nas categorias de Melhor Argumento Adaptado (Sian Heder) e Melhor Actor Secundário (Troy Kotsur).

Troy Kotsur foi o primeiro actor surdo a ganhar o oscar- a primeira actriz a recebê-lo foi a actriz Marlee Matlin em 1987. Para além de Troy a ser distinguido pela Academia. Ainda nas categorias de interpretação, foram também premiados Will Smith (Melhor Actor, que teria agredido Chris Rock), Jessica Chastain (Melhor Actriz) e Ariana DeBose (Melhor Actriz Secundária).

 

Entre os vencedores, destaca-se ainda Greig Fraser pela Melhor Fotografia em “Dune” e Kenneth Branagh, ganhou o Oscar na categoria de Melhor Argumento Original, por “Belfast” e o filme “Conduz o Meu Carro” do  Japão foi escolhido como o Melhor Filme Internacional. 

 

Noite de Óscares, é também noite de glamour. E depois de um ano tão conturbado como o de 2021, o entusiasmo de assistirmos a uma passadeira vermelha tradicional, era tão desejada. 

À chegada dos primeiros convidados, quem assistiu ao desfile de estrelas que se encaminhou para o Dolby Theatre ter-se-á, provavelmente, sentido em 2019, numa realidade sem pandemias ou guerras, com uma passadeira salpicada com todas as cores do arco-íris. Os Óscares prometeram um regresso à normalidade e, no que toca à moda, assistiu-se auma grande variedade de modelos.

Nicole Kidman, Jessica Chastain e Penélope Cruz, divas do cinema e musas da moda, trouxeram o glamour para a passadeira vermelha e, quanto às escolhas de moda, mantiveram-se fiéis aos seus estilos, mas sem surpreender. Nicole Kidman apostou na sua figura alta e elegante para brilhar num vestido azul-claro de Armani Privé com saia tubo e silhueta esguia. Jessica Chastain apresentou a magia das criações Gucci. Um vestido de princesa com uma bainha em folhos lilás que vai mudando de cor até terminar numas alças cor de laranja, numa combinação perfeita com o tom do cabelo da actriz, tudo salpicado por lantejoulas que exibem um brilho perfeito.

Penélope Cruz é uma imagem Chanel que mostrou com a sua natural elegância, uma criação clássica, com uma longa saia rodada e uma gola com um laço. Olivia Colman  apostou num vestido Dior Haute Couture plissado e prateado.

A irreverência das estrelas modernas pode-se assistir através de alguns modelos, como foi o caso de KristenStewart, que chamou a atenção pela escolha de um modelo muito simples. A actriz também é uma das imagens da Chanel, mas o look não remeteu propriamente para o estilo da Chanel. O conjunto de calções e blazer negro foi completado com uma camisa branca e uns stilettos pretos e ainda com o cabelo solto, ao estilo estrela descontraída a que a actriz já nos habituou.

Zendaya também apresentou um conjunto e combinou uma longa saia prateada com uma mini camisa, que deixava a barriga à mostra. Não é o look clássico de uma passadeira vermelha, mas remete-nos para o estilo novaiorquino que conjuga simplicidade com sofisticação. Timothé Chalamet, escolheu um conjunto Louis Vuitton composto por calças e um casaco coberto por lantejoulas e com renda nos punhos, mas substituiu a camisa por um  colar com pendente.

Esta cerimónia contou com três princesas Disney: Lily James, que interpretou Cinderela, Naomi Scott foi a Jasmine do Aladino e Halle Bailey é a nova Ariel (A Pequena Sereia), mas nenhuma optou por looks de contos de fadas. Curiosamente, todas usaram marcas italianas e em estilos bem diferentes. A primeira apostou num vestido Atelier Versace que, apesar de ter um delicado tom de rosa-claro e aplicações em renda, combinava um generoso decote com duas rachas na saia. A segunda optou por um design de Fendi Couture com silhueta tubo e uma capa bordada, tudo num profundo tom roxo. A última foi a mais arrojada e usou um modelo de Roberto Cavalli numa cor turquesa.

Numa edição com vestidos com caudas e capas olhamos para os modelos exuberantes de Jada Pinkett Smith e de Billie Eilish, que apresentam uns looks exagerados. A primeira usou um vestido de Jean Paul Gaultier num tom de verde-escuro todo construído com uma textura enrugada. Enquanto a cantora usou um vestido Gucci com decote em barco e os ombros à mostra que parecia uma cascata de folhos negros. Maggie Gyllenhaal usou uma criação Schiaparelli, uma marca francesa com herança surrealista, que jogou com formas rígidas e fez parecer que a actriz estava a vestir mais uma escultura do que uma peça de roupa.

Surgiram ainda a apresentação de sete vestidos vermelhos, mais sete vestidos cor-de-rosa e também um vestido totalmente dourado, talvez inspirado nos próprios Óscares, e foi criado para Lupita Nyong’o pela Prada. Apesar do surpreendente arco-íris de vestidos, pois não faltaram amarelos, laranjas, verdes e azuis, o preto foi mesmo a cor vencedora desta cerimónia.

A História da Moda ensina-nos que perante momentos de crise social e/ou económica a moda reage com exuberância e a passadeira vermelha destes Óscares parece ser a prova desta teoria. Depois de uma edição de 2021 muito restrita e contida pela pandemia, a edição de 2022 mostrou-nos de tudo, com especial destaque para o regresso do tradicional vestido “red carpet”, seja em silhueta sereia ou em criações de amplas saias rodadas, assim como ficam ainda registado o regresso dos folhos e drapeados em todo o seu esplendor.

Depois de cerca de três horas de passadeira vermelha e outras tantas de cerimónia, fica para a história desta 94ª edição uma seleção de looks coloridos e alegres. 

A Passadeira Vermelha tornou-se glamorosa e foi um primeiro regresso à normalidade com visuais elegantes, vaporosos e, na sua maioria, repletos de cor, com apontamentos de excentricidade pelo meio. 

Embora a gala dos Óscares seja uma grande noite de cinema, é também uma oportunidade para mostrar o melhor da moda e da alta costura.

Theresa Beco de Lobo

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