A Terra, o Fogo, o Espírito I Obras-primas da cerâmica coreana

No Grand-Palais Em Paris até 20 de Junho

É óbvio que nesta revista quando escrevemos sobre obras-primas da cerâmica coreana nos estamos a referir à Coreia do Sul, oficialmente República da Coreia, o primeiro país asiático que a autora deste texto teve a sorte de visitar no ano de 1984, num momento especial em que o Dr. Mário Soares era Primeiro-Ministro do nosso país e se fez acompanhar de uma numerosa comitiva de industriais portugueses com o objectivo de estreitar as nossas relações comerciais e culturais.

 

Dotada de uma cultura milenária, a Coreia é conhecida como “a terra da manhã tranquila”. Que paz encheu a minha alma em Seul quando visitei o Museu Nacional da Coreia, este que nos traz hoje junto dos nossos leitores para partilhar momentos excepcionais.

 

A Coreia é uma das civilizações mais antigas do mundo pois, segundo os grandes investigadores arqueológicos, esta península foi ocupada desde o Paleolítico Inferior.

 

Através dos tempos, a história da Coreia tem sido escrita relatando a verdade, onde sobressaem fases turbulentas com numerosas guerras, incluindo invasões quer chinesas quer japonesas. Desde o estabelecimento da república moderna em 1948, a Coreia do Sul sofreu com as sequelas de conflitos bélicos, como a Guerra da Coreia (1950-1953) e décadas de governos autoritários.

 

Três anos depois de lá termos estado, apesar de oficialmente ser uma democracia de estilo ocidental, só em 1987 com as primeiras eleições directas é que o país passou a ser considerado como uma democracia multipartidária.

 

A Coreia é a 13ª. maior economia do mundo (por PIB PPA) e está classificada pelas Nações Unidas, Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI) como um dos países mais desenvolvidos do mundo.

 

Também se encontra entre os países tecnologicamente mais avançados, um dos melhores em comunicações; é o terceiro país com maior número de usuários da Internet entre os países membros da OCDE, sendo também um dos líderes globais na produção de aparelhos electrónicos, como dispositivos semicondutores e telefones celulares. Também conta com uma das infra-estruturas mais avançadas do mundo, e é o líder da indústria de construção naval, encabeçada por companhias proeminentes como a Hyundai Heavy Industries.

 

Mas, apesar da evolução tecnológica, a Coreia continua a ser a terra da manhã tranquila, onde a par dos seus edifícios de grande modernidade, existem as construções monumentais características daquela região do Oriente que são respeitadas e conservadas com um cuidado de tal modo rigoroso que dá gosto contemplar.

 

Por outro lado, muita da sua fascinante herança cultural é preservada e exposta nos Museus Nacionais com uma disposição e técnica museológica exemplar.

 

A arte coreana é fortemente influenciada pelo budismo e confucionismo. Entre as artes plásticas mais desenvolvidas encontram-se a pintura, a caligrafia e a cerâmica. Aliás, a cerâmica e a escultura são duas das artes plásticas mais antigas praticadas em território coreano, já que existem exemplares datáveis do Neolítico (6000 – 1000 a. C.).  

 

OBRAS-PRIMAS DA CERÂMICA COREANA

Exposição no Grand Palais – Sala de Honra

 

Se a cerâmica é criada com o contributo da terra e do fogo no mundo inteiro, o seu estilo e as suas características variam enormemente de uma região para outra. A cerâmica coreana encarna maravilhosamente o carácter único da Coreia e do seu espírito enraizado nas populações, pois artisticamente domina completamente esta arte que vive da terra e do fogo. Esta exposição apresenta um grande número de obras-primas da colecção do National Museum of Korea, cujo nome já foi oficialmente designado por Tesouros e Tesouros nacionais.

 

Algumas das peças que estão agora à disposição dos visitantes do Grand Palais, já as vimos em 1984, mas afirmamos que esta mostra permite ao visitante, que está no coração da Europa, explorar toda a história da cerâmica, mergulhando no espírito que a habita.

 

A exposição apresenta uma visão do conjunto da cerâmica coreana, dos tempos antigos do período dos Três reinos à era contemporânea, passando pelas dinastias Goryeo e Joseon. Entre as peças antigas mais notáveis figuram os vasos antropomorfos, frequentemente enterrados com os defuntos para guiar a sua alma para o além, dentro das crenças funerárias de cada época.

 

A propósito é de recordar que os três reinos, Baekje, Silla e Koguryo, eram cidades-estado em constantes guerras. Por exemplo, em 676 d.C., Silla unificou com sucesso quase todo o território coreano, com excepção de Balhae. O domínio destes reinos, sobretudo a Coreia e parte da Manchúria, deu origem ao período dos estados do Norte e do Sul.

 

No ano 918, o general Wang Geon fundou o reino de Goryeo (ou Koryõ, de onde provém o nome Coreia). Depois de muitos conflitos, muito mais tarde, a dinastia Goryeo foi substituída pela dinastia Joseon.

Voltando ao tema da exposição e com o objectivo de situar o período das peças, cabe-nos informar que a cultura aristocrática florescente do período Goryeo, está representado por vasos (jarras) em céladon com formas sumptuosas e generosas camadas de verniz brilhante, cor de jade, testemunhando o gosto requintado da nobreza. O optimismo e a energia do início da era Joseon exprime-se através das obras ditas “buncheong”, livres e criativas, enquanto a beleza austera da porcelana imaculadamente branca lembra os príncipes do neo-confucionismo promovida pela sociedade Joseon.

 

Nesta época, as peças do quotidiano em céladon e porcelana branca, incluindo a louça de uso diário ou as caixas de cosméticos, oferecem um resumo apaixonante da vida corrente desta época. Dizem que o verdadeiro sentido estético da Coreia está no espírito das “jarras da lua”, grandes peças sempre redondas em porcelana quase branca que lembra a lua cheia. O seu “charme”, único, cativa quem as contempla.

 

A cerâmica tradicional continua a inspirar os artistas contemporâneos. E é por isso que esta exposição apresenta, lado a lado, as obras-primas tradicionais da cerâmica coreana, com as grandes obras de artistas coreanos contemporâneos entre os mais célebres, todos activos na cena artística internacional.

São exemplos: a obra colaborativa de Lee Ufan e Park Young Sook que utiliza o estilo da porcelana azul e branca; uma obra vídeo de Kimsooja intitulada Earth, Water, Fire, Air (Terra, Água, Fogo, Ar) que analisa os quatro elementos constitutivos do universo (e da cerâmica) sob um novo ângulo, assim como uma obra vídeo original dos artistas Moon Kyungwon e Jeon Joonho, criado especialmente para a exposição, intitulado “A moldem moon, life within a vase”.

 

Esta exposição foi co-organizada pela Réunion des musées nationaux – Grand Palais e o National Museum of Korea.

 

A Comissária geral da mostra foi a antiga directora do Museu Nacional da Coreia, Kim Youngna com a colaboração dos comissários Im Jin A. Kim Kyudong, Kim Hyunjung, Park Hyewon e Yoon Sangdeok.

A exposição contou ainda com a conselheira científica Stéphanie Brouillet, conservadora em Sèvres – Cité de la Céramique, responsável pelas colecções asiáticas.

 

Horário: todos os dias das 10.00 às 20.00 e à quarta-feira até às 22.00 horas.

Encerra todas as terças-feiras.

De salientar que esta exposição foi organizada no âmbito do Ano França-Coreia 2015-2016.

Esta é uma exposição a não perder. A Coreia fica a muitas horas de distância, mesmo de avião, e de Lisboa a Paris é quase um instante!

Marionela Gusmão

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